CUIABÁ

Michelly Alencar exalta trabalho da intervenção em quitar dívidas previdenciárias de servidores da Prefeitura de Cuiabá

Executivo Municipal devia R$ 113 milhões de FGTS e INSS só para os servidores da saúde

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Política

Assessoria Parlamentar
A vereadora Michelly Alencar (União Brasil) elogiou o trabalho da intervenção em quitar as dívidas trabalhistas e previdenciárias dos servidores da saúde de Cuiabá. Conforme denúncias recebidas pela parlamentar, a Prefeitura Municipal não repassava os tributos de FGTS e INSS há 5 anos e o montante da dívida é de R$ 113 milhões.
“Isso é inaceitável! Até quando nós vamos fazer vista grossa para esse tipo de coisa? Não tem como defender uma situação do servidor e fechar os olhos para outra. Eles estão sendo lesados, o INSS e o FGTS estão sendo retirados deles e não estão sendo repassados. Mas agora, graças a Deus, a equipe de intervenção já começou a quitar essas dívidas”, disse.
De acordo com Michelly, é uma vergonha que os vereadores precisem ir até a tribuna cobrar o básico que a Prefeitura de Cuiabá deve fazer pelos servidores, que é o repasse desses tributos. A vereadora lembrou ainda que recebe denúncias similares não só de servidores da saúde, mas também de outras secretarias.
“A situação dos servidores da saúde começou a ser solucionada, mas e os servidores das outras pastas que não têm uma equipe interventora para resolver o problema que a Prefeitura criou e não resolve?”, questionou.
Vale lembrar que Michelly Alencar protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades nos repasses dos descontos previdenciários feitos nos salários dos servidores públicos municipais, efetivos e comissionados, para o Cuiabá Prev e INSS. A CPI contava com 11 assinaturas, mas não foi para frente depois que três vereadores decidiram retirar suas assinaturas após a leitura do documento em plenário.
A parlamentar destacou ainda o aumento da taxa de ocupação dos leitos no antigo Pronto-Socorro de Cuiabá, de 29% para 85%, além do inventário dos medicamentos armazenados no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC) que está sendo realizado pela equipe de intervenção do Governo do Estado.
“Quantas vezes criticamos aqui a forma de organização do que entra, do que sai, do que está armazenado dentro do CDMIC. É por isso que tantos medicamentos foram encontrados vencidos, porque não tinham o mínimo de organização e transparência por causa de uma administração ineficiente, mas isso já foi restaurado. Isso foi levado em consideração e essa reorganização está começando a acontecer e hoje já temos um inventário no CDMIC, ou seja, a esperança de que o nosso dinheiro não seja jogado fora, o nosso dinheiro não seja vencido com as toneladas de medicamentos, que era o que vinha acontecendo”, afirmou.
Michelly destacou a dura luta pela saúde de Cuiabá, agradeceu os esforços da equipe de intervenção, e reafirmou seu comprometimento em entregar uma saúde pública de qualidade para todos os cuiabanos.
“Eu estou aqui para dizer que os desafios na saúde são imensos, precisa de planejamento e enfrentamento, e isso não é feito pela atual gestão. Por isso eu vou voltar sempre aqui, na tribuna da Câmara de Vereadores, para dizer o que acontece e o que não acontece”, pontuou.

Da Assessoria

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Câmara Temática da ALMT amplia debate sobre direitos e desafios dos povos indígenas de MT

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A construção de políticas públicas que respeitem a diversidade dos 46 povos indígenas de Mato Grosso e respondam às necessidades de cada território é o eixo de trabalho da Câmara Setorial Temática (CSTT) Indígena da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que realizou nesta quinta-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A iniciativa busca integrar diferentes áreas, identificar demandas e formular propostas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades originárias.

Requerida pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), a Câmara tem como objetivos promover o diálogo institucional, acompanhar políticas públicas e encaminhar propostas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Durante a reunião, foram apresentados os integrantes e as finalidades da estrutura, além de discutidos desafios que exigem atuação conjunta do poder público e das próprias comunidades.

Presidente da Câmara, Paloma Velozo explicou que a iniciativa amplia o trabalho anteriormente desenvolvido pela Câmara de Saúde Indígena, diante da necessidade de contemplar outras demandas apresentadas pelos povos originários, incluindo a elaboração de projetos de lei e encaminhamentos institucionais.

