Mato Grosso
Delegacia entrega doações para Casa que acolhe pessoas com limitações físicas e cerebrais
Mato Grosso
Da Redação
No Dia do Servidor Público, 28 de outubro, delegados, investigadores e escrivães, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, comemoraram a data servindo o cidadão. Os policiais levaram alimentos, produtos de higiene e limpeza para 25 crianças e adultos com limitações física e cerebral, acolhidos pelas Casas Caminho Redentor, no bairro Nova Esperança, em Cuiabá.
A delegada Luciani Barros disse que ideia surgiu há cerca de 20 dias e logo contagiou toda os servidores da delegacia, que se juntaram e compraram diversos alimentos especiais como leites, mucilon de arroz, farinhas especiais, fraldas, produtos de higiene pessoal e de limpeza para doar a entidade. O sindicato dos Escrivães de Polícia e a Associação dos Delegados também contribuíram com doações.
Neste sábado, os policiais chegaram com os donativos e também prepararam uma festa aos moradores do lar assistencial, com lanche especial e com direito a música e animadores de festa. “Soubemos que tinha essa casa. Isso nos sensibilizou e quisemos fazer deste dia do servidor, algo diferente, mostrando o outro lado da polícia, e ao mesmo tempo prestando serviço à sociedade. As pessoas que estão aqui também são vítimas e precisam de proteção integral. O papel da polícia é esse de proteger as pessoas de todas as formas”, afirmou a delegada.
O conjunto de casas abriga crianças, adolescentes e adultos com deficiência física e mental. Em um das casas, denominada Casa Cuiabana IV, estão cinco crianças de 4 a 10 anos, neuropatas (doenças ou problemas no funcionamento dos nervo), que necessitam de acompanhamento 24 horas e são atendidas por Home Care. As crianças estavam no Lar da Criança, que depois do fechamento foram transferidas para as Casas Redentor.
O lar foi criado em 1986, onde inicialmente eram aceitos crianças normais, mas depois passou a cuidar apenas de pessoas com limitações físicas e cerebrais, em situação de vulnerabilidade e risco perante à família.
Todos os acolhidos moram nas casas, que basicamente sobrevivem de doações, e contam com 19 funcionários registrados em carteira, para todos os cuidados diários com os moradores especiais.
Os voluntários e toda a ajuda, principalmente, financeira, é bem-vinda, afirma a presidente, Soledade Amadeo. “Aqui precisamos de carinho, atenção, alguém que possa ouvi-los e se dedicar a eles. Eles precisam desse acolhimento. A casa não tem horário de visita, exceto a partir das 16 horas quando se recolhem para o banho”, disse.
Quem quiser ser voluntário, ajudar ou visitar, as Casas Caminho Redentor estão localizadas na Avenida Sebastião Gomes Guimarães, nº 873, bairro Nova Esperança, Cuiabá. Os principais alimentos para doações são: são carnes, leites, frutas, mucilon de arroz, produtos de higiene pessoa como escovas de dente, crime dental, aparelho de barbear, produtos de limpeza, fraldas, e outros necessários ao dia a dia dos acolhidos, além de amor e carinho.
Mato Grosso
Painel revela que quase metade dos feminicidas tinha registros policiais
Quase metade dos autores de feminicídios em Mato Grosso tinha antecedentes policiais anteriores quando matou a parceira ou ex-parceira. O dado consta do novo painel sobre autores de feminicídios, implementado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
O painel também evidencia o elevado índice de elucidação dos crimes letais contra mulheres por razões de gênero. Da série histórica de feminicídios do Observatório Caliandra, iniciada em 2019, foram identificados e cadastrados 364 autores diretos e 18 coautores, totalizando 382 autores e coautores na prática dos crimes de feminicídios em Mato Grosso. Em sete casos, a autoria permanece não identificada.
Considerando as autorias, 98% dos feminicídios registrados no período de 2019 a 2026 foram elucidados, com os respectivos casos encaminhados à ação penal para responsabilização dos autores. Durante a tramitação judicial, 10 casos foram desclassificados da tipificação feminicídio para outros crimes, como homicídio e lesão corporal seguida de morte.
O sistema não repete o nome do autor quando há mais de uma vítima no mesmo fato. Dos 382 autores identificados, 48% já possuíam registros policiais anteriores à morte da parceira. Entre eles, 143 tinham de um a três registros criminais anteriores ao feminicídio. Em 67% desses registros, a ocorrência estava relacionada à violência doméstica e familiar.
A faixa etária com maior concentração de autores é a de 30 a 34 anos, com 57 registros, correspondente a 14,69% do total considerado no painel.
Sobre o vínculo com as vítimas de feminicídio, 289 eram companheiros, namorados ou ex-parceiros das vítimas, além de 16 conhecidos com vínculo casual (ou informal) de natureza sexual junto às mulheres.
Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a existência de registros anteriores envolvendo violência, ainda que não necessariamente relacionados à vítima do feminicídio, constitui um dado relevante para a compreensão do histórico de violência e de comportamentos agressivos e controladores que podem anteceder o crime.
“A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores”, avalia a promotora. Esse dado mostra que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela que temos que aprimorar os mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça”, disse.
Segundo a promotora, os registros podem contribuir para uma compreensão mais ampla das trajetórias de violência e para o aperfeiçoamento das estratégias de intervenção antes que a violência evolua para situações mais graves.
“As informações devem ser utilizadas para qualificar as políticas públicas, fortalecer a responsabilização dos autores e ampliar as possibilidades de prevenção da violência contra as mulheres, inclusive por meio do acompanhamento e da atuação sobre situações que apresentem histórico de comportamentos violentos”, destacou.
Entre as ocorrências levantadas estão, principalmente, registros de ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição envolvendo parceiras ou ex-companheiras, além de homicídios, crimes sexuais e patrimoniais.
Para a composição do painel, os registros anteriores foram contabilizados com base na quantidade de boletins de ocorrência associados a cada autor. As ocorrências foram analisadas conforme suas naturezas e agrupadas em três categorias: violência doméstica, crimes sexuais e outros crimes.
O novo painel complementa o dashboard da série histórica de feminicídios do Observatório Caliandra, reunindo informações sobre o perfil dos autores que respondem a ações penais por feminicídio em Mato Grosso. Entre os dados disponibilizados estão idade, cor/raça, grau de escolaridade e registros policiais anteriores.
O cadastro dos autores será atualizado de forma integrada ao acompanhamento dos casos de feminicídio, à medida que novos casos sejam registrados e as investigações avancem na identificação e elucidação das autorias.
A série histórica do Observatório Caliandra contabiliza 377 vítimas de feminicídio, entre os anos de 2019 e 2026. Os autores são cadastrados individualmente junto a cada caso, incluindo os coautores quando há participação de mais de um agente na prática criminosa.
Os painéis do Observatório Caliandra são desenvolvidos pelo Departamento de Tecnologia da Informação do Ministério Público, também responsável pela manutenção técnica dos ambientes e segurança digital do portal.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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