Mato Grosso
Imprudência de motoristas eleva em 21% mortes no trânsito em Cuiabá
Mato Grosso
Da Redação
A combinação perigosa de álcool e abuso da velocidade, imprudência comum entre os motoristas, resultou no crescimento de 21,43% de mortes no trânsito em Cuiabá. Dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceac) de Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) registram 34 mortes nos quatro primeiros meses deste ano. No mesmo período do ano passado, 28 pessoas perderam a vida no trânsito.
Contudo, as ocorrências de lesão corporal culposa diminuíram 15,28%, de 733 para 621. Na cidade vizinha, Várzea Grande, as mesmas ocorrências caíram de 203 para 189, o que representa queda de 6,9%. Já o índice de morte permaneceu o mesmo nos dois anos. Dezesseis pessoas vítimas do trânsito.
Neste mês de maio, somente a avenida Beira Rio, houve três acidentes com mortes. No dia do trabalho, 1º de maio, o soldado do Exército, Marcelo Victor da Silva, estava na garupa de uma moto e morreu após o condutor perder o controle e bater contra um poste.
Quatro dias depois, um catador de latinhas, identificado como Ângelo Pedroso de Lima, trafegava pela avenida quando foi atingido por uma SW4 em alta velocidade. Ângelo morreu no pronto-socorro da capital três dias após o atropelamento. O condutor da caminhonete, de 20 anos, não possuí habilitação e apresentava sinais de embriaguez.
O mais recente, no dia 15, Thienes José dos Santos, perdeu o controle de sua motocicleta, invadiu o canteiro central e morreu depois de bater contra uma placa de sinalização. O acidente ocorreu próximo ao Parque de Exposições Jonas Pinheiro.
Para o titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, Christian Cabral, todos os acidentes tiveram relação com a imprudência. “Não podemos considerar a via perigosa ou mal estruturada, mas sim que os condutores aumentam a sua imprudência seja porque abusam da velocidade ou quando estão dirigindo sob efeito de álcool ou droga”, disse.
O delegado ainda alerta que, apesar das mudanças que tornaram as penas mais duras para quem infringe as leis de trânsito, a violência se manteve no mesmo patamar e segundo ele, o número de pessoas mortas em acidentes de trânsito tende a ser maior que no ano anterior.
“Isso tudo nos leva a refletir, os condutores continuam agindo às margens da lei porque ela infelizmente carece de efetividade e eficácia. As pessoas sabem que o risco de serem paradas em uma ação fiscalização por não respeitarem regra de trânsito é mínimo. E se foram paradas, o risco de responder um processo ou serem penalizadas é menor ainda”, explicou.
Christian ressalta que hábitos e culturas precisam ser mudados. “Temos que começar a mudar o nosso conceito. Não basta ter leis com penas e multas altas, temos que ter leis que sejam cumpridas por todos para que possam ter eficácia e permitir que comportamentos e culturas sejam mudados”, finalizou.
Maio Amarelo
O movimento tem objetivo de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. Este ano, o Detran está estimulando as instituições a levarem o debate do tema mais a fundo, viabilizando a reflexão sobre a conduta dos motoristas no trânsito do Estado.
O Departamento realizou no início deste mês um passeio ciclístico pela paz, no qual reuniu 680 pessoas. No dia 09, foi a vez do dia “D” da Educação no Trânsito, o evento foi concentrado na Praça 8 de Abril, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Quem passava pelo local pode tirar dúvidas e receber informações sobre o Movimento Maio Amarelo. Além da capital, municípios do interior do estado também recebem as atividades.
Para o presidente do Detran, Thiago França, apenas estas ações não são suficientes se cada cidadão não fizer a sua parte. “Não basta só a segurança pública fazer a parte dela. Cada pessoa tem que assumir a responsabilidade e ter consciência em relação às leis de trânsito. Esses dados de mortes no trânsito, apesar de não serem bons, servem de alerta para população, para que o nível de conscientização seja elevado e todos nós possamos fazer uma caminhada pela paz no trânsito”, comentou.
