Opinião
Hoje, Jesus Cristo conheceu o mundo…
Opinião
Por: João Carlos de Queiroz
Jesus Cristo veio com o propósito sublime de redimir os homens. Porém, é preciso refletir se nós, seres inferiores, merecemos todo o esforço Dele, Filho do Senhor Supremo, em prol de nossos infinitos deslizes; muitos cometidos em segredo introspectivo, porém consciente.
Desde um tempo longínquo, o homem comete erros medonhos, muitos sob refúgio de pretensos perdões futuros, concedidos por deuses distintos. Opositor, o homem renegou Deus e venerou postes, bovinos, leões e símbolos monstrengos em templos de luxo. Preferiu, cego de fé, perseguir Jesus, impondo-lhe destino de intenso sofrimento e consequente morte; crucificou-o sem o menor sentimento piedoso.
É imperioso que os homens pensem, hoje e sempre, sobre tudo isso que Jesus sofreu em prol deles, e o porquê de ter vindo conhecê-los, convivendo e compreendendo hediondos perfis. Pois perdoou todos com quem encontrou, sempre feliz e positivo, precocemente ciente do seu inglório destino de cordeiro.
E é imperioso que respeitem, sobretudo, quem o concebeu, virgem de luz, mulher que impôs expressivo poder sereno nos tempos em que Ele, Jesus, esteve conosco; tempos em que testemunhou Seu Filho Pródigo conduzir o bem nesse mundo sórdido, denegrido de nobres sentimentos; um rol de longos percursos, no lombo de jumentinhos…
Jesus foi bom político, pois Nos concedeu exemplos preciosos; sobrepôs-se, no seu tempo terrestre, com o eclodir prepotente do império insensível de reis, príncipes e súditos poderosos; vingou, sobre esse poder, Seu esplendor respeitoso, que inebriou orgulhosos e mesmo descrentes…
Pelo muito que fez, Cristo mereceu, no mínimo,que os pérfidos homens desse tempo – mesmo Seus seguidores próximos – o protegessem do sinistro e injusto fim. O inverso disso sucedeu, infelizmente, e o físico do Cristo inocente sucumbiu num crepúsculo cinzento, sob trovões revoltosos; destino imposto por justiceiros inescrupulosos; homens que Ele defendeu e depois perdoou, num último suspiro…
E o mundo revive, hoje, o privilégio de poder ter convivido com Jesus e Seu retorno impreciso, em futuro incerto, pois decepções impedem que Ele regresse. O próprio Deus se decepcionou…
É, pelo visto, o fim dos tempos, de um mundo corroído pelo persistente desejo de seguir por trechos insossos, destituídos de luz, único prognóstico concreto… O Éden interior dos homens se perdeu; isolou-se num desértico inferno, e o Poder terrestre tem sido conduzido por Lúcifer.
FIM
Autoria: João Carlos de Queiroz, mineiro de Montes Claros, jornalista profissional
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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