Tribunais em Ação
Mais de 1,2 mil pessoas debatem gestão pública e desenvolvimento em Rondonópolis
Além de formação técnica, a programação do Tribunais em Ação também garante informações sobre produtos dos tribunais que possuem relação direta com a atuação dos jurisdicionados.
Política
RONDONÓPOLIS-MT – Mais de 1,2 mil pessoas participaram do debate sobre a melhora na gestão pública e o desenvolvimento da Região Sul do estado, durante a abertura da primeira edição do Tribunais em Ação, na manhã desta terça-feira (15), em Rondonópolis. Fruto de parceria entre Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) e Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o encontro reúne prefeitos, vereadores, secretários e servidores de 20 municípios.
Graças ao formato itinerante da ação, a Corte de Contas e o Poder Judiciário ampliam a interlocução com seus jurisdicionados e oferecem, até esta quarta-feira (16), formação técnica que deve resultar em melhoria na qualidade de vida de quase 600 mil pessoas que vivem na região.
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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“Nós precisamos trabalhar a administração pública no sentido de fazê-la produzir frutos de qualidade para a população, então o TCE segue com seu objetivo de fazer com que a gestão pública mato-grossense seja referência no Brasil. Esse é um trabalho que engrandece os dois tribunais”, afirmou o presidente da Corte de Contas, conselheiro José Carlos Novelli.
Ao apresentar os Círculos de Construção da Paz, iniciativa que integra a programação, a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino, classificou o evento como um marco histórico. “A história do Tribunal de Justiça é a história do povo de Mato Grosso, um povo que trabalha muito e que agora precisa trabalhar unido, a partir de suas instituições e poderes, para que tenhamos uma perspectiva de futuro melhor.”
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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O prefeito da cidade sede, José Carlos do Pátio, chamou a atenção para o foco da estratégia conjunta. “Agradeço a visão que o Tribunal de Justiça tem neste momento, não só de julgar, mas de também olhar para o social. O Tribunal de Contas também deixou de ser um órgão que só cobra, para ser um órgão que olha os indicadores de uma cidade e ensina os municípios a fazer planejamento.”
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Representando a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado Thiago Silva destacou o contexto econômico do estado para reforçar o papel das instituições na melhora dos serviços públicos. “Ninguém faz nada sozinho, então, por meio deste evento, podemos discutir as ferramentas necessárias para aprimorar a gestão pública nos próximos anos. Este é o nosso desafio.”
O encontro reúne, em Rondonópolis, representantes de Alto Araguaia, Alto Garças, Alto Taquari, Araguainha, Campo Verde, Dom Aquino, Gaúcha do Norte, Guiratinga, Itiquira, Jaciara, Juscimeira, Paranatinga, Pedra Preta, Poxoréu, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, São José do Povo, São Pedro da Cipa e Tesouro.
Qualificação e resultado
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Iniciativas do TCE-MT como o Interage TCE, o Programa de Gerenciamento do Planejamento Estratégico (GPE), a constante capacitação de servidores de todo o estado e a instituição do Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle (Siafic-MT) no âmbito do TCE-MT, foram apontadas pelos gestores como importantes ferramentas para a entrega de resultados.
Foi o que destacou o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, ao reforçar as ações conjuntas realizadas com a Corte de Contas. “A entrega de resultados positivos pelas gestões municipais depende da qualificação. Só assim é que os municípios, independentemente do tamanho, poderão fazer gestão com qualidade e eficiência, levando benefícios à população.”
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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A fala foi reforçada pelo presidente da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), Bruno Rios. “Às vezes o deslize do gestor ocorre pela falta de orientação, então é muito importante que os tribunais estejam estendendo a mão aos prefeitos, vereadores e secretários. Estão todos unidos por um bem comum, para que possamos ter um estado mais justo e transparente.”
