CUIABÁ
Presidente Chico 2000 realiza replantio de Pau-Brasil na Câmara
Replantio decorre de parceria com Rotary Club e ABROL-MT
Política
A Câmara Municipal de Cuiabá realizou na tarde desta segunda-feira (27), um evento em parceria com o Rotery Club de Cuiabá e com a Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção de Mato Grosso (ABROL-MT), que teve por objetivo o replantio de uma muda de Pau-Brasil no pátio frontal da sede do Legislativo Municipal.
O momento foi coordenado pelo Presidente da Câmara, Chico 2000, e contou com as ilustres presenças do Presidente da Academia Brasileira Rotária de Letras de Mato Grosso, Coronel Paulo Wolkmer, do ex-governador do Rotary Club Distrito 4440, Serafim Carvalho Melo, dos acadêmicos Leôncio Pinheiro e Gilce Costa, e do atual Presidente do Rotary Club de Cuiabá, Adilson Costa.
O evento é um importante reforço do comprometimento da Câmara Municipal não somente com o meio ambiente, mas com a preservação da cultura brasileira.
Em entrevista, o Coronel Paulo Wolkmer explica um pouco melhor sobre a história do plantio de Pau-Brasil na cidade de Cuiabá. “Essa muda foi plantada a primeira vez em 1990, pela mais alta autoridade de Rotery Mundial que nós temos, um brasileiro naquela ocasião, chamado Paulo Viriato Pereira da Costa. Ele esteve em Cuiabá no final daquele ano e aqui, então sede do Legislativo Estadual, ele e sua comitiva plantaram uma muda de Pau-Brasil”, relatou Wolkmer.
Presidente da ABROL-MT, Paulo reforçou ainda que esse momento tão especial representa a vontade da sociedade de recuperar e resgatar a história do verde aqui, na cidade verde.
Para Serafim Carvalho Melo, um dos ex-governadores do Rotary Club, é essencial que a população conheça de a história da planta que nomeia a nação, que por meio de ações como a de hoje, as pessoas possam entender melhor sobre o contexto histórico que banha o Brasil.
“Nós não conhecemos a árvore Pau-Brasil. Poucas pessoas conhecem a árvore que deu nome ao nosso país. Então nós estamos estudando a possibilidade de fazer um projeto de produção de mudas de Pau-Brasil para distribuir aos Rotary Club’s de Mato-Grosso, para plantar, por exemplo, em aniversários do clube, aniversário da cidade, qualquer evento”, afirmou Serafim.
Da mesma forma em que pontuou a relevância do evento, Serafim também agradeceu a hospitalidade oferecida pelo Presidente Chico 2000, na tarde desta segunda.
“Acho que isso aqui, esse momento é muito importante para nós do Rotery Club de Cuiabá, para a Academia Brasileira de Letras Seção de Mato Grosso, para resgatar esse fato histórico. Nós estamos muito agradecidos ao Presidente da Câmara, por ter nos recepcionado e acatado essa sugestão de nós resgatarmos esse plantio dessa árvore, dessa muda de Pau-Brasil aqui”, finalizou.

SECOM/CÂMARA DE CUIABÁ
Por fim, o Presidente Chico 2000 também se pronunciou de maneira positiva sobre o evento realizado no pátio da Câmara. O parlamentar reafirmou a importância do ato e se colocou a disposição do Rotary Club para auxiliar no que for necessário em seu trabalho.
“Nós estabelecemos esse plantio como uma forma de esperança em razão de um momento difícil que a nossa cidade está passando, e esta árvore, eu tenho certeza que veio para restaurar tudo isso. Vem para fazer com que a gente atravesse essa fase difícil e tenhamos aí a saúde restabelecida na nossa cidade. É importante também recebermos todas as pessoas dirigentes do Rotary que são extremamente importantes, fazem um trabalho muito bom na nossa cidade e nós deixamos as portas da Câmara abertas sempre para ajudá-los”, declarou o Presidente.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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