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Expansão da rede própria é estratégica para o Sistema Unimed em 2020

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Por Rubens Carlos de oliveira Jr

A Unimed Cuiabá é parte do maior sistema cooperativo de Saúde do mundo. O Sistema Unimed detém 37% do mercado de saúde suplementar do Brasil, com mais de 17 milhões de beneficiários e 115 mil médicos. Com 119 hospitais gerais próprios e 9.296 leitos, a Unimed é segunda maior rede hospitalar do país, ficando atrás apenas das Santas Casas. Esse número se deve a uma estratégia muito clara adotada desde 2018, que vê na verticalização dos serviços um dos caminhos mais seguros para a perenidade do negócio. Somente em 2018, foram investidos R$ 1,052 bilhão na construção e estruturação de recursos próprios no Sistema Unimed.

Como uma das maiores singulares do Sistema, nós, da Unimed Cuiabá, estamos alinhados com as estratégias e atentos às tendências do mercado da Saúde Suplementar. O primeiro passo já foi dado para a aquisição de um laboratório de exames próprio, aprovado em reunião da Diretoria e Conselho de Administração do dia 13 de janeiro.

Antes visto com desconfiança entre parcela dos cooperados, o investimento em recursos próprios tem dado bons resultados frente à concorrência, cada vez mais forte e capitalizada, que avança na compra de redes hospitalares menores em todo o território nacional. Segundo a publicação Panorama Saúde em Números lançando pela Unimed do Brasil neste mês, a rede própria nacional crescerá nos próximos anos com a expansão da estratégia de verticalização do Sistema. A previsão para 2020 é a construção de três novos hospitais, com 372 leitos, e mais um novo hospital, com adição de 266 leitos, em 2021, no Brasil.

Para 2020, ano em que a Unimed Cuiabá completa 45 anos de existência, além de avançar nas discussões sobre os Fundos de Investimentos e encarar com seriedade a estratégia de investimento em recursos próprios, temos como desafio a consolidação do Jeito de Cuidar Unimed, da nossa organização baseada em Compliance e do modelo assistencial de Atenção Personalizada em Saúde (APS) e na medicina preventiva.

O movimento financeiro de concentração de capital na saúde suplementar brasileiro chegou com força em nossa região, por isso temos visto notícias de vendas e negociações de hospitais e laboratórios em Cuiabá. Como uma marca forte, cuiabana, que tem uma presença importante no mercado e no coração da população da capital e região, temos a convicção de que a fidelidade aos princípios cooperativistas é nosso maior diferencial.

Seguimos investindo na melhoria dos nossos serviços e mantemos sempre o foco no melhor cuidado ao cliente, na nossa contribuição ao desenvolvimento da comunidade na qual estamos inseridos e nas boas condições de trabalho aos cooperados, que fazem parte do DNA da Unimed Cuiabá.

Rubens Carlos de Oliveira Junior é médico patologista e presidente da Unimed Cuiabá e da Unimed Federação Mato Grosso.

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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