Opinião

Mato Grosso: terra de oportunidades e conquistas

Publicado em

Opinião

Foto: Assessoria/Divulgação

Entre os anos de 2020 e 2021, a capital de Mato Grosso saltou da 61ª posição para a 10ª melhor cidade para empreender no país. O dado consta no levantamento do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2022, que é elaborado pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

De acordo com a pesquisa, Cuiabá apresentou valores maiores que a primeira colocada, São Paulo, nos quesitos “Ambiente regulatório” e “Capital humano”, algumas das áreas pesquisadas para a obtenção do cálculo. Além disso, a capital mato-grossense é a mais bem posicionada se comparada com as demais capitais da região Centro-Oeste.

O cenário é bastante relevante para Mato Grosso, pois esse crescimento acaba favorecendo não só Cuiabá, mas todo o estado. Os setores do comércio e de serviços, por exemplo, apresentaram, em fevereiro, alta nos índices na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e na Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS), ambas do IBGE, demonstrando crescimento do volume de vendas no comércio varejista.

Comparado ao mesmo mês de 2021, o aumento foi de 3,3%. Já o volume de serviços cresceu 8,3% nesse mesmo comparativo. Referente ao emprego formal, Mato Grosso possui 807 mil postos de trabalho, sendo 61% desses nos setores do comércio e de serviços, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Até março de 2022, o estado acumulava saldo de mais de 24 mil postos de trabalho, ficando atrás do estado de Goiás no Centro-Oeste. Esses dados revelam que, em uma economia com o agronegócio em destaque, a renda que circula é revertida nos demais setores e proporciona crescimento em diversas áreas, possibilitando muitas oportunidades empreendedoras e também de emprego aos cidadãos.

Nesta semana em que se comemora o aniversário de 274 anos de Mato Grosso, temos muito a comemorar. O estado tem se destacado e possui um enorme potencial para avançar ainda mais. Como comerciante há mais de 40 anos, tenho orgulho em dizer que me sinto um verdadeiro mato-grossense, pois vivi mais aqui do que na minha terra natal. E assim como eu, milhares de empreendedores e trabalhadores vêm em busca de oportunidades, realizam seus sonhos e, assim, contribuem para o desenvolvimento e a história deste estado.   

*José Wenceslau de Souza Júnior é presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac/IPF-MT e Sindcomac em Mato Grosso, comerciante há mais de 40 anos. Email: presidencia@fecomerciomt.org.br

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Saúde mental é inegociável

Publicados

em


O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA