Opinião
A Lei de Cotas e o papel da Auditoria-Fiscal do Trabalho
Opinião
O trabalho traz dignidade, resgata a autonomia, a autoestima e faz a Pessoa com Deficiência se sentir pertencente a uma sociedade produtiva. É por isso que a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (aprovada com status de emenda constitucional em 2009) traz uma série de regulamentações em prol da inserção da Pessoa com Deficiência no mercado de trabalho.
E a Lei Brasileira de Inclusão, nº 13.146/2015, veio para dar efetividade a este direito tão importante, assim como a outros direitos das Pessoas com Deficiência, como direito à saúde, educação, à vida, ao lazer, entre outros.
Mas, como fazer valer o direito de acesso ao trabalho? Sabemos que existe uma série de barreiras para que as Pessoas com Deficiência adentrem no mercado de trabalho. E é por este motivo que foi criada a Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que estabelece percentuais para a contratação de Pessoas com Deficiência por parte das empresas.
A fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas é da competência da Auditoria-Fiscal do Trabalho. Nesse sentido, é papel da Auditoria-Fiscal do Trabalho fiscalizar o cumprimento da Lei de Cotas e penalizar as empresas descumpridoras, por meio da aplicação de auto de infração.
Não fosse a fiscalização da Lei de Cotas pela Auditoria Fiscal do Trabalho, não teríamos o número de contratações de Pessoas com Deficiência que temos hoje. A Fiscalização do Trabalho é tão importante neste aspecto que 85% dos PCD contratados atualmente no Brasil assim o foram por empresas obrigadas à Lei nº 8.213/91 e apenas 15% são PCD contratados por empresas desobrigadas.
Vale destacar alguns dados importantes que trazem esse contexto para a realidade do nosso Estado. Segundo dados do E-Social (08/2022), existem atualmente em Mato Grosso 605 empresas obrigadas a contratar PCD, totalizando 7.793 cotas para este público.
Considerando que são 3.912 PCD já contratados, temos que aproximadamente 50% da cota de PCD está preenchida, faltando preencher os outros 50% no Estado. Observando que, de acordo com o IBGE (2010), existem 128.800 PCD em Mato Grosso (que se declararam com deficiências severas), não procede o argumento de que há número insuficiente de PCD para contratação.
Também não procede a suposição de que as Pessoas com Deficiência não querem ser contratadas porque recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Em Julho/2022, existiam apenas 43.684 PCD que recebiam BPC em Mato Grosso, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Social. Isso representa aproximadamente 34% das pessoas que se declararam Pessoas com Deficiência.
Por último, cabe ressaltar que, além da atribuição de fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas, também compete à Auditoria-Fiscal do Trabalho fiscalizar duas questões importantes relativas às Pessoas com Deficiência, previstas na Lei Brasileira de Inclusão (LBI), quais sejam, o combate à discriminação e a garantia da acessibilidade.
Nesta Semana da Pessoa com Deficiência, em que também celebramos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21.09), tivemos a oportunidade de debater sobre os direitos deste público, seja o direito à vida, à saúde, ao esporte, ao lazer, e também o direito ao trabalho, que para o PCD sempre foi muito custoso.
Nossa participação nos eventos da Semana da Pessoa com Deficiência enquanto Auditoria-Fiscal do Trabalho foi no sentido de levar esclarecimentos sobre a Lei de Cotas, sobre a importância da inserção dos PCD no mercado de trabalho e também como forma de incentivar o debate dos direitos que ainda não foram materializados em que pese estarem previstos em lei.
Nós, Auditores-Fiscais do Trabalho, temos por competência a fiscalização e também a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, como forma de resgate da sua dignidade, sua autonomia, para que seja respeitada pelo próximo.
Para além da nossa competência, atuamos na busca de parcerias com a sociedade civil, com entidades governamentais, com as associações e com as próprias pessoas com deficiência. Essas parcerias são extremamente importantes para que consigamos resultados cada vez mais eficazes na busca pela inserção dos PCD no mercado de trabalho.
Caroline de Almeida Mendes Lima é Auditora-Fiscal do Trabalho e Coordenadora do Projeto de Inclusão de Pessoas com Deficiência e de Beneficiários Reabilitados pela Previdência Social no Mercado de Trabalho da SRTb/MT
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
-
Política7 dias atrásGilberto Mello ganha força na reta final e é aposta do PL para a Câmara Federal
-
Polícia5 dias atrásMárcia Pinheiro passa por cirurgia de seis horas e família atualiza estado de saúde
-
Política7 dias atrásLuiz Sansão declara apoio a Juca do Guaraná e destaca atuação do deputado em Barra do Bugres
-
Política4 dias atrásTRE-MT informa ausência de denúncias de fake news e destaca ações conjuntas com a ALMT
-
Entretenimento6 dias atrásClara, filha de Zezé Di Camargo e Graciele surpreende ao escolher doces: ‘Sem açúcar’
-
Esporte6 dias atrásBrasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso
-
Política6 dias atrásEmanuelzinho aparece na frente em pesquisa para deputado federal em Cuiabá
-
Política6 dias atrásAbilio pede desculpas a Erika Hilton após acordo com a PGR por episódio na CPMI

