VÁRZEA GRANDE
Rede de Proteção de Várzea Grande é considerada a mais organizada em Mato Grosso
Afirmação é da presidente do Tribunal de Justiça do Estado, a desembargadora Clarice Claudino da Silva, durante audiência pública realizada na Comarca do Fórum Municipal
Política
A Rede de Proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar de Várzea Grande foi apontada como uma das mais bem organizadas e mais bem articuladas no Estado de Mato Grosso. “Seu funcionamento inspira outras tantas”. A afirmação é da presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJMT), a desembargadora Clarice Claudino da Silva, durante audiência pública realizada na Comarca do Fórum Municipal. Na ocasião foram debatidos os “Avanços e Soluções para a não violência contra as mulheres nos municípios de Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento”.
A audiência pública, conforme a magistrada, “é um momento para mostrar o que ainda temos de fazer”, mas também de levar ao conhecimento público o grande e magnífico trabalho desenvolvido pela Rede de Proteção do Município e que é digno de elogio. “É claro também, que vamos nos debruçar em várias nuances do tema, mas os avanços são os primeiros passos desta audiência pública. Vivemos dias em que parece incompatível nós pensarmos em quanto o ser humano evoluiu no campo da tecnologia, no campo da ciência como um todo, mas no campo da humanidade, propriamente dita, ainda estamos em um déficit que causa uma dolorosa sensação de que a algo muito sério e que precisa ser despertado no ser humano: a sua humanidade tão esquecida. Eu acredito firmemente que esses espaços de discussão e de amostra do que já está dando certo, é de grande valia”.
A primeira-dama de Várzea Grande e promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, disse que a Rede de Enfrentamento já está sim muito bem estruturada e isso se deve aos autores dessa Rede, os que passaram e aqueles que a compõem atualmente. “Esse destaque que a Rede várzea-grandense tem no Estado de Mato Grosso se deve ao fato de que todos os parceiros não querem assumir o protagonismo, todos estão no mesmo nível e entendem verdadeiramente o significado de trabalhar em Rede. A Rede de Proteção de Várzea Grande sempre foi modelo e case de sucesso no Estado de Mato Grosso e isso nos orgulha muito”.
Kika Dorilêo lembrou que quando o prefeito Kalil Baracat assumiu a gestão, lhe fez um pedido como esposa, que as mulheres vítimas de violência doméstica fossem olhadas com muita dignidade no município de Várzea Grande. “Por também ter atuado por muitos anos em Varas de Violência Doméstica e Familiar eu sei que aquela mulher está arrasada fisicamente, psicologicamente, emocionalmente, e é por isso que começou uma articulação do meu esposo junto à Assembleia Legislativa, com auxílio da vereadora Eucaris Arruda, e através de uma emenda da deputada Janaína Riva, para conseguirmos recursos para que a casa de amparo aqui existente seja mudada e brevemente ela estará operando em um novo endereço. Essa emenda já foi autorizada e está em trâmites de transferência ao Município para aquisição de uma nova casa, onde teremos mais espaço, comodidade e a mulher será olhada com muita dignidade”.

SECOM VG
A primeira-dama anunciou ainda que no mês de maio o prefeito Kalil Baracat inaugura uma casa onde todas as políticas públicas destinadas à mulher estarão ali reunidas. “Por acreditar no trabalho em Rede e por acreditar que assim devemos seguir, todas as instituições estão de mãos dadas para que a gente possa entregar ao destinatário final, que é o nosso cidadão, um trabalho de qualidade, é que essa casa também funcionará em Rede. Ela será uma integrante da secretaria de Assistência Social, da Educação e da Saúde, onde todas as políticas para a mulher serão desenvolvidas. O nosso foco serão os cursos de capacitação porque queremos qualificar as mulheres para que elas possam romper efetivamente o ciclo de violência doméstica. Um dos cursos que serão oferecidos no local será o de defesa pessoal, porque a mulher precisa também aprender a se defender”.
O juiz de direito da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, da comarca de Várzea Grande, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, que presidiu a audiência, agradeceu a participação de todos os presentes e disse que na audiência pública a palavra muito em moda, a democracia, seria exercitada. “Aos estudiosos do Direito Constitucional entendem que a democracia é feita de três pilares: de votos, quando o povo elege seus representantes, de Direito quando o povo exercita seus direitos em todos os âmbitos, e de razões que é justamente o que estamos fazendo aqui. Razões que vem de discussões e de dirigidas ao Parlamento, seja ele municipal, estadual ou federal. E nós estamos muito felizes aqui porque registramos a presença de vários vereadores e de três deputados estaduais para exercitarmos então a democracia e falarmos dos direitos da mulher, principalmente, do direito à igualdade”.

SECOM VG
O juiz Jorge Luiz também fez um breve relato dos avanços do período em que a comunidade de Várzea Grande e de Nossa Senhora do Livramento começou a olhar para essa temática, que em seu conceito é uma chaga que fere a alma humana, com referência às datas de criação da Rede de Proteção à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar, bem como a implantação da Patrulha Maria da Penha, que tem se mostrado atuante e que reforça a Rede de Proteção.
A coordenadora do Programa SER Mulher, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, destacou a amplitude da audiência pública realizada no Fórum, que não se limita apenas às cidades de Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento, mas para complexos também fora do Estado de Mato Grosso. “O Ser Mulher está atento a todos os movimentos e tem buscado desde o início capacitar, porque é através da educação que vamos poder mudar esse espírito violento e que nós percebemos. Temos feito capacitação com militares, com grupos reflexivos e com a Rede, e em todos os municípios do Estado de Mato Grosso. O que nós precisamos é envolver a sociedade nessa discussão. Precisamos ir para as escolas, e que de fato estamos indo, a exemplo do Ministério Público e da Assembleia Legislativa. Estamos buscando meios para avançar ainda mais neste propósito que é, se não sanar, diminuir de forma drástica a violência contra a mulher”.
Todos foram unânimes na proposta de que sejam aplicados nas escolas programas voltados à orientação de crianças e adolescente no sentido de respeitar ao próximo, em especial, ao sexo feminino. Todas as propostas e sugestões apontadas durante a audiência pública estarão contidas na ata circunstanciada, que estará fixada no portal eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, num prazo de até 10 dias.
SECOM VG
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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