quase R$ 90 milhões
Governo Federal anuncia investimento para pesquisas na Amazônia
O projeto é coordenado pelo INPA, unidade de pesquisa vinculada ao MCTI, e o Instituto Max Planck da Alemanha
Política
O Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), anunciou o lançamento de editais com investimentos de R$80 milhões para a construção de 50 laboratórios remotos na Amazônia (SALAS), mais R$8 milhões para infraestrutura da Torre ATTO (sigla para Amazon Tall Tower Observatory), além de R$1,5 milhão para bolsas de estudo, de pesquisa internacionais na torre.
A Chamada tem valor global de R$ 927 mil oriundos do MCTI com os objetivos de fomentar até seis projetos internacionais de P&D sobre as interações entre solo, clima e floresta, viabilizar o acesso de pesquisadores brasileiros ao observatório e promover maior cooperação com parceiros internacionais, especialmente com a Alemanha e a Noruega. Cada proposta poderá solicitar até R$ 200 mil em bolsas de pesquisa, inclusive pesquisadores internacionais.
O ministro Marcos Pontes, secretários do MCTI, parlamentares, embaixadores e diplomatas visitaram a torre localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, no estado do Amazonas, no município de São Sebastião do Uatumã, a 150 km de Manaus. na ocasião, o ministro anunciou a Chamada CNPq/MCTI Nº 01/2022, para apoio a projetos internacionais de P&D utilizando a infraestrutura da torre.
“Essa foi uma viagem muito interessante. Tivemos a oportunidade de conhecer todo o trabalho que é desenvolvido na torre ATTO pelos nossos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), unidade de pesquisa do MCTI. Os investimentos na região Amazônica visam proporcionar o desenvolvimento científico e bioeconômico por meio da transformação digital”, declarou.
O projeto, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI, e o Instituto Max Planck da Alemanha, é equipado com tecnologia de ponta nos estudos atmosféricos e possibilita aos cientistas monitorar e estudar uma área atmosférica de mais de 1.000 km², sendo que a tecnologia utilizada na construção da torre é totalmente nacional.
A estrutura científica e tecnológica existente no sítio de pesquisa permite uma análise profunda do ecossistema amazônico e é referência na geração de dados para os modelos climáticos que envolvem a floresta amazônica, produzindo resultados de extrema relevância sobre o papel do ecossistema amazônico com relação às mudanças climáticas globais, sendo hoje um dos principais focos de pesquisa do INPA/MCTI nos seus quase 70 anos de existência, com o Instituto fornecendo conhecimento cientifico multidisciplinar em níveis de excelência visando o melhor entendimento no que se refere a interação com o meio ambiente, os aspectos climáticos e a biodiversidade amazônica.
Política
Eleitores aprovam mudanças territoriais em quatro municípios de MT
Eleitores de quatro municípios de Mato Grosso aprovaram, em plebiscitos realizados no domingo (25), propostas de mudanças nos limites territoriais de Poxoréu, Primavera do Leste, Colniza e Cotriguaçu. As consultas populares ocorreram durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Apesar da aprovação nas urnas, as alterações não serão imediatas e dependerão da tramitação e votação de projetos de lei na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A expectativa é que o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE) comunique oficialmente nos próximos dias os resultados à Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Após o recebimento das informações, serão elaborados e apresentados os projetos de lei necessários para dar continuidade ao processo de alteração dos limites municipais.
Nos municípios de Poxoréu e Primavera do Leste, a proposta de desmembramento do distrito de Nova Poxoréu, atualmente pertencente a Poxoréu, para sua incorporação à Primavera do Leste recebeu 41.590 votos favoráveis, o equivalente a 74,66% dos 55.706 votos válidos. Outros 14.116 eleitores, 25,34%, votaram contra a mudança.
Já em Colniza e Cotriguaçu, a proposta de transferir as ilhas de ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu, atualmente vinculadas territorialmente a Colniza, para Cotriguaçu também obteve ampla aprovação. Foram registrados 17.723 votos favoráveis, correspondentes a 86,61% dos votos válidos, enquanto 2.739 eleitores, ou 13,39%, se manifestaram contrários à proposta. A abstenção foi de 6.446 eleitores.
O procurador-geral da ALMT, Ricardo Riva, explicou que a Lei Complementar Federal aprovada em 2026 criou as condições legais para que o estado possa promover alterações nos limites territoriais entre municípios. Segundo ele, antes da nova legislação, leis estaduais que tratavam do desmembramento de áreas municipais eram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal de Justiça, devido à ausência de uma norma federal que regulamentasse o procedimento.
Ricardo Riva destacou que a realização de plebiscito, isoladamente, não era suficiente para viabilizar as mudanças territoriais. “O processo exige o cumprimento de etapas legais, que incluem estudo de viabilidade municipal, consulta à população por meio de plebiscito, observância da legislação complementar federal e aprovação de lei estadual para formalizar a alteração dos limites entre os municípios envolvidos”, afirmou o procurador.
Legislação – Mesmo com a aprovação popular, a redefinição dos limites municipais não ocorre automaticamente. Segundo o subprocurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Gabriel Machado dos Santos, caberá ao Parlamento estadual analisar e votar as propostas legislativas que formalizarão as mudanças e estabelecerão as condições administrativas decorrentes da nova configuração territorial.
Entre os aspectos que deverão ser considerados estão a delimitação das áreas transferidas, a responsabilidade pela prestação dos serviços públicos e os impactos financeiros e orçamentários para os municípios envolvidos.
“Depois do plebiscito, sendo aprovada a proposta, a Assembleia terá que regulamentar essas questões por meio de lei. É nessa fase que serão definidos os limites territoriais e analisados os impactos administrativos e orçamentários. Não é uma mudança automática. Existe um procedimento legal que precisa ser concluído para que a nova configuração territorial seja efetivada”, explicou o procurador.
O consultor de Serviços Legislativos, Gabriel Lucas Scardini Barros, afirmou que é preciso apresentar um projeto de lei para cada alteração territorial, com as modificações necessárias nas leis que estabelecem os limites dos municípios envolvidos.
As matérias seguirão a tramitação legislativa ordinária, sem prazo específico para aprovação ou previsão de urgência. Dessa forma, o resultado favorável nas urnas representa uma etapa importante do processo, mas não determina quando as mudanças serão efetivamente implementadas.
“Será apresentado um projeto de lei para cada alteração territorial, com a modificação das leis que estabelecem os limites dos municípios envolvidos. Não há previsão de urgência para a apreciação das matérias. Os projetos seguirão os procedimentos regimentais da Assembleia Legislativa”, explicou Gabriel Barros.
Fonte: ALMT – MT
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