DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Preservação ambiental é tema de projetos e iniciativas da ALMT

Sob o tema “soluções para a poluição plástica”, a edição de 2023 marca o 50º aniversário do Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, celebrada anualmente desde 1973, foi instituída pela ONU em 1972.

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Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

Comemorado anualmente em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é um chamamento para governos, organizações e sociedade civil a se unirem para encontrar soluções aos desafios relacionados à preservação ambiental.

Diante dos ecossistemas cada vez mais comprometidos e os recursos naturais mais escassos, os problemas ambientais são temas de amplos debates na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para elaboração de normas e projetos que garantam o equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e um desenvolvimento sustentável para  único estado do Brasil a ter, sozinho, três dos principais biomas do país: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

No dia 29 de maio, a ALMT instalou a Câmara Setorial Temática (CST) das Mudanças Climáticas, que trabalhará durante seis meses em busca de soluções legislativas para que a conservação ambiental caminhe lado a lado com o setor produtivo. Mato Grosso é o maior produtor de grãos e de carne bovina no País, porém também é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa per capita do ano.

O presidente da CST da Mudança Climática, deputado estadual Júlio Campos (União), destacou a importância de Mato Grosso assumir seu papel na discussão mundial sobre política ambiental e sobre as mudanças climáticas que vêm ocorrendo. “As mudanças climáticas trazem inúmeras consequências, não apenas para o ser humano, para a economia e para o Estado de Mato Grosso, que é um grande produtor de alimentos. Esta Câmara será constituída por vários técnicos, pesquisadores e ao final pretendemos apresentar um relatório sobre o que pode ser feito, quais leis já existem e o que pode mudar com relação à legislação para reforçar a ação da Sema e dos órgãos e ONGs que atuam no estado”.

Rios e pesca – A preocupação com os recursos hídricos e a exploração da pesca são temas que têm pautado as reuniões da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais da Assembleia nos primeiros meses deste ano e garantiram a aprovação de leis. Como é o caso da Lei n° 12.026/2023, de autoria do deputado Eduardo Botelho (União Brasil), que prevê o cadastramento, monitoramento e recuperação de nascentes, matas ciliares e o entorno do rio Cuiabá.

De acordo com o parlamentar, em sua justificativa apresentada junto ao projeto, a matéria tem como objetivo estabelecer critérios para ações que visem a despoluição do rio, a socialização de seu uso e a manutenção da relação histórica das populações ribeirinhas que vivem e sobrevivem da exploração de recursos naturais.

Também foi aprovada em primeira votação no dia 2 de junho o Projeto de Lei 1363/2023, mensagem governamental, que acrescenta e altera dispositivos à Lei nº 9.096, de 16 de janeiro de 2009, que dispõe sobre a Política da Pesca no Estado de Mato Grosso. O PL prevê que, a partir de 1º de janeiro de 2024, o transporte, armazenamento e comercialização do pescado fiquem proibidos em todos os rios de Mato Grosso. Por cinco anos será permitido a modalidade pesque e solte, assim como a pesca de subsistência.

Na justificativa do projeto, o governo informou que a medida é necessária por causa da redução dos estoques pesqueiros, o que coloca em risco várias espécies nativas no estado.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALMT, deputado Carlos Avallone (PSDB) deu parecer favorável para que o projeto fosse votado. “Nós temos um movimento de estados como Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins que já estão de alguma forma fazendo uma proibição do transporte. Então essa é uma discussão que está tendo no país, em vários estados e está tendo aqui também”, explicou.

A matéria tramita em regime de urgência e é considerada polêmica principalmente no que tange aos pescadores profissionais e artesanais que se sentem prejudicados economicamente. O PL do governo estabelece o pagamento de auxílio financeiro por três anos aos pescadores artesanais de Mato Grosso. No primeiro ano, será pago um salário mínimo; no segundo ano, metade de um salário mínimo e no terceiro, 25% de um salário mínimo.

O presidente defende a continuidade da discussão para aprimoramento da norma e já adiantou que a comissão pretende realizar uma audiência pública nos próximos dias para ouvir todas as partes envolvidas. “O texto que está sendo votado agora não é o definitivo e já tem diversas propostas de alterações e emendas que estão sendo discutidas”, adiantou.

