EM BRASÍLIA - AGENDA NA AGU

Juca do Guaraná participa de entrega de documentos para desembargo ambiental do PA Jonas Pinheiro

Em 2009, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) impôs embargo ambiental na área do Projeto de Assentamento Jonas Pinheiro

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Assessoria Parlamentar

O deputado estadual Juca do Guaraná (MDB) participou na tarde desta terça-feira de uma reunião na Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF) da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília (DF), para a entrega do termo de adesão ao acordo de regularização dos Projetos de Assentamentos Jonas Pinheiro e Alto Celeste, localizados respectivamente, nos municípios de Sorriso e Vera.

O acordo tem o objetivo de pôr fim ao impasse que já perdura 14 anos, quando a área foi embargada ambientalmente em 2009. Desde então, os 437 assentados não conseguem fazer investimentos em suas terras, nem acessar programas de incentivo ao crédito do Governo Federal, voltados ao pequeno produtor rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), entre outros. Com o desembargo da área, os assentamentos ainda vão conseguir dar encaminhamento a tão sonhada regularização fundiária da área, espera essa que já passa dos 25 anos.

Na oportunidade, Juca do Guaraná, que no Parlamento Estadual é membro titular da Comissão de Meio Ambiente, Recurso Hídricos e Recursos Minerais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), destacou também o trabalho do deputado federal Emanuelzinho e do assessor especial da presidência da República, Valternir Pereira, a presidente o MDB Mulher, Singlair Muses, Vanderlei, Carla Pianesso, Celso Cozak de Sorriso, Donizete de Vera ,Tiririca de Vera , Devanil Barbosa de Sorriso, para a desembargo do PA Jonas Pinheiro.

O parlamentar lembrou que a reunião desta terça-feira é a quarta realizada Câmara de Mediação da AGU, que concilia conflitos pertinentes à União e a assinatura deste termo representa uma grande vitória no processo.
“Sou filho da agricultura familiar, sou filho do pequeno agricultor e para nós é uma honra estar nessa luta junto com vocês, deste desembargo da área até a conquista definitiva do título. Nossa assessoria acompanhou todas as reuniões desde quando ficamos sabendo da situação dos parceleiros do Jonas Pinheiros. Inclusive, nos reunimos com o superintendente do Incra de Mato Grosso até conseguimos chegar à Câmara de Mediação da AGU. A luta continua, há muito trabalho a ser feito e deixo aqui o meu gabinete de portas abertas para auxiliar os assentados no encaminhamento desses documentos e demandas junto aos órgãos federais”, declarou Juca do Guaraná.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a agricultura familiar é a responsável por 70% dos alimentos que vão à mesa do brasileiro. O deputado destaca que o acordo sugerido pela AGU foi a do reflorestamento agroambiental de 20% da área com plantações frutíferas. “Além de recuperar a área degradada, o projeto agroflorestal poderá ser feito com plantio de cacau, pequi, cupuaçu, goiaba, entre outras. Ou seja, plantações produtivas que além de reflorestar, vai gerar renda aos assentados”, frisou.

O vereador por Sorriso, Wanderley Paulo, que também participou da reunião, agradeceu ao deputado Juca do Guaraná pelo empenho em prol do desembargo do assentamento Jonas Pinheiro. “Ele e toda sua equipe não mediram esforços para que isso pudesse acontecer. Nossos sinceros agradecimentos, obrigada pela parceria e por olhar com carinho para o município de Sorriso e, em especial, para a agricultura familiar”, pontuou.

Junto ao colega parlamentar, a vereadora por Sorriso Jane Delalibera também atua junto aos assentados do PA Jonas Pinheiro e agradeceu o trabalho de todos. Ela lembrou que, além do desembargo, ainda há um caminho a percorrer para a entrega definitiva dos títulos. “O dia de hoje eu vejo como resultado de todo esse trabalho que fizemos até aqui e mostra que a luta não foi em vão. Todo esforço está tendo resultado e, agora, nós precisamos fazer um planejamento de trabalho e o apoio, do deputado Juca, para que nós possamos ter o tão sonhado título”.

Também participaram da reunião o diretor da CCAF, José Roberto da Cunha Peixoto; o mediador da CCAF, Cláudio de Castro Panoeiro; a procuradora-chefe da Procuradoria Nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, Mariana Barbosa Cirne; a coordenadora PronaClima, Micheline Mendonça Neiva; o assessor especial da Presidêncida da República, Valternir Pereira; o deputado federal Emanuelzinho Pinheiro; além dos vereadores Eleandro Moreira, Donizete Panizo, Marcelo Períoto e Célio Roberto Jardim.

HISTÓRICO – Em 2009, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) impôs embargo ambiental na área do Projeto de Assentamento Jonas Pinheiro, em decorrência de infrações ambientais imputadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por instalar projeto de assentamento sem o prévio licenciamento ambiental e desmatar aproximadamente 7000 hectares de floresta nativa.

O acordo para o desembargo da área prevê o cadastro do PA junto ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) da área do assentamento, como uma das obrigações do Incra; apresentação de Projeto de Recuperação de Área Degrada (PRAD), conforme Programa de Recuperação Ambiental, nos termos da Lei 12.651, de 2012, que contemple a integralidade da área do Projeto de Assentamento; inclusão, no termo de compromisso com a CCAF, de que, no prazo de seis meses após a assinatura deste acordo, cada assentado deve providenciar o protocolo do pedido de regularização de suas atividades perante o órgão ambiental competente, sob pena de imposição de embargo individual.