“Os povos originários hoje, por estarem nos territórios, têm uma carência muito grande de informação. Essa nova Câmara vem fazendo uma união com todos os eixos para desenvolvermos uma metodologia de trabalho que possa trazer um resultado mais preciso para os territórios”, afirmou.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

Entre as prioridades apontadas por Paloma estão os desafios relacionados à saúde mental de adolescentes e jovens indígenas, especialmente os casos de suicídio. Segundo ela, a Câmara pretende dialogar com a área da educação para buscar mecanismos de apoio aos estudantes, sobretudo em momentos de transição na trajetória escolar. Ela destacou inclusive, a importância de dar continuidade ao projeto MT Mais Indígena, desenvolvido anteriormente, e de incorporar novas ações que contribuam para o fortalecimento das políticas públicas destinadas aos povos originários.

Proteção às mulheres e garantia de direitos – A atuação articulada entre as instituições também é fundamental para dar visibilidade a problemas que atingem as comunidades indígenas e, muitas vezes, permanecem pouco conhecidos fora dos territórios. A procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Elisamara Portela, chamou a atenção para as diferenças entre as etnias, as dificuldades de acesso à saúde, as barreiras linguísticas e a violência doméstica contra mulheres indígenas.

“Uma invisibilidade histórica, uma invisibilidade estrutural” foi a expressão utilizada pela procuradora para descrever parte dos desafios identificados no trabalho de aproximação com essa realidade. Ela também mencionou questões relacionadas à saúde mental, ao uso de álcool e outras substâncias e à autolesão entre jovens, que precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas.

Elisamara ressaltou que a divulgação de informações sobre direitos é essencial para que as mulheres saibam onde buscar ajuda e reconheçam as situações de violência. Segundo ela, o Ministério Público Estadual atua na defesa de direitos individuais, inclusive nos casos de violência física, psicológica e patrimonial, com aplicação da legislação pertinente.

A procuradora alertou ainda para a importância de identificar e combater práticas criminosas, sem naturalizar a violência sob o argumento de costumes ou tradições. A garantia de direitos, nesse sentido, deve caminhar junto com ações de prevenção, orientação e responsabilização.

Autonomia financeira e desenvolvimento nos territórios – A participação das lideranças indígenas é outro componente central para que as propostas discutidas na Assembleia correspondam às realidades de cada povo. Líder da Aldeia Utiariti, integrante do povo Haliti-Paresi e morador de Campo Novo do Parecis, Adylson Waymare avaliou a criação da Câmara como uma oportunidade para ampliar a presença das demandas indígenas no debate institucional.

Para ele, a iniciativa permite discutir temas que vão além da saúde e da educação, incluindo economia, sustentabilidade e condições de vida nos territórios. Adylson defendeu a criação de mecanismos que favoreçam a geração de trabalho e renda, de modo a ampliar a autonomia financeira das comunidades.

” Nós temos que ter mecanismos de trabalho, de projetos a serem desenvolvidos que possam gerar renda e trabalho para nós, indígenas, para que assim possamos viver com qualidade de vida e dignidade dentro dos nossos territórios”, afirmou.

Como exemplo, o líder citou o etnoturismo (que é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas com forte atuação na região de Tangará da Serra e no Chapadão do Parecis. Segundo Adylson Waymare, a atividade reúne valorização cultural, preservação das belezas naturais e geração de renda, com projetos que avançaram em sua estruturação e regulamentação.

etnoturismo desenvolvido pelo povo Haliti-Paresi é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas

Adylson ponderou, porém, que Mato Grosso reúne 46 povos indígenas, cada qual com sua cultura, seu modo de vida e suas necessidades específicas. Por isso, a formulação de políticas públicas deve considerar as particularidades de cada comunidade, garantindo espaço para que as próprias lideranças apresentem prioridades e contribuam para a definição das ações.

A primeira reunião ordinária marca o início de uma agenda de trabalho voltada à articulação entre instituições e comunidades indígenas. A expectativa é que o diálogo contribua para transformar demandas históricas em propostas e encaminhamentos que fortaleçam os direitos, a autonomia e a qualidade de vida dos povos originários de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT



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