Blitz Educativa
O Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário da Polícia Militar (BPMTran) realiza blitzes educativas em diversos pontos da cidade, com intuito de conscientizar o condutor em relação as leis para um trânsito seguro.
A unidade também tem projetos que visam a educação no trânsito como o “Salvando Vidas”, que realiza palestras em escolas e empresas. Além desse, existe o “Amigo da Rodada”, feito em parceria com Detran.
“Os agentes convidam pessoas que estão nas mesas de bares a fazer o teste do etilômetro e quem não está ingerindo substâncias alcoólicas, é escolhido como condutor do grupo e ainda ganha um brinde”, explicou o comandante do batalhão, tenente-coronel PM Esnaldo de Souza.
Lei Seca
Na última operação Lei Seca, realizada na via no dia 28 de abril, 12 condutores foram presos por conduzir veículo sob efeito de álcool, além da apreensão de 33 automóveis. Em 2017 a ação prendeu 128 pessoas em flagrante em Cuiabá e em Várzea Grande. De janeiro de 2018 ao dia 07 deste mês foram 107 prisões.
A Lei Seca, segundo o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Sesp, Major Rafael Dias Guimarães, ocorre em dias e horários estratégicos. “Nós selecionamos as vias e horários que os fatos estão ocorrendo e em cima disso, é feito um planejamento para a realização da operação”, explicou.
A operação é feita de forma integrada entre Polícia Militar (PM-MT) por meio do Batalhão de Trânsito, Polícia Judiciária Civil (PJC) por meio da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), Corpo de Bombeiros, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob).
Mato Grosso
Júri condena trio a mais de 68 anos pela morte de Zampieri
Após três dias de julgamento e a análise de um processo com mais de 55 mil páginas, o Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá condenou três acusados de serem executores e intermediários da morte do advogado Roberto Zampieri. As penas somadas alcançam 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão. Antônio Gomes da Silva foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, Hedilerson Fialho Martins Barbosa a 25 anos de reclusão e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas a 21 anos, 10 meses e 15 dias. A decisão foi proferida às 00h49 da madrugada desta sexta-feira (2), ao término dos debates entre acusação e defesa e da deliberação dos jurados.Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), além do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).Ao longo de três dias de julgamento, jurados acompanharam depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus, exposição de provas e sustentações orais das partes.No primeiro dia de julgamento, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, responsáveis por etapas da investigação, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. As oitivas abordaram a dinâmica da execução do crime, o papel atribuído a cada acusado e os elementos reunidos durante a apuração.O segundo dia foi dedicado aos interrogatórios dos réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Já no terceiro dia, acusação e defesa apresentaram seus argumentos finais aos jurados. Durante a réplica, os promotores de Justiça reforçaram provas que, segundo a acusação, demonstraram a participação dos três condenados na execução do homicídio. Entre os elementos destacados esteve o rastreamento da movimentação financeira relacionada ao crime. Conforme sustentado pelo Ministério Público, ficou comprovado o pagamento de R$ 124.250,00 antes da execução e outros R$ 60 mil após o homicídio. Segundo a acusação, os valores tiveram origem nos recursos pagos pelos apontados mandantes do crime.Também foi destacado durante os debates que, ao longo das investigações, surgiram elementos indicando que Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria solicitado valores entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não entregassem os mandantes às autoridades.Ao defender a condenação dos acusados, o promotor de Justiça Samuel Frungilo ressaltou a robustez do conjunto probatório reunido ao longo da investigação e da tramitação processual. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins destacou o planejamento empregado para a execução do crime e a gravidade da conduta atribuída aos acusados. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, sustentou.Conforme a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de ter participado da execução do plano criminoso, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondeu à acusação de integrar a empreitada criminosa.Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três réus pelo homicídio de Roberto Zampieri. Os jurados condenaram os acusados e reconheceram todas as qualificadoras apresentadas na denúncia: homicídio cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e com utilização de arma de fogo de uso restrito.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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