Previdência complementar no Município
Prefeito assina e entrega à Câmara projeto de lei
No ato de assinatura do projeto de lei, que contou ainda com a presença da secretária de Gestão, Ellaine Cristina Ferreira Mendes
Política
O prefeito Emanuel Pinheiro assinou e entregou ao líder do governo na Câmara Municipal, vereador Mário Nadaf, o projeto de lei que visa instituir no âmbito do Município o regime de previdência complementar (RPC), voltado para servidores efetivos da Prefeitura e do Legislativo municipal. A solenidade ocorreu na tarde de terça-feira (21), no auditório da Prefeitura de Cuiabá.
“É uma responsabilidade nossa de cuidar da Previdência, daquilo que não pertence a mim, que não pertence a um grupo de pessoas, é o patrimônio, é o futuro dos servidores públicos que precisamos decidir juntos porque lá na frente o servidor precisa ter a certeza de que estará amparado, terá a devolução daquilo que ele lutou e trabalhou a vida inteira de forma a não aniquilar os seus direitos, corroer o seu poder de compra. Que ele possa ao finalizar o ciclo de dedicação ao serviço público, possa saber que a sua casa, a Previdência do Município de Cuiabá vai garantir a ele toda a dignidade, toda a condição, toda a valorização e todo reconhecimento da sociedade cuiabana por uma vida dedicada ao serviço público municipal. É com esse mesmo ímpeto de sensibilidade, de humanização, de lealdade e de parceria com os servidores públicos que eu continuo tomando as decisões sempre ao lado e em conjunto com os servidores públicos”, disse o prefeito.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Juca do Guaraná Filho, que esteve presente na ocasião, afirmou que a previdência complementar é uma forma que o servidor terá de, no futuro, ter uma renda adicional à aposentadoria. “Será uma complementação na sua renda, desde que contribua, e é facultativo ao próprio servidor. A Câmara vai recepcionar o projeto e eu tenho o entendimento de que os pares vão entender que é importante e vamos aprovar para que possamos dar essa opção aos nossos servidores, tanto da Câmara quanto da Prefeitura de Cuiabá, disse o parlamentar.
Reforma humanizada
No ato de assinatura do projeto de lei, que contou ainda com a presença da secretária de Gestão, Ellaine Cristina Ferreira Mendes; da presidente do Conselho Previdenciário do Cuiabá Prev, Neila do Prado; e de representantes de diversas categorias de servidores públicos municipais, Emanuel Pinheiro destacou ainda que a implementação da Previdência complementar é uma determinação da emenda constitucional nº 103/2019 (reforma da previdência), que deve ser adotada por todos os entes federativos até novembro deste ano. “Hoje estamos dando sequência à reforma da previdência. Estava tudo lá na emenda 103 de 2019. Fizemos uma reforma da previdência e Cuiabá talvez tenha sido a única capital do país em que o prefeito entregou para os servidores, os aposentados, os pensionistas e os servidores da ativa para que pudessem escrever aquilo que eu estava sendo obrigado a fazer com relação à reforma da previdência. Todas as categorias participaram, cumprimos o que determinava a Constituição federal sem sacrificar os direitos dos servidores, respeitando os direitos dos servidores”, ressaltou Pinheiro.
O secretário-adjunto de Previdência, Fernando Jorge Mendes de Oliveira, lembrou que, ainda em 2019, quando foi aprovada a Reforma da Previdência, os servidores públicos ficaram temerosos por conta da mudança, mas que o prefeito Emanuel Pinheiro determinou que, em Cuiabá, o impacto fosse o mínimo possível. “Naquela época, sempre conversando com os servidores e com os aposentados, a reforma da previdência 103 é uma das mais severas que já teve na história para nós, servidores públicos, e me lembro muito bem que o prefeito me chamou e perguntou se dava para manter do jeito que estava. Eu falei que existiam normas de aplicabilidade imediata que teríamos que fazer e ele determinou que fosse feito da forma menos traumática para os nossos segurados, principalmente para os aposentados e pensionistas. Então fizemos uma minirreforma que foi até batizada de reforma humanizada. E essa reforma fizemos de forma bem democrática”, contou.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Prefeitura Municipal de Cuiabá (Sispumc), Jaime Metelo, reconheceu a sensibilidade do prefeito Emanuel Pinheiro na condução da reforma previdenciária no âmbito municipal. “Gostaria de dizer que quando começou essa discussão, os servidores estavam com muito temor com essa reforma da previdência, que na verdade acabaria com muitos direitos e prolongaria muito a aposentadoria dos servidores e ainda tirando valores. Eu já estou chegando aos 40 anos de prefeitura, passei por várias gestões e a gente sente que tem um prefeito amigo”, avaliou.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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