Opinião
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs)
Opinião
O termo doenças inflamatórias intestinais inclui dois tipos diferentes de inflamação intestinal crônica, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, ambas ainda de causas desconhecidas. A principal diferença entre as duas doenças é o local onde elas ocorrem.
A doença de Crohn é uma inflamação crônica que pode acontecer em qualquer parte do tubo digestivo. Ela é mais comum na parte inferior do intestino delgado e intestino grosso. Já a retocolite ulcerativa é uma inflamação que ocorre na mucosa do intestino grosso, acompanhada de diarreia crônica com sangue e anemia”, detalha.
As doenças inflamatórias intestinais não tem uma causa definida, mas podem estar associadas a fatores como consumo exagerado de comidas industrializadas e com alto índice de gordura, questões hereditárias e imunológicas.
Os sintomas mais comuns para as DIIs são a diarreia, com pus, muco ou sangue, cólicas, gases, fraqueza, perda de apetite e febre. Conforme as informações da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), as inflamações atingem principalmente os jovens entre 20 e 40 anos, que quanto mais cedo forem diagnosticados, melhores são as chances de um tratamento adequado e que não afete tanto no dia a dia.
Assim como a retocolite ulcerativa, o diagnóstico da doença de Crohn é feito por um exame de colonoscopia com biópsia, além de outros exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética e exames laboratoriais.
O tratamento pode ser realizado tanto com medicação, quanto com cirurgia. Em alguns pacientes é necessária a confecção de estomas, que são bolsas coletoras de fezes. Além disso, também uma alimentação balanceada.
A colonoscopia e a cápsula endoscópica são dois importantes exames para o diagnósticos de doenças inflamatórias intestinais (DII), que são a Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa, alvos da campanha de conscientização Maio Roxo
A colonoscopia é um exame que permite ao médico analisar o revestimento interno do intestino grosso e parte do intestino delgado, em uma área que corresponde ao reto, ao cólon e ao íleo terminal.
A aparência endoscópica nem sempre é capaz de diferenciar Doença de Crohn e Colite Ulcerativa, porém fornece algumas características que auxiliam no diagnóstico. Além disso é fundamental para detecção precoce do Câncer Colorretal.
Normalmente o exame é realizado sob sedação para o conforto do paciente, permitindo ao médico a identificação, diagnóstico através de biópsia e, eventualmente, a retirada de lesões intestinais.
Já a cápsula endoscópica, desde seu desenvolvimento é considerada um excelente exame para avaliar a mucosa do intestino delgado. Como a Doença de Crohn pode acometer exclusivamente o íleo proximal ou o jejuno em 10% dos casos, diante de colonoscopia normal ou pouco alterada e suspeita clínica relevante, a cápsula pode ser usada para pesquisar lesões nessa porção do intestino, como erosões, úlceras e estenoses.
O método também verifica a extensão da Doença de Crohn já diagnosticada, auxilia na escolha do tratamento e faz o controle pós-terapêutico. Embora seja um exame bastante seguro, existe a possibilidade de retenção da cápsula em cerca de 2% dos casos devido a estenoses graves, que geralmente têm indicação de correção cirúrgica.
E já realizada em Cuiabá, a enteroscopia por duplo balão é um exame em que o aparelho, similar aos demais endoscópios, é introduzido através da boca ou do ânus para o diagnóstico e tratamento de lesões do intestino delgado a exemplo das doenças inflamatórias intestinais.
Dr. Mardem Machado é coloproctologista, professor do HUJM, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia na região Centro Oeste (SBCP) e integra a equipe multidisciplinar do IGPA.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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