Outra alteração de lei em debate está o Projeto de Lei nº 207/2023, de iniciativa do deputado Wilson Santos (PSD) que propõe mudar o período de defeso estabelecido pelo Conselho Estadual de Pesca (Cepesca) no estado, que hoje vai de 2 de outubro a 1º de fevereiro, para 1° de novembro a 28 de fevereiro. A ideia segundo a justificativa apresentada junto ao texto, é acompanhar o calendário praticado no restante do país.

Para entender melhor o impacto da alteração a comissão ouviu, no mês de maio, dia 16, o presidente do Conselho Estadual de Pesca (Cepesca) e secretário executivo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Alex Marega. Ele defendeu que o calendário atual segue estudos e pesquisas técnicas para garantir o resguardo da reprodução dos peixes. O presidente defendeu o debate e adiantou que vai pedir estudos mais detalhados para que a decisão seja técnica.

No segundo mandato à frente da comissão, Avallone ressalta importância dos trabalhos e das discussões realizadas no colegiado para definição de políticas ambientais que caminhe junto com o desenvolvimento do estado.

Segundo ele, a Comissão de Meio Ambiente além da apreciação das matérias, mantém um trabalho de acompanhamento da aplicação das leis e fiscalização de projetos como o monitoramento para identificar problemas e agilizar soluções de prevenção e combate a incêndios no pantanal. O trabalho é uma parceria com o governo através da Secretaria de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros, sindicatos rurais e entidades, e visa evitar novas catástrofes ambientais. “As ações desenvolvidas nos últimos dois anos para evitar a ocorrência de incêndios de grandes proporções, como as registradas em 2020, já se mostram muito eficazes e contribuem na restauração e conservação da vegetação”, avaliou.

Avallone destacou que a comissão de meio ambiente é uma das mais demandadas atualmente. Para os próximos meses a expectativa, segundo ele, é aprofundar as discussões sobre o projeto de lei na Câmara Federal que propõe a exclusão do estado de Mato Grosso da Amazônia Legal, além da questão da Lei do Pantanal e a criação do Parque Ricardo Franco.

Dia Mundial do Meio Ambiente – Sob o tema “soluções para a poluição plástica”, a edição de 2023 marca o 50º aniversário do Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, celebrada anualmente desde 1973, foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, na conferência de Estocolmo. Este ano, o anfitrião da comemoração é a República da Costa do Marfim, em parceria com os Países Baixos.

Segundo a ONU, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano, metade das quais de uso único. Desse total, menos de 10% é reciclado. Estima-se que 20 milhões de toneladas acabam em lagos, rios e mares.

O Brasil é um dos países que mais produz lixo plástico no mundo e o que menos recicla. São 11 toneladas por ano. Cada brasileiro produz um quilo de lixo plástico por semana. Os dados fazem parte do relatório da organização não governamental WWF – Fundo Mundial para a Natureza.

A poluição plástica pode ser reduzida em 80% até 2040 se os países, empresas e sociedade fizerem mudanças profundas nas políticas, no mercado e no consumo usando tecnologias já existentes. É o que aponta o relatório mais recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).


Secretaria de Comunicação Social

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Câmara Temática da ALMT amplia debate sobre direitos e desafios dos povos indígenas de MT

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A construção de políticas públicas que respeitem a diversidade dos 46 povos indígenas de Mato Grosso e respondam às necessidades de cada território é o eixo de trabalho da Câmara Setorial Temática (CSTT) Indígena da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que realizou nesta quinta-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A iniciativa busca integrar diferentes áreas, identificar demandas e formular propostas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades originárias.

Requerida pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), a Câmara tem como objetivos promover o diálogo institucional, acompanhar políticas públicas e encaminhar propostas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Durante a reunião, foram apresentados os integrantes e as finalidades da estrutura, além de discutidos desafios que exigem atuação conjunta do poder público e das próprias comunidades.

Presidente da Câmara, Paloma Velozo explicou que a iniciativa amplia o trabalho anteriormente desenvolvido pela Câmara de Saúde Indígena, diante da necessidade de contemplar outras demandas apresentadas pelos povos originários, incluindo a elaboração de projetos de lei e encaminhamentos institucionais.

