Esporte
Everton marca na prorrogação, Grêmio derrota Pachuca e está na final do Mundial
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Gaúchos esperam o vencedor entre Real Madrid e Al Jazira, que se enfrentam nesta quarta-feira
Da Redação
Com direito a sufoco, sustos na defesa e clima de Libertadores, o Grêmio conquistou uma vitória apertada sobre o Pachuca, por 1 a 0, nesta terça-feira, na cidade de Al Ain, em sua estreia no Mundial de Clubes da Fifa. O triunfo, com gol somente na prorrogação, levou o time brasileiro à final da competição disputada nos Emirados Árabes Unidos.
O gol salvador foi marcado por Everton, que entrou no segundo tempo da partida, aos 4 minutos da etapa inicial da prorrogação. O suado triunfo teve cara de Libertadores, com faltas duras, catimba de ambos os lados, reclamações contra a arbitragem e muita marcação em campo.
A forte disposição tática das duas equipes deixou a partida travada, com boa movimentação, mas poucas chances reais de gol. Com dificuldades diante do Pachuca, o Grêmio só conseguiu levar perigo em lances de bola parada. A equipe mexicana, liderada pelo japonês Honda (ex-Milan), atacou com mais facilidade, porém não aproveitou suas chances.
Se o primeiro tempo foi marcado pelo clima de Libertadores, o segundo teve muito nervosismo e erros dos dois lados. As oportunidades se alternaram para as duas equipes, que precisaram da prorrogação para balançar as redes. Coube ao Grêmio decidir, em rápida cobrança de lateral de Cortez, que acionou Everton para o gol heroico.
Com a vitória, o time gaúcho agora aguarda pelo Real Madrid. Os bicampeões da Liga dos Campeões vão estrear nesta quarta, contra o Al Jazira, às 15 horas (horário de Brasília). O time espanhol, dos brasileiros Marcelo e Casemiro, é o atual campeão mundial. A final será às 15 horas de sábado, em Abu Dabi.
O JOGO
Com Michel no lugar do machucado Arthur, o Grêmio entrou em campo sem maiores surpresas na equipe. O quarteto formado por Ramiro, Luan, Fernandinho e Lucas Barrios liderava as ações ofensivas, diante do bem postado time mexicano, principalmente no primeiro tempo.
O duelo começou equilibrado, com chances medianas para os dois lados. Fortaleza da defesa gremista na Libertadores, Marcelo Grohe mostrou insegurança nesta estreia no Mundial. Ele saiu mal do gol em lances aéreos e preocupou a torcida gremista presente no estádio.
No ataque, o Grêmio apostava na infiltrações e tabelas que fizeram sucesso na Libertadores. Mas não teve sucesso na etapa inicial. O meio-campo ficava travado na marcação mexicana e não ameaçava nem em contra-ataques.
As melhores oportunidades surgiam somente em lances de bola parada. Aos 16, Edílson bateu falta direto, de longe, e mandou rente ao travessão. Em outra cobrança, Fernandinho arriscou de longe aos 40 e também chutou por cima do gol.
O Pachuca, por sua vez, conseguia entrar com mais facilidade na área e levava maior perigo, sem depender da bola parada. Na melhor oportunidade, Honda investiu na área e só não marcou porque foi bloqueado por Cortez no momento preciso da finalização, aos 45 minutos.
Para o segundo tempo, o Grêmio voltou melhor. Demonstrando maior confiança em campo, passou a atacar de forma mais consistente. Contribuiu também a entrada de Jael no lugar de Barrios. Com esta mudança, o time gaúcho levou perigo aos 14, com Luan, e aos 16, em furada do ataque gremista na pequena área.
O Pachuca, contudo, não deixou por menos e também foi para o ataque. E o jogo ganhou em equilíbrio novamente, com chances para os dois lados. Aos 29, Edílson acertou boa cobrança de falta, de longe, e mandou rente à trave. O time mexicano respondeu com cabeçada de Guzmán, que raspou a trave, aos 35.
Antes do fim do tempo normal, Luan desperdiçou chance incrível na pequena área, aos 42 minutos, ao errar o domínio de bola, que parou nas mãos do goleiro Pérez. O time brasileiro ainda tentou pressão nos minutos finais, sem sucesso.
Na prorrogação, Renato Gaúcho surpreendeu ao trocar Edílson por Léo Moura, na lateral. Mas foi outro jogador que entrou em campo no decorrer do jogo que decidiu em campo. Everton marcou o gol da vitória aos 4 minutos da etapa inicial do tempo extra. Cortez cobrou lateral com rapidez, pela esquerda, e acionou Everton, que entrou na área, cortou para dentro e bateu forte, para as redes.
Nos minutos finais, o Pachuca mal esboçou reação na tentativa de buscar o ataque. Para piorar, Guzmán levou o segundo cartão amarelo e foi expulso de campo. Com um a menos, o time mexicano não teve forças para igualar o placar.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Foto: Abdallah Dalsh/Reuters
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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