CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ
Vereador Dr. Luiz Fernando visita interventora da Saúde Pública de Cuiabá
O parlamentar apresentou um requerimento solicitando a criação de uma Comissão Especial de Acompanhamento dos Trabalhos de Intervenção na Saúde de Cuiabá. O documento será avaliado e Plenário na sessão ordinária desta quinta (23)
Política
Com objetivo de encontrar soluções para os problemas da Saúde de Cuiabá, o vereador Dr. Luiz Fernando (Republicanos), esteve no gabinete da interventora de Cuiabá, Danielle Carmona, nesta quarta-feira (22), para se colocar à disposição dela e da sua equipe de trabalho, como médico, vereador e cidadão cuiabano, para juntos somar forças e tentar encontrar uma saída para o caos que a cidade está atravessando.
“Sei que a missão não é fácil, pois há falta de médicos, de medicamentos, as cirurgias eletivas estão paradas desde o mês de outubro do ano passado. Há atrasos de pagamentos de fornecedores e muitos profissionais de Saúde reclamam de não ter recebido plantões extras, prêmio saúde e verbas rescisórias”, disse Luiz Fernando que é médico há mais de 20 anos e tem a Saúde como sua principal bandeira de trabalho na Câmara de Vereadores.
Neste sentido de somar forças para resolver o problema da Saúde, o parlamentar informou para interventora, que apresentou na sessão ordinária da última terça-feira (21) – um requerimento solicitando a criação de uma Comissão Especial de Acompanhamento dos Trabalhos de Intervenção na Saúde de Cuiabá. O documento será avaliado e Plenário na sessão ordinária de amanhã (23).
Esta é a segunda vez que o Governo assume a gestão da pasta. Em dezembro, uma decisão monocrática do desembargador Orlando Perri tirou a Saúde das mãos da Prefeitura. A liminar foi suspensa pela ministra Maria Thereza, presidente do Superior Tribunal de Justiça, que determinou que o julgamento fosse realizado pelo colegiado do TJMT. No último dia 9 de março, maioria dos desembargadores decidiu pela volta da intervenção, com a necessidade de trabalhar ao lado do Tribunal de Contas do Estado. Inclusive, no último dia 13 de fevereiro, Dr. Luiz havia ido pessoalmente ao Tribunal de Contas do Estado (TCEMT) para solicitar uma auditoria em caráter de urgência nas contas da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS), devido os altos indícios de rombo nas finanças da Pasta. No dia 14, o processo foi instaurado pelo conselheiro-presidente José Carlos Novelli e pelo relator das contas da Capital, conselheiro Sérgio Ricardo.
Na opinião de Luiz Fernando não haveria outra saída no momento, senão a retomada da intervenção.

Assessoria de Comunicação do Vereador Dr. Luiz Fernando
Ao final da reunião, a interventora disse que os trabalhos já estão surtindo resultados positivos e que as primeiras medidas já foram tomadas, entre elas, já está sendo providenciada a contratação de médicos para aproximadamente 40 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), das 107 existentes na Capital. Viabilizada a contratação de médicos para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h) e Policlínicas, bem como providenciada a licitação para as compras de medicamentos.
A interventora ainda informou que, justamentehoje, foram reabertos 10 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e que no último final de semana já haviam sido abertas seis vagas para crianças nas UTIs do antigo Pronto-Socorro.
“De acordo com a interventora a abertura de vagas para atender crianças em estado grave está entre as prioridades adotadas por sua equipe. Reforce a ela e ao co-interventor, Hugo Felipe Lima, que eles podem contar com o meu apoio e dos vereadores Demilson Nogueira (Progressitas) e Sangento Joelson (PSB), que também estiveram na visita.
Por MÁRCIA MARTINS / Assessoria de Comunicação do Vereador Dr. Luiz Fernando
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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