NAÇÃO INDÍGENA

Primeira-dama Virginia Mendes participa de ritual Kuarup

Ritual foi em homenagem ao cacique Aritana

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Política

Foto: Jana Pessoa - Secom-MT

A primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, participou no último sábado (11.09) do ritual indígena Kuarup, em homenagem ao cacique Aritana Yawalapiti, grande líder indígena que faleceu em agosto de 2020 vítima da Covid-19.

O ritual, realizado na Aldeia Yawalapiti, no Alto Xingu, mantém viva a cultura e a tradição de diversas etnias do Xingu.

Junto ao cacique Raoni, líder do Baixo Xingu, Aritana ganhou projeção pelo seu engajamento na defesa dos direitos dos povos indígenas. Cacique desde os 19 anos, assumiu a liderança do Alto Xngu nos anos 80 e se notabilizou pela campanha de preservação das terras da região. 

O evento foi promovido pelos indígenas da aldeia Yawalapiti, mas recebeu várias etnias da região do Xingu. O Kuarup é um ritual que acontece sempre um ano após a morte dos parentes indígenas. São colocados troncos de madeira no centro do pátio da aldeia, com a pintura e os adereços que representam o homenageado falecido. Em torno deles, as famílias realizam várias homenagens.

Foto por: Jana Pessoa

É a primeira vez na história de Mato Grosso que o evento Kuarup recebe apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer. Todo suporte se deu por meio da Prefeitura de Querência, que ajudou na logística das pessoas até a aldeia e na compra de alimentos, entre outros materiais necessários na realização do ritual. Também foram entregues 400 cestas básicas e cobertores que serão distribuídos pela Prefeitura de Querência as aldeias do Alto Xingu.

A primeira-dama Virginia Mendes participou do evento representando o Governo de Mato Grosso, a convite do filho do cacique Aritana, seu sucessor cacique Tapí Yawalapiti.

Virginia Mendes foi recepcionada com muito carinho e emoção pelos familiares do homenageado e conheceu um pouco mais sobre o ritual que é reconhecido nacionalmente e internacionalmente, pois recebe turistas de todos os lugares do mundo que vêm para participar desse grande evento indígena.

Foto: Jana Pessoa

“É um ritual muito sagrado, onde recebemos aproximadamente 1.000 pessoas para participar desse evento, principalmente pela importância do meu pai cacique Aritana que foi grande porta voz do Xingu. Eu fico muito feliz em receber a primeira-dama, agradeço ao governador Mauro Mendes pelo apoio que ele nos deu com recursos financeiros para que pudéssemos atender toda demanda do Kaurup. Ver todo esse resultado aqui hoje deixa o nosso povo muito feliz e isso é muito importante para mim”, agradeceu o cacique Tapí Yawalapiti.

A primeira-dama Virginia Mendes estava acompanhada da secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania, Rosamaria Carvalho, do prefeito de Querência, Fernando Gorgin e do superintendente de Assuntos Indígenas do Estado, Agnaldo Santos.

Na ocasião, a primeira-dama também entregou materiais de confecção para as mulheres indígenas. Ela também foi presenteada com artesanatos pelos indígenas e prefeito de Querência.

“Estou muito honrada de poder estar aqui nessa grande festividade indígena, ainda mais homenageando o grande líder, cacique Aritana que lutou bravamente pelos direitos do seu povo. Agradeço imensamente pelo convite do cacique Tapí, filho de Aritana, que me recebeu com muito carinho e a todos os xinguanos que me acolheram neste evento. Nosso Estado é riquíssimo de cultura, e esse evento nos mostra isso! Por isso eles recebem hoje aqui muitos turistas de vários lugares do Brasil e também do mundo, já vimos aqui hoje franceses e ingleses que vieram ao nosso Estado especialmente para conhecer esse ritual indígena. Me sinto orgulhosa da nossa terra”, disse a primeira-dama de Mato Grosso.

Também esteve presente para participar do evento no Alto Xingu o presidente da Funai, Marcelo Xavier que ressaltou a importância dos governos federal, estadual e municipal estarem unidos pela defesa dos povos indígenas. “Essa sinergia entre União, Estado e município é essencial para o sucesso dos indígenas e para levar a dignidade para as aldeias. É de extrema importância a presença do Estado, sendo representado aqui hoje pela primeira-dama Virginia Mendes. Espero que isso aqui sirva de exemplo para as outras unidades da Federação”, finalizou o presidente da Funai.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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