“Os povos originários hoje, por estarem nos territórios, têm uma carência muito grande de informação. Essa nova Câmara vem fazendo uma união com todos os eixos para desenvolvermos uma metodologia de trabalho que possa trazer um resultado mais preciso para os territórios”, afirmou.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

Entre as prioridades apontadas por Paloma estão os desafios relacionados à saúde mental de adolescentes e jovens indígenas, especialmente os casos de suicídio. Segundo ela, a Câmara pretende dialogar com a área da educação para buscar mecanismos de apoio aos estudantes, sobretudo em momentos de transição na trajetória escolar. Ela destacou inclusive, a importância de dar continuidade ao projeto MT Mais Indígena, desenvolvido anteriormente, e de incorporar novas ações que contribuam para o fortalecimento das políticas públicas destinadas aos povos originários.

Proteção às mulheres e garantia de direitos – A atuação articulada entre as instituições também é fundamental para dar visibilidade a problemas que atingem as comunidades indígenas e, muitas vezes, permanecem pouco conhecidos fora dos territórios. A procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Elisamara Portela, chamou a atenção para as diferenças entre as etnias, as dificuldades de acesso à saúde, as barreiras linguísticas e a violência doméstica contra mulheres indígenas.

“Uma invisibilidade histórica, uma invisibilidade estrutural” foi a expressão utilizada pela procuradora para descrever parte dos desafios identificados no trabalho de aproximação com essa realidade. Ela também mencionou questões relacionadas à saúde mental, ao uso de álcool e outras substâncias e à autolesão entre jovens, que precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas.

Elisamara ressaltou que a divulgação de informações sobre direitos é essencial para que as mulheres saibam onde buscar ajuda e reconheçam as situações de violência. Segundo ela, o Ministério Público Estadual atua na defesa de direitos individuais, inclusive nos casos de violência física, psicológica e patrimonial, com aplicação da legislação pertinente.

A procuradora alertou ainda para a importância de identificar e combater práticas criminosas, sem naturalizar a violência sob o argumento de costumes ou tradições. A garantia de direitos, nesse sentido, deve caminhar junto com ações de prevenção, orientação e responsabilização.

Autonomia financeira e desenvolvimento nos territórios – A participação das lideranças indígenas é outro componente central para que as propostas discutidas na Assembleia correspondam às realidades de cada povo. Líder da Aldeia Utiariti, integrante do povo Haliti-Paresi e morador de Campo Novo do Parecis, Adylson Waymare avaliou a criação da Câmara como uma oportunidade para ampliar a presença das demandas indígenas no debate institucional.

Para ele, a iniciativa permite discutir temas que vão além da saúde e da educação, incluindo economia, sustentabilidade e condições de vida nos territórios. Adylson defendeu a criação de mecanismos que favoreçam a geração de trabalho e renda, de modo a ampliar a autonomia financeira das comunidades.

” Nós temos que ter mecanismos de trabalho, de projetos a serem desenvolvidos que possam gerar renda e trabalho para nós, indígenas, para que assim possamos viver com qualidade de vida e dignidade dentro dos nossos territórios”, afirmou.

Como exemplo, o líder citou o etnoturismo (que é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas com forte atuação na região de Tangará da Serra e no Chapadão do Parecis. Segundo Adylson Waymare, a atividade reúne valorização cultural, preservação das belezas naturais e geração de renda, com projetos que avançaram em sua estruturação e regulamentação.

etnoturismo desenvolvido pelo povo Haliti-Paresi é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas

Adylson ponderou, porém, que Mato Grosso reúne 46 povos indígenas, cada qual com sua cultura, seu modo de vida e suas necessidades específicas. Por isso, a formulação de políticas públicas deve considerar as particularidades de cada comunidade, garantindo espaço para que as próprias lideranças apresentem prioridades e contribuam para a definição das ações.

A primeira reunião ordinária marca o início de uma agenda de trabalho voltada à articulação entre instituições e comunidades indígenas. A expectativa é que o diálogo contribua para transformar demandas históricas em propostas e encaminhamentos que fortaleçam os direitos, a autonomia e a qualidade de vida dos povos originários de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT



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