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Lula ganha mais de 112 mil votos em MT no segundo turno, mas vence em apenas 11 municípios

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O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua votação em Mato Grosso no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Apesar de conquistar mais de 112 mil votos adicionais em relação à primeira etapa do pleito, o petista venceu em apenas 11 dos 142 municípios do estado, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) manteve a liderança na votação estadual.

Na comparação entre os dois turnos, Lula passou de 581.681 para 694.167 votos, um acréscimo de 112.486. A participação do presidente nos votos válidos também cresceu, saindo de 29,18% para 33,94%, uma alta de 4,76 pontos percentuais.

Flávio Bolsonaro também ampliou sua votação, passando de 1.298.581 votos no primeiro turno para 1.351.099 no segundo, aumento de 52.518 votos. O candidato do PL avançou de 65,15% para 66,06% dos votos válidos em Mato Grosso.

Com os resultados, a diferença entre os dois candidatos caiu de 716.900 votos, no primeiro turno, para 656.932 no segundo. Mesmo com a redução da distância, Flávio manteve uma vantagem expressiva no estado.

Os municípios em que Lula recebeu mais votos que Flávio foram Acorizal, Alto Paraguai, Barão de Melgaço, Campinápolis, Jangada, Nortelândia, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Ponte Branca, Porto Estrela e Santo Antônio de Leverger.

O melhor resultado do petista entre essas cidades foi registrado em Nossa Senhora do Livramento. Ele recebeu 6.530 votos, correspondentes a 60,58% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 3.739 votos, ou 34,69%. A diferença favorável a Lula foi de 2.791 votos.

Cinco dos municípios em que o presidente venceu ficam na Baixada Cuiabana: Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio de Leverger, Barão de Melgaço, Poconé e Jangada. As outras seis cidades estão distribuídas pelo interior de Mato Grosso.

O aumento da votação de Lula ocorreu inclusive em municípios nos quais ele permaneceu atrás do candidato do PL. Em Cuiabá, o petista passou de 123.207 votos no primeiro turno para 149.091 no segundo, crescimento de 25.884 votos. Flávio avançou de 208.637 para 219.767.

Em Várzea Grande, Lula ampliou sua votação de 55.331 para 66.554 votos, enquanto Flávio passou de 85.581 para 89.473. Já em Rondonópolis, o presidente foi de 38.046 para 46.998 votos, e o candidato do PL subiu de 85.901 para 90.173.

Os números mostram que Lula aumentou sua votação em importantes centros urbanos, mas não conseguiu superar a vantagem de Flávio nessas cidades. O mesmo ocorreu no resultado geral do estado, onde o candidato do PL conquistou aproximadamente dois terços dos votos válidos.

A comparação entre os turnos mostra que os dois candidatos ampliaram suas votações em Mato Grosso, mas o crescimento de Lula foi maior em números absolutos. O petista conquistou 112.486 votos adicionais, contra 52.518 de Flávio Bolsonaro.

Apesar disso, a distribuição dos votos entre os municípios permaneceu amplamente favorável ao candidato do PL, que venceu em 131 cidades. Lula, por sua vez, concentrou suas vitórias em 11 municípios.

O resultado estadual contrasta com o nacional, no qual Lula foi reeleito para um novo mandato presidencial. Em Mato Grosso, entretanto, Flávio Bolsonaro manteve a liderança tanto no percentual de votos válidos quanto no número de municípios em que foi o candidato mais votado.



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ALMT participa da elaboração de manuais de orientação sobre violência contra a mulher

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Procuradoria Especial da Mulher, participa da elaboração de dois manuais voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Desenvolvidos em parceria com o Governo do Estado, os materiais serão destinados aos profissionais da comunicação e da segurança pública, com orientações para evitar a exposição das vítimas, a reprodução de comportamentos violentos e a divulgação sensacionalista de casos de violência doméstica e feminicídio. A previsão é que os documentos sejam concluídos até o final de novembro.

A parceria envolve, além da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado, representantes do Poder Judiciário, Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT), Defensoria Pública, Tribunal de Contas e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras instituições.

A iniciativa é coordenada pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, comandado pela delegada da Polícia Civil Mariell Antonini, e reúne instituições da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Para desenvolver os materiais, foi criado um grupo de trabalho responsável por estabelecer diretrizes de comunicação e medidas preventivas relacionadas ao chamado efeito copycat, expressão utilizada para definir a possível imitação de comportamentos violentos após a ampla divulgação de determinados crimes.

Segundo Mariell Antonini, a preocupação surgiu a partir de estudos que apontam a possibilidade de determinados crimes serem reproduzidos após receberem grande repercussão, especialmente quando a divulgação apresenta detalhes excessivos sobre a violência praticada.

