MATO GROSSO
Governo de MT entrega mais de R$ 18 milhões em investimentos para fortalecimento da agricultura familiar
No total, foram adquiridas 159 máquinas e veículos para beneficiar diretamente associações, aldeias e comunidades de 70 município
Política
Foram entregues 12 caminhões 12 m, duas carretas basculante, uma carreta para microtrator, três encanteiradores, três enxadas rotativas, quatro escavadeiras hidráulicas, uma grade 14×26, 17 Hilux, dois misturadores de ração, nove perfuradores de solo, 12 plantadeiras adubadeiras, cinco plantadeiras de mandioca, 44 resfriadores de leite de 1000 litros, 30 resfriadores de leite de 500 litros, três roçadeiras frontais, três roçadeiras hidráulicas e oito tratores 100 CV.
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, destacou que essa é uma entrega muito relevante, pois é para a agricultura familiar, atividade realizada por milhares de famílias em todo o Estado, distribuídas nos 141 municípios. “Nos últimos quatro anos nós fizemos muita coisa, comprando equipamentos, comprando vários tipos de utensílios para a agricultura familiar. Essa entrega de hoje é um salto nos compromissos que tínhamos feito com prefeituras e produtores”.
Durante o discurso, o governador reforçou a importância de se ter políticas públicas para fomentar a agricultura familiar e anunciou que agora é hora de dar um passo um pouco diferente no setor. “Dar máquina, dar trator, é ótimo. Mas nós precisamos pensar na agricultura familiar de uma forma diferente, olhando para nossas cadeias produtivas, ver o que é preciso para serem fortalecidas e ajudá-las a se tornar em polos de produção. Esse tem que ser nosso maior foco”, ressaltou.
Conforme a secretária Teté Bezerra, os investimentos que o Governo oferece, com a entrega de máquinas e implementos agrícolas, auxiliam, aperfeiçoam e ampliam a produção, que tem como consequência a diminuição do tempo de execução em várias etapas do processo produtivo, além do ganho em eficiência. “É a tecnologia contribuindo para aumentar a produtividade”, frisou.
O senador Jayme Campos pontuou que a agricultura familiar é uma grande força da economia brasileira e que é preciso ter incentivos para dar aos produtores dignidade, cidadania e possibilitar que eles tenham renda própria. “Essas ações que o Governo de Mato Grosso tem feito, não só com recursos próprios, mas com parcerias com a nossa bancada federal e deputados estaduais, têm permitido o grande investimento que tem sido feito em nosso Estado”, disse.
Para o deputado federal Fábio Garcia, essa entrega mostra que o Governo está no caminho certo valorizando os agricultores familiares. “Um estado vocacionado ao campo como Mato Grosso obviamente não pode deixar de olhar para a agricultura familiar de pensar a melhor distribuição de renda do campo”, frisou.
Representando todos os prefeitos que foram contemplados, o prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat, lembrou que uma das metas do atual Governo é fazer mais pelo social, investindo em moradias e na agricultura familiar. “Parabenizo o senhor por isso, por ter recuperado as finanças do Estado para poder trabalhar com um olhar para o Social”, falou o prefeito.
A solenidade de entrega aconteceu na Central de Abastecimento de Agricultura Familiar de Várzea Grande. Também estiveram presentes os secretários de Estado Mauro Carvalho (Casa Civil), Laice Souza (Comunicação), Cesar Miranda (Desenvolvimento Econômico), coronel PM César Augusto de Camargo Roveri (Segurança Pública), tenente-coronel PM Jordan Espíndola dos Santos (Gabinete do Governador); os deputados estaduais Thiago Silva, Max Russi, Dr. João; o presidente da Empaer-MT, Renaldo Loffi; prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, entre outras autoridades e representantes dos produtores rurais.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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