Opinião
Dia da Gestante: A importância do pré-natal
Opinião
Dia 15 de agosto comemora-se o Dia da Gestante. Um momento tão especial na vida de qualquer mulher merece ser cuidado com muito carinho, amor e, principalmente, muita responsabilidade com a saúde. Os exames de pré-natal têm grande importância em todo o processo de gestação, as consultas têm um papel fundamental na saúde do bebê.
As consultas de pré-natal devem começar logo que o casal deseje engravidar. Nesta consulta, são esclarecidas dúvidas e apuradas a presença de doenças prévias ou condições que possam oferecer risco à sua gestação e ao seu bebê. São avaliados o uso de medicações para evitar doenças no feto, e abolir maus hábitos na gravidez.
Ao longo da gravidez devem ser feitas no mínimo seis, mas o ideal é que haja consultas mensais até o sétimo mês de gestação, depois quinzenais e, chegando perto do parto, após o oitavo mês, essas consultas devem se tornar semanais.
Os primeiros três meses da gravidez são muito importantes. Afinal, é nesse período que uma série de transformações passa a ocorrer no organismo da futura mamãe: a produção de hormônios cai, outros passam a ser fabricados, a placenta começa a se formar e o bebê já desenvolve os principais órgãos.
É no primeiro trimestre que a gestante corre maiores riscos de abortos espontâneos e malformações decorrentes de deficiências nutricionais. Por isso, ao planejar uma gravidez, é preciso fazer uma série de exames para conferir se está tudo bem, iniciar a suplementação de ácido fólico e outras vitaminas e ter hábitos alimentares saudáveis.
Cabe ao ginecologista solicitar uma série de exames, como exame de sangue para avaliar o tipo sanguíneo, hemograma e o controle da glicemia, afastando riscos de diabetes gestacional e também para verificação de doenças infectocontagiosas, como sífilis, toxoplasmose, hepatite B e C, rubéola e HIV, que podem provocar sequelas noo bebê.
Também são solicitados no mínimo dois exames de ultrassonografia, sendo um logo no início da gestação, no primeiro trimestre e o outro, entre 20 e 24 semanas. Esses exames conferem se a morfologia e o crescimento fetal estão dentro da anormalidade
A partir do 4º mês a gestante passa a sentir menos enjoos e o bebê começa a crescer rapidamente, com o coração batendo até duas vezes mais depressa que o da mamãe. Neste momento, algumas mães já podem sentir o bebê se mexendo pela primeira vez.
No 5º mês da gravidez deve-se ter cuidado com o aumento de peso, pois a fome pode aumentar e aqueles desejos podem se tornar mais intensos. Nessa fase o bebê se movimenta bastante e a conexão com a mamãe é ainda maior.
Na reta final da gravidez é preciso descansar bastante. A barriga se torna cada vez mais pesada e encontrar uma posição para dormir pode não ser tão fácil. A companhia e apoio do pai e dos familiares é essencial neste momento, pois o grande dia estará bem pertinho.
Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, professora do HUJM, especialista em endometriose e infertilidade e integra a equipe multidisciplinar da Eladium.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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