Neste contexto, o presidente da Câmara Municipal de Guiratinga, Ari Bonilha, falou sobre o intercâmbio de experiências entre os poderes. “Essa aproximação é fundamental, especialmente para nós, que somos de um município pequeno. É uma oportunidade de troca de conhecimentos, que poderemos colocar em prática para melhorar os serviços”, pontuou.
Tribunais em Ação
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Além de formação técnica, a programação do Tribunais em Ação também garante informações sobre produtos dos tribunais que possuem relação direta com a atuação dos jurisdicionados. O programa é coordenado pelo conselheiro do TCE-MT, Antonio Joaquim, e pelo juiz auxiliar da presidência do TJMT, Jones Gattas Dias. Confira a programação completa aqui.
| Foto: Tony Ribeiro/TCE-MT |
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“Este é o primeiro de vários que vamos realizar nas regiões do estado. Hoje sabemos que é preciso fazer as parcerias, pois só desta forma é que poderemos resolver nossos problemas. A estrutura da administração pública só serve para prestar serviços de qualidade à população. Esta é a consciência que todos nós que fazemos parte de uma instituição devemos ter”, disse o conselheiro.
Também participaram da cerimônia de abertura os conselheiros do TCE-MT Valter Albano, Waldir Teis, Guilherme Antonio Maluf e Sérgio Ricardo, além do secretário-adjunto de Projetos Estratégicos da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Vinícius Simioni da Silva; do presidente da Câmara Municipal de Rondonópolis, Ângelo Bernardino Júnior; do diretor do foro da Comarca de Rondonópolis, Francisco Rogério Barros; do promotor de Justiça Rodrigo Fonseca Costa; do defensor público João Claudio Ferreira Souza e da vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), subseção de Rondonópolis, Alessandra Cardoso.
Clique aqui e confira galeria de fotos.
Secretaria de Comunicação/TCE-MT
Política
Retrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia
A Câmara dos Deputados aprovou no primeiro semestre novas regras para pensão alimentícia. De autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), o Projeto de Lei 2121/25 foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e seguiu para o Senado.
O projeto estabelece critérios para definir o valor da pensão alimentícia do filho com até 18 anos, tendo como alimentante o pai ou a mãe.
A proposta altera o Código Civil e diz que a fixação do valor deverá levar em conta a sobrecarga de quem tem a guarda de criança ou adolescente e o comprovado abandono afetivo pelo pai ou pela mãe pagador da pensão.
Criança com TDAH
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou ainda projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com foco em pessoas com dificuldades de aprendizagem.
O texto, dos deputados Alex Manente (Cidadania-SP), Amom Mandel (Republicanos-AM) e Any Ortiz (PP-RS), foi enviado ao Senado com a relatoria da deputada Andreia Siqueira (PSB-PA).
Segundo o Projeto de Lei 4225/23, pessoas com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem contarão com adaptações na realização de provas no ambiente escolar, em concursos públicos, processos seletivos e avaliações.
Esse público deverá ter acesso, por exemplo, a:
- tempo adicional para as avaliações;
- ambiente com menos estímulos para distraí-los;
- oferta de pessoa para ler (ledor) o material;
- recursos tecnológicos de apoio; e
- flexibilização de formatos de prova, observadas as normas específicas de cada sistema de ensino ou de seleção.
As regras serão aplicáveis à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à educação superior, bem como às políticas de qualificação profissional e de inserção no trabalho, sem prejuízo de outros direitos previstos em legislação específica.
Passaporte estudantil
Estudantes de baixa renda que realizem estudos ou pesquisas no exterior poderão contar com isenção de taxas para emissão de passaportes e outros documentos de viagem.
A Câmara aprovou a regra por meio do Projeto de Lei 861/19. O texto teve origem no Senado e retornou àquela Casa para nova votação, por ter sido modificado pelos deputados.
O texto foi relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e beneficia estudantes que pertençam a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham renda familiar mensal de até três salários mínimos.
