Mato Grosso
Operação prende 12 pessoas e recupera mais de R$ 2 milhões em defensivos
Mato Grosso
Da Redação
Mais de R$ 2 milhões em defensivos agrícolas foram recuperados pela Polícia Judiciária Civil, na operação “Fim da Linha”, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com objetivo de desarticular o principal grupo criminoso atuante em roubo de agrotóxicos no estado.
A operação, deflagrada na quinta-feira (12.12), visava dar cumprimento a 16 ordens judiciais, entre mandados de prisão e busca e apreensão, em 6 cidades de Mato Grosso, Cuiabá, Primavera do Leste, Poxoréu, Sinop, Sorriso e Lucas do Rio verde.
Durante os trabalhos foi realizada a prisão de 12 pessoas, sendo 6 delas por mandado de prisão, apontados como integrantes do grupo criminoso, e outras 6 em flagrante por crimes de posse ilegal de arma de fogo, munições e receptação de defensivos agrícolas e veículos roubados.
Em toda a investigação, foram apreendidos ainda 13 armas de fogo e mais de 200 munições, além de vários galões de agrotóxico de origem ilícita, totalizando mais de R$ 2 milhões em produtos apreendidos. As cargas foram recuperadas em ações realizadas nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Campo Verde e São José do Rio Claro.
De acordo com o delegado que coordenou as investigações, Frederico Murta, essa é a primeira etapa do trabalho que tinha o objetivo de tirar de circulação o grupo criminoso que executava os roubos de maneira recorrente. “Os trabalhos serão continuados em nova fase, a qual visará a identificação e punição dos receptadores que encomendam e adquirem esses produtos”, disse.
O delegado titular da GCCO, Flávio Henrique Stringueta, explica que os crimes de roubos e furtos de defensivos agrícolas impactam diretamente o estado, uma vez que a força motriz de Mato Grosso é o agronegócio.
“As cobranças de soluções para crimes dessa natureza são grandes, tanto pela sociedade civil, quanto pelo próprio Governo, que também é cobrado, principalmente pelos agricultores. Desta forma, a GCCO colocou como uma das metas intensificar a repressão a esses crimes, que culminou na desarticulação desse grupo, envolvido em pelo menos 11 roubos no estado”, disse o delegado.
A operação contou com o apoio das delegacias de Sinop, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Primavera do Leste e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Investigações
As investigações iniciaram há cerca de um ano, conseguindo desarticular a principal organização criminosa especializada em roubos de defensivos agrícolas no estado de Mato Grosso. Durante os trabalhos, foram identificados os 08 principais integrantes do grupo criminoso responsável por pelo menos 11 roubos realizados no período de um ano.
Por meio de ações de inteligência e análise de dados, a GCCO conseguiu mapear e identificar 11 fazendas situadas em diversos municípios, as quais foram vítimas do mesmo grupo criminoso. De acordo com o delegado, Frederico Murta, que conduziu as investigações, em todos os fatos investigados os criminosos atuavam sempre da mesma maneira.
“Cerca de 10 indivíduos fortemente armados e com uso de coletes balísticos, rendiam e amarravam os moradores e funcionários das fazendas, cortando ainda todo tipo de comunicação. Valendo de muita violência e graves ameaças às vítimas que permaneciam amarradas por horas”, explicou o delegado.
Presos
Entre os presos estão, Fernando Serrando de Souza, conhecido como “Gordão”, Moisés Sales da Silva, o “Magrão”, Reinald Sthephanio Arouca de Moura, o “Rinodê”, Márcio Vieira Dias, conhecido como “Mineiro”, José Carlos Oliveira Duarte, o “Perninha” e Bruna Almeida Silva.
Outros dois integrantes do grupo, identificados como, Johne Ribeiro da Silva, o “John-John” e Cassiano de Lima Camargo, conhecido como “Cara de Arraia”, morreram durante confronto com a Polícia, no mês de outubro, ocasião em que um policial também ficou ferido.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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