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100 mil famílias prejudicadas: deputado Ludio Cabral atrasa prorrogação do SER Família Emergencial

O projeto foi colocado em votação na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (06.07), mas foi adiado por conta do pedido de vistas do parlamentar petista

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Para espanto dos seus pares e da sociedade mato-grossense, o deputado petista Ludio Cabral pediu vistas do projeto de prorrogação do programa social SER Família Emergencial, culminando em atraso da votação da matéria na ALMT. O projeto foi colocado em votação ontem (6), sendo adiado por conta do pedido de vistas de Ludio. Essa ação do petista prejudica mais de 100 mil famílias em Mato Grosso em situação de vulnerabilidade social, em decorrência dos reflexos de desemprego e outros não menos graves, causados pela pandemia.  O SER Família Emergencial – programa do Governo do Estado – fornece auxílio financeiro mensal de R$ 150 a 100 mil famílias carentes de Mato Grosso.

Em decorrência disso, do emperramento causado pelo pedido de vistas de Ludio, há agora total insegurança parte das famílias que têm no SER Família Emergencial uma única fonte de renda para adquirir alimentos básicos, pois não sabem, a partir do emperramento da votação, se sequer vão receber essa ajuda. A maior estranheza, verificada no próprio recinto parlamentar, foi porque o parlamentar petista apregoa ser defensor dos mais necessitados.

A proposta de prorrogação do SER Família Emergencial objetiva estender o auxílio até dezembro de 2022. O programa começou a ser operacionalizado em maio último, parceria entre Governo e ALMT, prevista inicialmente para três meses. Pelo texto do projeto  em tramitação no Parlamento Estadual, enviado pelo governo estadual, o auxílio teria prorrogação de mais dois meses, agosto e setembro, em função de nova parceria com o senador Jayme Campos, no qual o Executivo de MT aportou mais R$ 15 milhões e o senador outros R$ 15 milhões. 

Com base no texto do projeto, a partir de outubro essa ajuda seria bimestral, no valor de R$ 200 reais, patamar que vigoraria até dezembro. Prevê-se também, pelo mesmo projeto, que esse valor possa sofrer reajuste de 50%, caso ocorra maior disponibilidade financeira. 

COMO O SER FAMÍLIA EMERGENCIAL SURGIU

Ser Família Emergencial
Créditos: Josi Dias

Segundo a área de coordenação social desse programa, constatou-se que há dezenas de milhares de famílias em MT sem nada em casa para comer em casa, o que significa fome para adultos e crianças. A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, ao percorrer vários lugares interioranos, ficou estarrecida ao conhecer a realidade de vários lares carentes, onde o maior clamor é por comida, disse. “Difícil aguentar a emoção quando crianças nos olham ansiosas pedindo leite ou pão.  O SER Família Emergencial é um alento mínimo, mas ajuda. O que para muitos é poucos, quase nada, para eles, que nada têm, é o máximo. Como se diz: “Quem tem fome tem pressa”, frisou Virginia.

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Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.

O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.

A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.

Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.

Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.

A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.

Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Critérios para concessão também foram questionados

Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.

Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.

Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.

Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.

A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.

Câmara poderá derrubar veto

Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.

O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.



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