Hospital Regional de Sorriso
Governo de MT investiu R$ 10,5 milhões na reforma e ampliação
Área ampliada conta com 10 leitos de UTI e 29 leitos de enfermaria, que serão inicialmente destinados ao atendimento de especialidades diversas
Política
O Governo de Mato Grosso inaugurou, nesta segunda-feira (23.08), a nova ala do Hospital Regional de Sorriso, que é referência para 15 municípios da região norte do estado. Por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), foram investidos R$ 10,5 milhões na modernização e ampliação da unidade, sendo R$ 8 milhões na estrutura predial e R$ 2,5 milhões em equipamentos e mobiliário.
A reforma possibilitou a modernização da cozinha, da recepção e do telhado, além da ampliação de 1.923,54 metros quadrados em estrutura. “O Governo de Mato Grosso, com muito orgulho, tem feito ao longo desses dois anos e sete meses um grande programa de recuperação da infraestrutura da Saúde Pública do Estado. São amplos os investimentos para que a Saúde possa funcionar melhor e atender melhor a nossa população. Essa é a primeira etapa de modernização do Hospital Regional de Sorriso e, na sequência, estenderemos esse mesmo padrão para as demais áreas da unidade”, declarou o governador Mauro Mendes.
A área ampliada conta com 10 leitos de UTI e 29 leitos de enfermaria, que serão inicialmente destinados ao atendimento de especialidades diversas, visando à retomada e ao avanço das cirurgias eletivas. É estimada a realização de cerca de 100 cirurgias eletivas por mês no Hospital Regional de Sorriso.
A nova ala também receberá leitos de outros setores do hospital. O objetivo deste remanejamento é dar celeridade à obra que avança para outras áreas da unidade hospitalar.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, a destinação desses novos leitos foi validada junto aos 15 gestores municipais que compõem o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires.


Foto: Mayke Toscano
“Nos reunimos na semana passada com os prefeitos da região do Teles Pires para deliberar a destinação desses novos leitos do Hospital Regional de Sorriso. Ficou decidido que essa nova área será imediatamente habitada pela transferência de leitos que já estão aqui no hospital. A transferência é necessária para que possamos avançar rapidamente na reforma de todo o hospital e avançar consideravelmente no programa de MT Mais Cirurgias, de cirurgias eletivas. É importante ressaltar que essa modernização estrutural está sendo promovida em praticamente todos os Hospitais Estaduais e Unidades Especializadas de Mato Grosso”, disse o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
Durante a solenidade de inauguração da área ampliada do Hospital Regional de Sorriso, prefeitos e gestores da região Norte de Mato Grosso manifestaram satisfação pelas medidas e ações anunciadas pelo Governo do Estado no âmbito da Saúde.
“Quero agradecer o governador e a equipe do secretário Gilberto Figueiredo, que tem trabalhado incansavelmente. Este Governo tem mudado a história da Saúde no estado, só não enxerga quem não quer ver. Estou nessa luta como secretario há 15 anos e nunca, nesses anos todos, vi a Saúde avançar tanto em tão pouco tempo”, disse o secretário municipal de Saúde de Guarantã do Norte e presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems-MT), Marco Antônio Norberto Felipe.


Mayke Toscano
O prefeito de Santa Carmem e presidente do consórcio do Vale do Teles Pires, Rodrigo Audrey Frantz, também elogiou a atual gestão em Saúde. “Gostaria de parabenizar o secretário Gilberto por ter sentado para conversar com os prefeitos sobre as políticas públicas de Saúde da região. Quem ganha com essa junção de esforços é a população com essa obra de muita qualidade.”
Durante a inauguração, o deputado estadual Xuxu Dal Molin entregou moção de aplausos aos diretores do Hospital Regional de Sorriso, Ione Carvalho e Rodrigo Bezerra, ao secretário estadual Gilberto Figueiredo e ao governador Mauro Mendes. “Aqui tinha uma história de muitas promessas. Sorriso ganha um grande presente hoje. Governo forte, organizado, técnico e com vontade. Quem ganha com isso é a Saúde Pública”, avaliou.
Também participaram da inauguração o deputado estadual Dilmar Dal’ Bosco, o deputado federal Neri Guller e o senador Wellington Fagundes, além do vice-governador do Estado, Otaviano Pivetta, do secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e o prefeito de Sorriso, Ari Lafin.


Foto: Mayke Toscano
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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