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Abril Roxo: Você sabe o que é adenomiose?

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Foto: Sandra Carvalho/Assessoria

Estamos no Abril Roxo, uma campanha que visa despertar a atenção das mulheres para o diagnóstico precoce e o tratamento da Adenomiose, problema ginecológico que pode acometer uma em cada dez mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, estima-se que 150.000 novos casos sejam registrados anualmente. Ela ocorre quando existe a presença de tecido semelhante ao endométrio na camada muscular do  útero – o miométrio.

A adenomiose é uma doença que provoca uma concentração na parede uterina causando dores, sangramentos ou cólicas fortes, especialmente durante a menstruação, inchaço na barriga, dores durante a relação sexual, aumento da quantidade e duração do fluxo menstrual, prisão de ventre e dor ao evacuar.

Em muitos casos, a doença não apresenta sintomas, o que dificulta a sua identificação e faz com que muitas nem saibam da existência do problema.

O surgimento da doença pode acontecer com 2 ou 3 anos após o parto mesmo que a mulher já tenha a enfermidade desde a infância.   Pouco se sabe sobre as causas, mas a doença pode ser resultado de traumas no útero devido a cirurgias ginecológicas, mais de uma gravidez ou a cesarianas, ou seja, partos cesáreas.

A doença pode também ser uma das responsáveis em causar a dismenorreia ou hemorragia uterina anormal, o que é muitas vezes difícil de diagnosticar.

Para diagnosticar a doença, é necessário realizar exames clínicos e exames de imagem, como a ultrassonografia endovaginal, ressonância da pelve ou a histeroscopia, para analisar o interior do útero.

A Adenomiose tem cura, porém nos casos em que o tratamento medicamentoso não controlam os sintomas, é necessária a intervenção cirúrgica para a retirada do útero.

O tratamento mais indicado vai depender da gravidade e outras especificidades de cada caso. Isso, é claro, sempre estando alinhado a bons hábitos de saúde, como a prática de atividades físicas e uma alimentação balanceada.

Se o desconforto for mais simples, anti-inflamatórios e analgésicos já dão conta do recado ou se for mais grave o médico poderá indicar a laparoscopia, cirurgia minimamente invasiva e retirar apenas a lesão que acomete o útero.

Outro procedimento possível é a radiofrequência: por meio da emissão de calor no local, ela destrói os tecidos que estão doentes. Claro, tudo depende de cada caso e do histórico da paciente. É conversando com o especialista que se chega à melhor proposta terapêutica, que também deixará a mulher mais segura.

Dr. Laerte Basso é ginecologista e obstetra em Cuiabá (MT), membro da Sociedade Brasileira de Endometriose e da Sociedade Europeia de Endometriose e Doenças do Útero
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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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