Esporte
Brasil estreia com vitória sobre o Chile na fase final da Copa América
Esporte
Mônica, Bia Zaneratto e Thaisinha marcaram no triunfo por 3 a 1, em La Serena
Da Redação
O Brasil teve nesta segunda-feira talvez o seu desafio mais difícil na Copa América Feminina, mas manteve os 100% de aproveitamento na competição. Com ótimo público no Estádio La Portada, em La Serena, a seleção encarou as donas da casa, as chilenas, e venceu por 3 a 1 na abertura da fase final do torneio
Depois de liderar sem dificuldades o Grupo B na primeira fase, a seleção largou na frente no quadrangular final. A equipe soma os mesmos três pontos da Argentina, que surpreendeu a Colômbia também por 3 a 1. Quinta-feira, o duelo será justamente diante das argentinas. Na rodada final, domingo, confronto com as colombianas.
A seleção brasileira começou em cima nesta segunda e quase marcou aos 19 minutos, quando Rafaelle arriscou de fora da área e acertou o travessão. Dois minutos depois, após cobrança de falta na área e desvio na marca no pênalti, novamente a trave impediu o gol. Só que no rebote, Mônica finalizou para a rede.
O ataque brasileiro se beneficiava da ampla vantagem na estatura e seguia levando perigo pelo alto. Aos 25, Marta cobrou falta para a área, Thaisinha ficou com a sobra e cruzou para Bia Zaneratto, que marcou de cabeça. Nove minutos mais tarde, Marta fez grande jogada e encontrou Thaisinha para fazer o terceiro.
O Chile pouco assustava e só levava perigo em chutes de longe. Aos 43, Lara tentou e obrigou Bárbara a fazer uma grande defesa. No segundo tempo, aos 17 minutos, a goleira não alcançou a finalização perfeita de fora da área de López, que diminuiu. Mas ficou nisso.
O campeão e o vice do torneio sul-americano garantirão lugar direto no Mundial de 2019, na França, enquanto o terceiro disputará repescagem contra um representante da Concacaf em busca de outra vaga. A seleção vencedora da Copa América também vai assegurar um posto na Olimpíada de Tóquio, em 2020, e a vice-campeã jogará repescagem contra uma nação da África por uma segunda vaga.
O Brasil faturou o título sul-americano em 1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014 e só não ficou com a taça de campeão em 2006, quando foi surpreendido pela Argentina na decisão realizada na casa da adversária. Com a ida à fase final, a seleção já garantiu vaga nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019.
Fonte: Estadão Conteúdo
Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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