“Dependendo da notícia, da veiculação de uma informação pelos canais de comunicação, pela mídia em geral, é possível que haja uma replicação, um efeito imitador daquela conduta nas semanas seguintes aos fatos”, explicou a delegada.

A procuradora especial da Mulher da ALMT, Francielle Brustolin, destacou que a participação da Casa de Leis ocorreu desde os estudos iniciais até a elaboração dos protocolos, manuais, guias, cartilhas e estruturação das capacitações. O trabalho contou também com a contribuição técnica da jornalista Deisy Boroviec, profissional de comunicação da Assembleia com experiência na temática da violência de gênero.

“A Assembleia Legislativa não participou apenas formalmente do grupo de trabalho. Contribuiu efetivamente para a construção de instrumentos que buscam transformar a comunicação em uma ferramenta de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirmou Francielle.

Imprensa e segurança pública – O manual destinado à imprensa terá caráter orientativo, respeitando a liberdade de imprensa e a independência editorial dos veículos. Entre as recomendações estão evitar a culpabilização das vítimas, a romantização dos crimes, a exposição desnecessária de detalhes da violência e expressões que possam justificar as agressões.

Já o documento voltado às forças de segurança, especialmente às polícias Civil e Militar, apresentará orientações para pronunciamentos oficiais, preservação das investigações, proteção das vítimas e familiares e cuidados com a divulgação de informações sobre os crimes.

“A publicação vai abordar os cuidados necessários para preservar a dignidade das vítimas, evitar a exposição dos filhos e demais familiares e garantir que a divulgação das ocorrências não comprometa investigações ou provas. Também estão previstas recomendações sobre a preservação dos locais de crime e o respeito à cadeia de custódia, conjunto de procedimentos que assegura a integridade das provas durante a investigação criminal”, descreveu a delegada.

Segundo Mariell Antonini, a forma como os casos são apresentados à sociedade pode influenciar comportamentos e contribuir para a naturalização da violência.

“A imprensa tem um importante papel de transformação. O que nós precisamos mudar na nossa sociedade é a cultura, essa cultura de naturalização da violência contra a mulher. Por isso, precisamos trabalhar com todos os atores que possam colaborar”, ressaltou a delegada.

Para a procuradora Francielle, a proposta não é limitar a divulgação das ocorrências, mas oferecer referências técnicas que permitam informar com responsabilidade e dar visibilidade aos mecanismos de denúncia e proteção.

“Não basta que a sociedade saiba que uma mulher foi vítima de violência. É fundamental que compreenda a gravidade do crime, reconheça os sinais de risco e saiba onde buscar ajuda. A notícia precisa informar sem transformar a violência em espetáculo”, enfatizou.

Capacitação – Além da elaboração dos documentos, a Procuradoria Especial da Mulher organiza uma capacitação prevista para novembro, na sede da ALMT, nas modalidades presencial e virtual. A data ainda será definida.

A formação será direcionada a jornalistas, assessores de imprensa, publicitários, comunicadores institucionais, influenciadores digitais e demais profissionais que atuam na produção e divulgação de informações. O objetivo é apresentar orientações práticas sobre a cobertura responsável de crimes contra mulheres, o uso adequado da linguagem e a prevenção da revitimização.

A modalidade virtual permitirá a participação de profissionais do interior do estado, com a possibilidade de articulação das Procuradorias da Mulher existentes nas Câmaras Municipais.

“Queremos oferecer uma formação que vá além da apresentação dos manuais, com orientações práticas sobre a cobertura responsável de crimes de violência contra a mulher, a prevenção dos riscos associados ao efeito copycat e a preservação da dignidade das vítimas”, explicou a procuradora.

A Procuradoria Especial da Mulher também pretende utilizar a Escola do Legislativo, a TV Assembleia e os canais digitais da Casa de Leis para ampliar as ações educativas e levar informações à população.

Para Francielle Brustolin, a iniciativa reforça o compromisso da ALMT com a prevenção, o acolhimento das vítimas e o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.

“A transformação cultural começa quando deixamos de justificar a violência, passamos a reconhecer seus primeiros sinais e assumimos coletivamente a responsabilidade de combatê-la”, disse.

Após a conclusão, os dois manuais deverão ficar disponíveis na plataforma mulher.mt.gov.br⁠, para consulta dos profissionais e da sociedade.

O portal também disponibiliza vídeos informativos de curta duração, com orientações sobre como identificar situações de violência doméstica, buscar atendimento e contribuir para a prevenção.

Fonte: ALMT – MT



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