Pais de PCD
A Câmara dos Deputados aprovou a redução da jornada de trabalho, sem prejuízo salarial, para pais de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 2458/25, da deputada Laura Carneiro, foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e será enviado ao Senado.
Segundo o texto, a norma valerá para trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A necessidade e o percentual da redução da jornada serão definidos por avaliação biopsicossocial, realizada pelo menos a cada dois anos. Conforme o resultado, o benefício poderá ser ampliado, mantido, reduzido ou suspenso.
Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
Comunidade terapêutica em Curitiba, Paraná
Acolhimento por drogas
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1822/24, que permite o acolhimento voluntário de crianças e adolescentes usuários ou dependentes de drogas em comunidades terapêuticas. A proposta agora está em análise no Senado.
De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o texto teve a relatoria do deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).
Segundo o texto, as comunidades terapêuticas acolhedoras poderão realizar esse acolhimento para tratamento por dependência química em conjunto com os pais ou responsáveis legais.
O acolhimento conjunto deverá ser feito em instituições credenciadas e não substitui nem dispensa a frequência da criança ou adolescente à escola básica obrigatória. A exceção é se houver ameaça comprovada à sua vida ou à sua integridade física por parte de organizações criminosas ou grupos de tráfico de drogas em decorrência de envolvimento anterior.
Nesse caso, sua salvaguarda será garantida com decisão judicial ou laudo médico que permita a restrição de circulação em vias públicas durante o programa de tratamento. O estudo continuaria no próprio estabelecimento terapêutico ou em modalidade de ensino compatível com a condição de segurança pretendida.
Essas instituições de acolhimento deverão assegurar a separação entre as crianças e adolescentes dos adultos, em especial no alojamento, dormitório, instalações sanitárias e espaços de tratamento.
Outra modalidade de tratamento é a internação assistida, que deverá ocorrer com o consentimento dos pais ou responsáveis legais e a concordância do adolescente entre 12 e 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A diferença em relação à modalidade hoje existente, denominada voluntária, é que o novo tipo não dependerá de declaração escrita e seu término não está vinculado explicitamente a laudo médico ou pedido escrito da pessoa sob tratamento.
Sofrimento animal
A Câmara dos Deputados também aprovou o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – como o foie gras. O texto aguarda sanção presidencial.
Foie gras é o nome dado ao fígado gordo de pato ou ganso, iguaria da culinária francesa obtida com a alimentação forçada desses animais.
Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, o Projeto de Lei 90/20 é oriundo do Senado e prevê penas de detenção de três meses a um ano e multa pelo descumprimento da norma, além de outras sanções estabelecidas na Lei dos Crimes Ambientais.
A proibição abrangerá tanto os produtos in natura quanto os enlatados obtidos por meio do gavage, método de alimentação forçada com a introdução de um tubo na garganta da ave, o que leva à hipertrofia do fígado.
A comercialização dos produtos obtidos já é proibida em alguns países, como Argentina, Austrália e Índia. O texto foi relatado pelo deputado Fred Costa (PRD-MG).
Tarifa mínima de água
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto.
O Projeto de Lei 1845/25, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), altera a Lei do Saneamento Básico e agora está em análise no Senado. O texto foi relatado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).
Segundo o projeto, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.
Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.
No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.
A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.
Seguro-defeso
Com a aprovação da Medida Provisória 1323/25, a Câmara dos Deputados fixou novas condições de cadastro e identificação para evitar fraudes no pagamento do seguro-defeso.
Convertida na Lei 15.399/26, a MP também autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei.
Segundo o texto, para ter direito ao benefício de anos anteriores, o interessado deve tê-lo solicitado dentro dos prazos legais. O pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa.
Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Além disso, o texto prorroga, até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.
Pescadores artesanais habilitados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e suas associações e cooperativas contarão com os mesmos encargos financeiros de custeio e investimento usados nos programas de reforma agrária, inclusive bônus ou redutores.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra
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