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Central de Abastecimento Farmacêutico Municipal: Uma dentre as várias funções da profissão farmacêutica

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O farmacêutico é o profissional de saúde mais próximo da população, ele tem o importante papel de orientar o cidadão sobre questões relacionadas à saúde, incluindo os sintomas, fatores de risco e prevenção de doenças, com um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde.

Contudo, a função do farmacêutico vai além de apenas entregar os medicamentos, de orientar o paciente sobre o uso correto dos medicamentos. Os farmacêuticos prestam outros serviços diretamente à população como a verificação da pressão arterial, aferição de taxas de glicose e de colesterol. Além disso, eles orientam os portadores de doenças, como diabetes, hipertensão arterial.

Esses serviços são prestados sem burocracia, sem fila e sem agendamento. Sendo assim, mostram o quanto o papel do farmacêutico é indispensável na sociedade, agilizando e facilitando vários procedimentos.

Dentre as várias funções desenvolvidas, a responsabilidade técnica e/ou gerência na Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), é de fundamental importância no setor público.

A CAF é o local onde se desenvolvem atividades voltadas para a logística de medicamentos, respeitando as regras básicas de estocagem, manuseio, guarda e empilhamento máximo. Medicamentos são distribuídos da CAF para os hospitais municipais, UPAs, UTI, UBSs, enfim, todas as unidades de saúde do município.

A importância da CAF para um município está diretamente ligada à organização dessa unidade. Ou seja, a distribuição ou remanejamento dos fármacos que, por diminuição de consumo ou mudanças de protocolo, corram o risco de perder a validade, a conferência da entrega de remessas adquiridas por compra ou troca, o controle de lotes para organização adequada nas prateleiras e a confecção e organização de documentação para registro de entrada, saída, estorno e perdas de medicamentos, sempre de acordo com as características físico químicas das composições, em relação à temperatura e umidade, às orientações do fabricante e às determinações regulamentares.  Desta forma, se verifica o giro dos estoques, o consumo médio dos medicamentos padronizados e os estoques mínimos.

Portanto, a organização dos almoxarifados deve ser orientada de modo a cumprir três objetivos principais. Sendo eles: Garantir a correta recepção, conservação e distribuição, dentro de padrões e normas técnicas específicas, manter condições ambientais adequadas para assegurar o rendimento, a produtividade do trabalho, minimizar o risco de erros, possibilitar limpeza, manutenção, dispor de meios materiais e humanos para conseguir os dois objetivos anteriores.

Para alcançar os objetivos, é necessário que o município propicie local de condições adequadas com espaço próprio para oferecer boas condições de armazenamento dentro da logística de atendimento de medicamentos às unidades de saúde, garantindo assim segurança e credibilidade nos serviços prestados.

Frente ao exposto, podemos observar a importância da CAF e de um profissional qualificado, com administração e profissionalismo farmacêutico, dentro dessa unidade evitando perdas, gerando economia ao setor público e promovendo o reconhecimento do profissional farmacêutico.

 *Valeria Gardiano é farmacêutica-bioquímica, pós-graduada em Saúde da Família, especialista em Farmácia Estética, mestranda em Imunologia e Parasitologia e coordenadora de Assistência Farmacêutica no município de Barra do Garças.

 

Foto: Assessoria

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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