Além de apresentação, pelos representantes do Poder Legislativo e das associações de assentados dos municípios de Vera e Sorriso, da lista de proprietários e forma de representação legal para celebração do acordo e previsão de fiscalização do Ibama no Projeto de Assentamento 12 meses após a assinatura do acordo.

Assessoria

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Câmara Temática da ALMT amplia debate sobre direitos e desafios dos povos indígenas de MT

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A construção de políticas públicas que respeitem a diversidade dos 46 povos indígenas de Mato Grosso e respondam às necessidades de cada território é o eixo de trabalho da Câmara Setorial Temática (CSTT) Indígena da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que realizou nesta quinta-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A iniciativa busca integrar diferentes áreas, identificar demandas e formular propostas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades originárias.

Requerida pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), a Câmara tem como objetivos promover o diálogo institucional, acompanhar políticas públicas e encaminhar propostas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Durante a reunião, foram apresentados os integrantes e as finalidades da estrutura, além de discutidos desafios que exigem atuação conjunta do poder público e das próprias comunidades.

Presidente da Câmara, Paloma Velozo explicou que a iniciativa amplia o trabalho anteriormente desenvolvido pela Câmara de Saúde Indígena, diante da necessidade de contemplar outras demandas apresentadas pelos povos originários, incluindo a elaboração de projetos de lei e encaminhamentos institucionais.

“Os povos originários hoje, por estarem nos territórios, têm uma carência muito grande de informação. Essa nova Câmara vem fazendo uma união com todos os eixos para desenvolvermos uma metodologia de trabalho que possa trazer um resultado mais preciso para os territórios”, afirmou.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

Entre as prioridades apontadas por Paloma estão os desafios relacionados à saúde mental de adolescentes e jovens indígenas, especialmente os casos de suicídio. Segundo ela, a Câmara pretende dialogar com a área da educação para buscar mecanismos de apoio aos estudantes, sobretudo em momentos de transição na trajetória escolar. Ela destacou inclusive, a importância de dar continuidade ao projeto MT Mais Indígena, desenvolvido anteriormente, e de incorporar novas ações que contribuam para o fortalecimento das políticas públicas destinadas aos povos originários.

Proteção às mulheres e garantia de direitos – A atuação articulada entre as instituições também é fundamental para dar visibilidade a problemas que atingem as comunidades indígenas e, muitas vezes, permanecem pouco conhecidos fora dos territórios. A procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Elisamara Portela, chamou a atenção para as diferenças entre as etnias, as dificuldades de acesso à saúde, as barreiras linguísticas e a violência doméstica contra mulheres indígenas.

“Uma invisibilidade histórica, uma invisibilidade estrutural” foi a expressão utilizada pela procuradora para descrever parte dos desafios identificados no trabalho de aproximação com essa realidade. Ela também mencionou questões relacionadas à saúde mental, ao uso de álcool e outras substâncias e à autolesão entre jovens, que precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas.

Elisamara ressaltou que a divulgação de informações sobre direitos é essencial para que as mulheres saibam onde buscar ajuda e reconheçam as situações de violência. Segundo ela, o Ministério Público Estadual atua na defesa de direitos individuais, inclusive nos casos de violência física, psicológica e patrimonial, com aplicação da legislação pertinente.

A procuradora alertou ainda para a importância de identificar e combater práticas criminosas, sem naturalizar a violência sob o argumento de costumes ou tradições. A garantia de direitos, nesse sentido, deve caminhar junto com ações de prevenção, orientação e responsabilização.

Autonomia financeira e desenvolvimento nos territórios – A participação das lideranças indígenas é outro componente central para que as propostas discutidas na Assembleia correspondam às realidades de cada povo. Líder da Aldeia Utiariti, integrante do povo Haliti-Paresi e morador de Campo Novo do Parecis, Adylson Waymare avaliou a criação da Câmara como uma oportunidade para ampliar a presença das demandas indígenas no debate institucional.

Para ele, a iniciativa permite discutir temas que vão além da saúde e da educação, incluindo economia, sustentabilidade e condições de vida nos territórios. Adylson defendeu a criação de mecanismos que favoreçam a geração de trabalho e renda, de modo a ampliar a autonomia financeira das comunidades.

” Nós temos que ter mecanismos de trabalho, de projetos a serem desenvolvidos que possam gerar renda e trabalho para nós, indígenas, para que assim possamos viver com qualidade de vida e dignidade dentro dos nossos territórios”, afirmou.

Como exemplo, o líder citou o etnoturismo (que é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas com forte atuação na região de Tangará da Serra e no Chapadão do Parecis. Segundo Adylson Waymare, a atividade reúne valorização cultural, preservação das belezas naturais e geração de renda, com projetos que avançaram em sua estruturação e regulamentação.

etnoturismo desenvolvido pelo povo Haliti-Paresi é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas

Adylson ponderou, porém, que Mato Grosso reúne 46 povos indígenas, cada qual com sua cultura, seu modo de vida e suas necessidades específicas. Por isso, a formulação de políticas públicas deve considerar as particularidades de cada comunidade, garantindo espaço para que as próprias lideranças apresentem prioridades e contribuam para a definição das ações.

A primeira reunião ordinária marca o início de uma agenda de trabalho voltada à articulação entre instituições e comunidades indígenas. A expectativa é que o diálogo contribua para transformar demandas históricas em propostas e encaminhamentos que fortaleçam os direitos, a autonomia e a qualidade de vida dos povos originários de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT



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