'SE SENTE PREPARADO'
Novo desembargador, autor de ações contra Emanuel, diz que ‘se me sentir apto, não vou fugir’
Considerado de estilo linha dura contra Emanuel, Regenold acumula histórico de ações contra o prefeito.
Política
O novo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Marcos Regenold Fernandes, já se posicionou de forma bem clara de que avaliará a possibilidade de se declarar suspeito em possíveis julgamentos envolvendo o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). A declaração dele foi dada nesta quarta-feira (21), durante a cerimônia de posse dos novos desembargadores do TJMT.
Na Justiça Estadual, ele passa a ocupar uma vaga de desembargador destinada ao Ministério Público pelo critério do Quinto Constitucional, tendo integrado a lista sêxtupla encaminhada pelo MPE ao TJMT e, posteriormente, a lista tríplice elaborada pelo Tribunal de Justiça e encaminhada ao governador Mauro Mendes (UNIÃO), que o escolheu e o nomeou para a função.
Considerado de estilo linha dura contra Emanuel, Regenold acumula histórico de ações contra o prefeito. Em 2021, ele atuou na Operação Capistrum, que resultou no afastamento de Emanuel do comando da administração. Depois, em 2022, integrou o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), resultando, em 2023, no pedido de intervenção na Secretaria Municipal de Saúde da Capital.
Referindo-se a sua atuação nesses casos citados anteriormente, o desembargador foi questionado pela reportagem do Olhar Direto se há possibilidade dele se declarar suspeito em alguma ação envolvendo o prefeito da capital ou a prefeitura. Ele, por sua vez, respondeu que caberá avaliação a cada caso. No entanto, garantiu que se estiver apto, fará seu trabalho.
“Os casos de impedimento e suspeição são expressamente previstos em lei. Se alguma dessas investigações ou dessas ações penais eu tenha efetivamente atuado ao ponto de ocorrer o impedimento, ele vai ser reconhecido naturalmente por mim mesmo. Agora, se eu não tiver impedido e me sentir apto a julgar, não tenha dúvida que eu não vou fugir do meu trabalho como magistrado”, disse.
No fim do ano passado, já nomeado como desembargador, Regenold defendeu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Tribunal de Contas do Estado (TCE), MP e TJ para pôr fim à intervenção do Estado na Saúde de Cuiabá.
À época, ele disse que foi uma medida acertada, que serviu como uma amarração para evitar que gestões “nocivas” praticadas anteriormente sejam retomadas.
Segundo ele, a intervenção só ocorreu porque não houve o cumprimento básico das funções da Secretaria de Saúde de Cuiabá, como a presença de médicos nas unidades e remédios. Ele disse que nas investigações que foram feitas no núcleo do patrimônio público, foi comprovado que havia falta de exames mínimos, como raio-x
“O que se fez foi uma amarração no sentido de evitar a recalcitrância e a retomada daquelas medidas nocivas de gestão que eram praticadas anteriormente”, pontuou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Cultura FM, no dia 21 de dezembro.
Política
Redações do Jovem Senador debatem democracia nas redes
As redações da edição de 2026 do Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros recorreram à literatura, à filosofia, à legislação e à ciência política para discutir os desafios da democracia nas plataformas digitais. Com o tema “Democracia nas redes sociais: como construir um debate saudável”, os estudantes abordaram liberdade de expressão, desinformação, algoritmos e participação cidadã, além de apresentarem propostas para qualificar o debate público na internet.
Segundo o chefe do programa, George Cardim, o concurso estimulou estudantes e escolas a refletirem sobre temas relacionados à democracia e ao uso responsável das redes sociais.
— Em um ano de eleições gerais, a expressiva participação dos estudantes demonstra o interesse das novas gerações em refletir sobre o fortalecimento da democracia e a construção de um ambiente digital mais responsável, plural e respeitoso — afirmou.
Uma das redações selecionadas foi a de Yasmin da Silva Freitas, representante do Acre, que comparou as redes sociais a um jardim em que “cada publicação seria uma semente lançada ao vento — capaz de florescer em consciência ou se perder na intolerância”. A metáfora foi utilizada para refletir sobre o alcance das manifestações na internet e a responsabilidade dos usuários na construção do debate público.
As referências utilizadas pelos estudantes incluem autores, obras e normas jurídicas. O britânico George Orwell foi um dos escritores mais citados, especialmente por meio da obra 1984, romance distópico publicado em 1949 que retrata uma sociedade marcada pela vigilância, pela manipulação da informação e pela supressão da liberdade de expressão.
Entre os temas abordados estão o conceito de “bolhas de filtro”, termo criado em 2010 pelo ativista norte-americano Eli Pariser para descrever o isolamento intelectual gerado por algoritmos; o documentário O Dilema das Redes, do diretor norte-americano Jeff Orlowski, que mostra como as grandes empresas de tecnologia influenciam comportamentos e opiniões; e a Constituição Federal e o Marco Civil da Internet, apresentados como fundamentos para a discussão sobre direitos, deveres e responsabilidades no ambiente digital. A finalista do Rio Grande do Norte, Rita de Cássia Medeiros da Silva, também compara as redes sociais à Ágora de Atenas, espaço da Grécia Antiga associado ao debate público e à democracia.

Além de identificar os desafios das redes sociais, os estudantes apresentaram propostas para fortalecer a democracia digital. Entre as sugestões mais recorrentes estão a ampliação da educação midiática e do letramento digital nas escolas, o incentivo ao pensamento crítico, a transparência dos algoritmos das plataformas digitais e medidas para enfrentar a desinformação.
A comissão julgadora avaliou as 81 redações finalistas encaminhadas pelas secretarias estaduais de educação. Os 27 estudantes selecionados, um de cada unidade da Federação, participarão da Semana de Vivência Legislativa no Senado, entre os dias 17 e 21 de agosto. As redações foram analisadas com base em critérios adaptados do modelo de correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), considerando aspectos como compreensão do tema, argumentação, organização textual e proposta de intervenção.
Para a diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Glauciene Lara, o programa estimula a formação cidadã ao incentivar os estudantes a refletirem sobre temas de interesse público.
— O Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros reafirma seu compromisso com a formação cidadã ao estimular estudantes de todo o país a refletir sobre temas essenciais para a democracia. As redações finalistas revelam uma geração curiosa, crítica e preparada para participar do debate público. São jovens que pesquisam, confrontam diferentes perspectivas, dialogam com autores clássicos e contemporâneos, transformando esse repertório em argumentos consistentes e propostas viáveis para os desafios do presente — disse.
Veja aqui as redações vencedoras de 2026
Conheça os finalistas dos estados e do DF em 2026
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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