Mato Grosso
Peritos apontam cortes em gravação de Temer feita por Joesley
Mato Grosso
Especialistas identificam ‘fragmentações’ no áudio da conversa entre o presidente e o empresário dono da JBS
Da Redação
O perito extrajudicial e judicial Marcelo Carneiro de Souza identificou 14 “fragmentações” na gravação da conversa com o presidente Michel Temer feita pelo empresário dono da JBS Joesley Batista, segundo afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo. Outro especialista, Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, conclui em laudo encomendado pela Folha de S.Paulo que o áudio do diálogo sofreu mais de 50 edições.
Ressalvando ter feito um exame preliminar do arquivo, Souza localizou entre o 14.º minuto e o 34.º minuto (a conversa tem 39 minutos) 14 momentos em que alguma edição pode ter sido feita. “Na despedida dos dois, inclusive, há um corte grotesco, que um amador poderia perceber”, disse ao jornal. Os trechos são todos posteriores à passagem sobre Eduardo Cunha em que o presidente diz ao empresário: “Tem que manter isso, viu?”.
Já o perito consultado pela Folha reconheceu mais de 50 cortes. “É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova”, afirmou ao jornal. Segundo ele, os indícios de manipulação são claros, embora não se possa dizer com que propósito.
Também ouvido, o perito e professor da Unicamp, Ricardo Molina, afirmou que a gravação é de baixa qualidade técnica. Molina não realizou uma perícia formal do arquivo, mas disse ser possível perceber mais de 40 interrupções. “Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber”, afirmou. Ao Estado de S.Paulo, ele também criticou a mudança no nome do arquivo original. “Não é saudável trocar o nome do arquivo justamente para saber de qual gravador saiu”, explicou.
“Gravíssimo”
O advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira disse nesta sexta-feira, que o governo tem “informações seguras” sobre a existência de adulterações e montagens no áudio da conversa, que aconteceu em 7 de março, à noite, no Palácio do Jaburu, em encontro fora da agenda. Amigo do presidente há quarenta anos, Mariz se reuniu com Temer na noite de ontem e nesta sexta, em Brasília, e vai assumir a defesa dele. Uma das estratégias jurídicas, após a delação premiada feita por Joesley, é pedir a perícia da gravação que veio a público. “Soubemos que a fita foi editada e isso é gravíssimo”, afirmou Mariz ao Estado de S.Paulo. “É uma indignidade o que estão fazendo contra o presidente da República e contra o Brasil.”
Questionado se o “corte” de algum trecho da conversa teria sido feito pela Procuradoria-Geral da República, Mariz preferiu a cautela e disse que jamais levantaria suspeitas sem provas. “A perícia vai nos dar indícios tanto sobre a edição quanto sobre a autoria. Quando soubermos, não teremos escrúpulos em denunciar”, declarou o advogado.
Acusações
O áudio da conversa está longe de ser o único problema de Temer, alvo de um inquérito instaurado nesta semana no Supremo Tribunal Federal para apurar as suspeitas de corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa. Entre as muitas acusações feitas por delatores da JBS, estão o relato do ex-diretor Ricardo Saud de que o presidente entregou um bilhete com um endereço onde deveriam ser entregues 1 milhão de reais em dinheiro vivo e de repasses feitos ao deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que teria sido destacado por Temer para cuidar dos assuntos de interesse da empresa no governo.
Fonte: Veja
Mato Grosso
MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA
O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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