REGIÃO PANTANEIRA
Virginia Mendes entrega 230 cestas básicas a famílias ribeirinhas
A entrega foi feita em parceria com a ação do TJMT, ‘Justiça Comunitária’, coordenada pelo juiz José Antônio Bezerra Filho e apoio do Sesc Pantanal
Política
Neste momento em que ainda enfrentamos a pandemia, grande parte da população brasileira sofre com a fome e passa por várias necessidades, principalmente as famílias que vivem mais afastadas e precisam enfrentar uma difícil logística para conseguirem alimentos entre outros itens de necessidades mais urgentes. Por isso, a primeira-dama do Estado, Virginia Mendes se uniu a ação ‘Justiça Comunitária’, coordenada pelo juiz José Antônio Bezerra Filho, que teve o apoio do Sesc Pantanal.
Através da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, a primeira-dama levou esperança às comunidades ribeirinhas que vivem na região do Pantanal, próximo ao município de Poconé.
Foram entregues 230 cestas básicas, kits de higiene e cobertores através do programa Ser Família Solidário. E através do projeto Justiça Comunitária foram levados roupas e brinquedos para as crianças. O coordenador do projeto do TJMT, juiz José Antônio, mais conhecido como Dr. Tony, avalia que essa parceria é de extrema importância e dá ainda mais força ao trabalho que já vem sendo realizado por eles.


Jana Pessôa
“Essa parceria nos engrandece e nós fortalece muito, somente assim conseguimos chegar ainda mais longe, alcançando cada vez mais as famílias que estão mais distantes e que precisam da nossa ajuda. A união faz a força e eu agradeço muito o apoio do Governo do Estado, muito bem representado aqui na figura da nossa primeira-dama Virginia Mendes”, destacou o magistrado.
Uma das famílias contempladas foi a da dona Domingas de Souza, de 69 anos que agradeceu a entrega das cestas e disse que essa ajuda fará muita diferença na comunidade ribeirinha.


Foto: Jana Pessôa
“Estou muito feliz de vocês terem trazido essas doações para nós, agradeço de coração! Vai fazer a diferença aqui para as nossas famílias, porque a gente passa por muitas dificuldades e essa cesta veio na hora certa”, contou dona Domingas.
“Admiro muito o trabalho que é feito pelo Dr. Tony através do projeto Justiça Comunitária, que atende principalmente as famílias ribeirinhas. Foi uma honra receber o convite dele para formarmos essa parceria tão importante entre Governo do Estado e Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tendo aqui o apoio especial desse lugar lindo que é o Sesc Pantanal. Muito feliz em poder fazer essas entregas as famílias ribeirinhas do Pantanal, pois sabemos as dificuldades que eles enfrentam na logística para conseguirem seus alimentos. E são essas famílias que ajudam a cuidar do nosso lindo Pantanal, são ela que contribuem na preservação do nosso rico bioma, que nesse momento precisa muito do nosso olhar mais atento e de toda população para não o destruir! Agradeço mais uma vez ao Dr. Tony pela parceria e também por todo apoio da esquipe do Sesc Pantanal, em especial ao Paulo Proença, gerente do hotel, a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano e ao Paulo Sérgio, subgerente do local. Toda minha gratidão por esse acolhimento carinhoso!”, disse a primeira-dama Virginia Mendes.


Foto: Jana Pessôa
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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