Opinião
Serviço público, não. É serviço do povo! Não à PEC 32
Opinião
O retorno das atividades do Congresso Nacional nesse início de agosto, impõe um olhar atento de toda população com relação a tramitação da PEC 32, a chamada reforma administrativa. Porém, não se pode chamar a PEC de reforma, pois nenhuma reforma destrói a base estrutural em que se sustenta aquilo que se pretende reformar, seja uma casa, um prédio ou, nesse caso, uma legislação, a CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
Às vezes, quando a imprensa fala em serviço público, parece aos ouvidos de quem ouve o termo, como algo abstrato. Mas NÃO É!. Por isso, a partir deste artigo, só chamarei o serviço público de serviço do povo, e servidor público de servidor do povo! Pois é isso que é e, é isso que somos, servidores do POVO e não dos governos e mandatários de plantão.
Em meio a maior pandemia dos últimos 100 anos, em nenhum momento o serviço do povo parou. Servidores do povo como os professores, se desdobraram para, direto de suas casas simples, darem aulas de forma virtual, gastando energia, cada vez mais cara, internet e, inclusive, seus próprios instrumentos de trabalho como computadores e celulares, pois nem isso os mandatários de plantão, inimigos do povo, garantiram a esses trabalhadores.
Nunca se precisou tanto dos serviços do povo na área de saúde como nessa pandemia. E lá, os médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem do povo, vêm morrendo com a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras e luvas, sendo contaminados e mortos pelo vírus que combatem, para nos salvar aos milhares, aos milhões!. Sabe o técnico de enfermagem, que cuidou de seus familiares quando acometidos pela COVID, que deu banho, fez higiene pessoal, deu comida na boca, carinho?. Pois então, são esses servidores do povo, de nós todos, que estão sendo atacados com essa PEC.
Mas como a PEC 32, esse malfadado projeto de emenda à Constituição Federal, pode afetar e diminuir a ponto de quase eliminar, os serviços do povo, para o povo que dele precisa? É simples, querem que os serviços do povo passem a ser serviços privados, onde algum grupo vai lucrar para fornecer tais serviços, sem qualquer garantia de melhora ou ampliação dos mesmos, mas com a garantia de muitos lucros e corrupção para quem opera tais “empreendimentos”.
A PEC 32, também conhecida como PEC da “rachadinha” e do apadrinhamento, praticamente acaba com a meritocracia, que é o concurso público, concurso do povo. Nada mais meritocrático que o filho da empregada doméstica, concorrer de igual pra igual com filho de um político ou empresário, num concurso público, onde o melhor preparado ganha a vaga numa disputa justa e limpa através de provas iguais para todos. Mas a PEC do apadrinhamento, praticamente acaba com os concursos para preenchimento das vagas abertas no setor público e, abre milhões de vagas que deveriam ser preenchidas por concurso, para indicações políticas, onde o currículo e o preparo, são o que menos importam para “ganhar” essa vaga do “padrinho” político de plantão.
Por fim, quem apoia a PEC 32 é a FAVOR da corrupção. Pois a PEC 32 acaba com a estabilidade do servidor do povo. A estabilidade sofre ataques dos que são favoráveis a corrupção, pois somente um servidor que tem a garantia de NÃO ser demitido sem um processo administrativo justo e com ampla defesa, ou seja, com estabilidade, pode se negar a praticar em nome de um chefe político um ato de corrupção, ou mesmo denunciar esse ato de corrupção, como vimos acontecer com o servidor do povo lotado no Ministério da Saúde que denunciou o esquema de corrupção envolvido na compra da vacina pelo governo federal. Agora imagine se esse servidor fosse indicado sem concurso por esse político que pratica um ato de corrupção? Será que teria autonomia pra denunciar sem risco de demissão?. Claro que não!
Não adianta os vereadores e deputados nas campanhas dizerem que defendem mais saúde, educação e segurança, e apoiarem quem vota ou mesmo votarem no congresso a favor da PEC 32, que acaba com as categorias que cuidam dessas áreas para o povo. Esses votos no congresso serão cobrados dos Deputados Federais e Senadores, e a consequência pode ser não serem reeleitos nunca mais!. O POVO está de olho, pois a PEC 32 acaba com os serviços do povo.
ANTÔNIO WAGNER OLIVEIRA, é Advogado, Servidor do Povo, Secretário Geral do SINPAIG MT, Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros em MT, e membro fundador do Observatório Social de MT.
Foto: Arquivo Pessoal
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
-
Política7 dias atrásGilberto Mello ganha força na reta final e é aposta do PL para a Câmara Federal
-
Polícia5 dias atrásMárcia Pinheiro passa por cirurgia de seis horas e família atualiza estado de saúde
-
Política4 dias atrásTRE-MT informa ausência de denúncias de fake news e destaca ações conjuntas com a ALMT
-
Política7 dias atrásLuiz Sansão declara apoio a Juca do Guaraná e destaca atuação do deputado em Barra do Bugres
-
Entretenimento6 dias atrásClara, filha de Zezé Di Camargo e Graciele surpreende ao escolher doces: ‘Sem açúcar’
-
Política6 dias atrásEmanuelzinho aparece na frente em pesquisa para deputado federal em Cuiabá
-
Esporte6 dias atrásBrasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso
-
Política6 dias atrásAbilio pede desculpas a Erika Hilton após acordo com a PGR por episódio na CPMI

