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Os reflexos do uso da máscara na audição

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Para compreendermos a fala, além da integridade de nossas habilidades auditivas como memória ,atenção e compreensão,  dependemos de alguns fatores como: distância entre as pessoas, modo de articulação das palavras, ambiente acústico (em ambientes ruidosos a compreensão da fala é mais difícil), entre outros.

Com o Covid, as máscaras se tornaram obrigatórias e a leitura labial ( um belo instrumento facilitador de compressão da fala) foi pedido… Conversar com pessoas com máscaras torna   ainda mais difícil, pois estamos perdendo pistas auditivas importantes, como expressão facial e movimentos labiais, que usamos para decifrar a fala. Isso para pessoas ouvintes normais…

Isso é fato: parece que todo mundo começou a murmurar ou os alto-falantes da televisão pararam de funcionar corretamente… Pode ser mais perturbador e frustrante, especialmente porque agora é preciso mais esforço para se comunicar de maneira eficaz, mas seu uso é fundamental para nossa saúde.

Conforme estudo publicado pela revista Hearing Review, a máscara comum pode atenuar de 3 a 4 decibéis e a máscara N95, utilizada especialmente por profissionais de saúde, até em 12 dB, abafando o som e tornando a fala ininteligível para algumas pessoas com dificuldade auditiva.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, as pessoas com perda auditiva no Brasil constituem 3,2% da população. E o que muitas pessoas não sabem é que a maior parte dos surdos não foram educados com libras e sua comunicação primária segue a partir de um  aparelho auditivo sempre associado à leitura labial. Assim, a pandemia e o uso obrigatório de máscaras tem se tornado cada vez mais difícil se comunicar e entender o que está sendo dito. E para esse público especial, manter contato com o mundo exterior tem sido cada vez mais difícil devido às condições do Covid 19.

E como podemos minimizar essas dificuldades?

1-      Fale pausadamente;

2-      Articule bem as palavras;

3-      Fale uma pessoa de cada vez;

4-      Abuse da entonação vocal;

5-      Use gestos em sua fala;

6-      Fale preferencialmente em ambientes mais silenciosos;

7-      Fale uma pessoa de cada vez;

8-      Chame a atenção do ouvinte antes de iniciar uma conversa

Tempos difíceis merecem atenção. Fique atento aos sinais de desconforto de pessoas com dificuldades auditivas  ao seu redor e ajude-as.

 

Foto: Sandra Carvalho/Divulgação

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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