INTERVENÇÃO PELO GOVERNO ESTADUAL

Saúde de Cuiabá também no foco das atenções do TCE-MT

TCE-MT amplia debate sobre intervenção na saúde de Cuiabá e reúne diferentes instituições

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Política

Tony Ribeiro/TCE-MT

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) vem ampliando o debate sobre a intervenção na saúde de Cuiabá. O conselheiro Sérgio Ricardo, que coordena a Comissão Especial criada pela instituição para acompanhar o trabalho, se reuniu com representantes  do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT), da Câmara Federal e da Câmara Municipal da Capital  para tratar do assunto.

A Comissão Especial, instituída pelo presidente do TCE-MT, conselheiro José Carlos Novelli, também é formada pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf, que preside a Comissão Permanente de Saúde e Assistência Social (CPSA), e pelo procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Alisson Carvalho de Alencar.

Durante as reuniões, o conselheiro Sérgio Ricardo explicou que o esforço conjunto entre as diferentes esferas visa, além da retomada de atendimentos, a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. “Por meio de suas decisões e encaminhamentos o Tribunal tem orientado todos os entes envolvidos nessa intervenção. A saúde tem que voltar a funcionar, principalmente para aquelas pessoas que mais precisam.  Nós estamos com as portas abertas para toda a classe política e as autoridades em geral diretamente envolvidas no tema, porque é com essa contribuição de todas as partes que os resultados virão.”

O conselheiro reforçou ainda que o objetivo é fazer com que os gestores cumpram com seus compromissos constitucionais e ajam para que todos os setores da administração pública funcionem adequadamente. “Queremos ver as gestões funcionando e resolvendo os problemas de quem está lá na ponta.”

Tony Ribeiro/TCE-MT

Para o titular da Promotoria de Saúde, o promotor de Justiça Milton Matos, sem esta união de esforços, a questão não irá avançar. “A partir do que observamos à frente da promotoria, viemos trazer algumas sugestões de melhorias com relação às estratégias na saúde de Cuiabá, já que o Tribunal tem  não apenas o  papel de acompanhar a intervenção mas também o papel fundamental de fiscalização das contas de toda a gestão pública. É um trabalho que tem tudo a ver com nossa atuação  e creio que vamos avançar muito como órgãos de controle”, disse.

O deputado federal Fábio Garcia, que faz parte da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a intervenção, destacou que as tratativas vêm respeitando a independência dos Poderes. “Para um plano dar certo ele precisa ter um planejamento detalhado  sobre  como operacionalizar as ações,  quem vai executá-las e quando elas serão executadas. Isso tem que ter vim acompanhado de um plano orçamentário e de recursos humanos. Então nós vamos participar ativamente desse processo, contribuindo com o conhecimento sobre saúde pública e sobre a questão orçamentária, principalmente porque parte destes recursos vem do Governo Federal.”

Tony Ribeiro/TCE-MT

Na ocasião, o deputado federal Abílio Brunini, chamou a atenção  para a atuação do TCE-MT  e avaliou que, apesar dos desafios, o setor começou a ser colocado nos eixos. “Não é fácil, são muitos problemas. Pedimos que as UPAs e policlínicas tenham prioridade nesse  processo, assim como as cirurgias eletivas, para podermos fazer funcionar a saúde. Agradecemos ao conselheiro, que foi muito receptivo e tem buscado por  uma solução para a situação”, pontuou.

O vereador Demilson Nogueira, que preside a Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária no parlamento municipal, falou sobre a importância da aproximação com o controle externo. “Foi uma reunião extremamente proveitosa. O que  buscamos aqui foi fortalecer  o trabalho de fiscalização da Câmara. Com as suas ferramentas, o TCE tem muito a nos ensinar. Então, queremos estreitar ainda mais essa interação.”

Tony Ribeiro/TCE-MT

No mesmo sentido se pronunciaram os vereadores Sargento Joelson e Maysa Leão. “O conselheiro nos deu condições para agir melhor a partir de agora. Esta é uma oportunidade para a Câmara ser mais pragmática”, avaliou ele. “Isso demonstra que o Tribunal  está primando

por entregar o melhor para a  população e pelo bom uso do dinheiro público. Essa postura representa a ponte que precisamos fazer entre os poderes para acelerar processos, já que um pode ajudar o outro”, concluiu a parlamentar.

