Opinião
Minha acolhedora Cuiabá, parabéns!
Opinião
Nos 303 anos da acolhedora Cuiabá, minha mensagem é de otimismo. Sim, temos muito a fazer e avançar, mas vamos comemorar o aniversário de Cuiabá agradecendo os desafios superados. Estamos saindo da pandemia da Covid-19, uma fase triste da história, mas na nossa terra promissora e hospitaleira estamos vencendo à pandemia com a geração de emprego e renda. Sim, vale destacar que Mato Grosso é o segundo estado da União que mais gera emprego, o primeiro é Santa Catarina. Nosso estado é pujante, tem futuro promissor. Acredito nos avanços da industrialização que vamos ter, saindo da produção primária, com certeza aqui na região Metropolitana vamos gerar empregos e muitas oportunidades. Por isso, parabenizo os cuiabanos e mato-grossenses de alma e coração que vivem na cidade do caju, da manga e do pequi, da maria Isabel e do delicioso guaraná ralado. Ah, tem o peixe com maxixe, carne com banana verde, e outras delícias típicas que podem ser apreciadas com uma boa dança de Siriri ou Rasqueado, isso sem falar do Cururu, tradições que fazem de Cuiabá, única, acolhedora. Eu vendi balinhas nas ruas, trabalhei nas feiras livres de Cuiabá, cheguei a deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, graças ao carinho do nosso povo e à essa terra de oportunidades.
Então, desde que assumiu o meu primeiro mandato de deputado estadual, em 2015, trabalho para melhorar a nossa capital. Já apresentei quase 500 indicações mostrando a necessidade de investimentos em todas as áreas, inclusive, para atender também os distritos, são melhorias para Educação, Saúde, Segurança Pública e Infraestrutura. A regularização fundiária tem sido uma das prioridades do meu mandato, para que as famílias recebam o título definitivo de seus imóveis registrados em cartório e sem nenhum custo. Ação muito boa para dar segurança jurídica para os menos favorecidos.
Também temos registrados avanços na Agricultura Familiar, um deles é a força-tarefa para a perfuração de perfuração de poços artesianos nas comunidades. Trabalho que está a todo vapor! Ah, esse setor recebeu investimentos jamais vistos na história, com a entrega de máquinas, equipamentos e insumos, para ajudar os pequenos produtores rurais a viverem melhor.
Então, são por essas e outras conquistas que seguimos firmes no caminho do desenvolvimento. Tudo para deixar a nossa Cuiabá ainda mais aconchegante e promissora.
Um abraço fraterno e que Deus abençoe o povo cuiabano.
Parabéns, Cuiabá!
*Eduardo Botelho é presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual pelo União Brasil e natural de Nossa Senhora do Livramento, famoso papa-bananas.
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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