Secretaria de Comunicação/TCE-MT

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Fundo Eleitoral reduz desigualdade entre partidos, mas diferenças internas persistem

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Com a expansão do financiamento público nas campanhas eleitorais entre 2018 e 2022, a desigualdade entre os partidos na distribuição desses recursos diminuiu. A conclusão está no Texto para Discussão 367, do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa do Senado. Apesar disso, o estudo mostra que o movimento não ocorreu da mesma maneira dentro das legendas, onde a distribuição ainda depende dos critérios de cada partido.

O texto é assinado pelo consultor legislativo Clay Souza e Teles. O estudo usou dados de candidaturas, prestações de contas e resultados eleitorais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral para analisar como foram alterados o alcance e a desigualdade dos recursos destinados às candidaturas a deputado federal, estadual e distrital.

De acordo com o consultor, entre 2018 e 2022 a dotação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, cresceu aproximadamente 133%, descontada a inflação. Com isso, houve aumento tanto na cobertura (número de candidaturas que receberam recursos) quanto no valor médio destinado a cada candidato.

Entre os dois pleitos, a cobertura aumentou 49% nas eleições para deputado federal (de 5.517 para 8.255 candidatos) e apenas 4% nas assembleias estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (de 12.110 para 12.592 candidatos). Já o valor médio recebido por candidato financiado cresceu 48% para candidatos a deputado federal e 84% para candidatos aos legislativos estaduais.

Embora os resultados mostrem que a expansão dos fundos públicos foi acompanhada da ampliação do acesso e da redução da desigualdade, o texto aponta que o potencial equalizador foi parcial. A mudança fez com que houvesse a desconcentração entre partidos, especialmente nas eleições para deputado federal, mas não uma distribuição mais homogênea dentro das legendas.

Índice

O estudo utilizou o índice de Theil, que mede a desigualdade na distribuição de recursos.

Para medir separadamente a desigualdade entre os partidos e a desigualdade dentro de cada partido, o índice foi decomposto em um componente interpartidário (entre partidos) e em um componente intrapartidário (dentro dos partidos).

Quanto mais próximo de zero estiver o índice, menor será a desigualdade observada.

Nas eleições para deputado federal, a desigualdade entre partidos caiu de 1,024 em 2018 para 0,507 em 2022 (uma redução de 50,5%). Já o componente intrapartidário diminuiu de 0,589 para 0,508 (uma variação bem menor, de 13,75%).

Além disso, em 2018 o componente interno às legendas representava aproximadamente 36% da desigualdade média entre candidatos à Câmara dos Deputados. No pleito de 2022, os dois componentes se tornaram praticamente equivalentes: o componente intrapartidário chegou a 49,8%.

Critérios internos

O resultado, explica o estudo, não vem do aumento nas diferenças internas, mas sim da diminuição das diferenças entre partidos. “Com efeito, à medida que as diferenças na disponibilidade de recursos públicos entre partidos diminuem, os critérios internos de priorização tornam-se mais relevantes para compreender a desigualdade remanescente”, conclui o texto.

Para o consultor, a persistência de desigualdades intrapartidárias não conduz, por si só, à necessidade de novas restrições à liberdade de decisão dos partidos sobre como distribuir esses recursos, mas indica a necessidade de discutir como é possível compatibilizar essa autonomia com critérios como transparência, objetividade e igualdade de oportunidades para o rateio interno.

Financiamento público

A proibição de doações eleitorais por pessoas jurídicas é resultado de decisão do Supremo Tribunal Federal tomada em 2015 — e foi isso que mudou as bases do financiamento eleitoral no Brasil. Após as eleições de 2016, foi criado o Fundo Eleitoral, que se somou ao já existente Fundo Partidário.

Os recursos desses fundos são distribuídos aos partidos com base na representatividade no Congresso Nacional. Já a distribuição aos candidatos é feita de acordo com os critérios de cada partido, respeitando os percentuais mínimos por gênero e cor/raça.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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