Política
Governo de MT anuncia asfaltamento da MT-400 e obra deve iniciar em abril de 2022
O deputado federal Neri Geller lembrou de outras ações que o Governo do Estado realiza para a infraestrutura e para a baixada cuiabana.
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O Governo de Mato Grosso vai asfaltar a rodovia MT-400, conhecida como antiga Estrada da Guia. Aguardada há mais de 40 anos, a pavimentação vai trazer desenvolvimento e beneficiar os moradores de regiões como o Distrito do Sucuri, Tarumã e Bandeira. O anúncio da obra foi feito durante uma visita na região neste sábado (16.10), realizada pelo governador Mauro Mendes, acompanhado de demais autoridades.
A estrada tem aproximadamente 16 km de extensão e liga a região do Sucuri até a MT-010. O projeto da obra já está sendo elaborado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e o asfalto será feito com recursos próprios do Governo do Estado e de emendas parlamentares. A expectativa é que os trabalhos comecem em abril de 2022.
O dinheiro para a obra, inclusive, já está garantido, como lembrou o governador Mauro Mendes. “No nosso governo eu não lanço nenhuma obra se não tiver 100% de certeza que o dinheiro está no caixa para começar e terminar. Se Deus quiser, por volta de abril do ano que vem vocês já vão ver uma empreiteira aqui para fazer esse asfalto”, disse.
De acordo com o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, o projeto básico da obra foi entregue na última sexta-feira (15) e agora ele está em análise dentro da Sinfra-MT. A expectativa agora é pela aprovação do projeto executivo até o fim deste ano. Com o projeto, a planilha e o licenciamento ambiental, a licitação será lançada.
“O Governador Mauro Mendes está fazendo um resgate da história, pois essa era a estrada que ligava Cuiabá até Rosário Oeste, por onde passava todo o comércio. Essa é uma obra que vem trazer desenvolvimento para uma região que estava esquecida. Eu não tenho dúvida que o empresário quer investir onde tem infraestrutura e que aqui vão sair vários empreendimentos e que isso vai gerar emprego e renda para Cuiabá”, afirmou Marcelo.
Morador do Tarumã há 25 anos, Osvaldo Camera lembrou que há muito tempo a comunidade espera pelo asfalto. Ele lembrou que essa é uma zona rural próxima da capital, mais perto do centro da cidade do que muitos bairros periféricos. “É uma tendência muito grande da capital crescer para esse lado. A importância desse asfalto é trazer o desenvolvimento a todos os pequenos produtores que moram aqui”, afirmou.
Já Lucia Nunes, que há 16 anos mora na região, lembra que já perdeu a conta de quantas vezes ouviu falar desse asfalto, mas que agora tem confiança que ele vai sair. “É uma maravilha demais para a gente que vive aqui com muita poeira na estrada. A casa não para limpa”, afirmou.
O deputado federal Neri Geller lembrou de outras ações que o Governo do Estado realiza para a infraestrutura e para a baixada cuiabana, como a primeira ferrovia estadual, que vai realizar o sonho da cidade em ver os trilhos do trem chegando. “Essa gestão tem compromisso com o interior, mas está viabilizando também a capital. Essa é a importância de ter um Estado que fez o dever de casa, que organizou as finanças, que pôs em dia a folha de pagamento e que trouxe para si a condição de fazer investimentos na ordem de 15% do orçamento”, garantiu.
Mauro Mendes lembrou de outras obras realizadas na capital. A MT-400 ganhou, recentemente, uma ponte de concreto de 40 metros sobre o Rio Bandeira. Fora isso, será construído o rodoanel, o hospital central e também o hospital Júlio Muller. Três obras que, juntas, somam mais de R$ 500 milhões em investimentos. Em todo o Estado, são mais de 2.500 km de rodovias previstos para serem entregues até o ano que vem, como parte do programa Mais MT.
“A população quer que a gente trabalhe com seriedade e entregue as coisas. O que eu estou fazendo aqui é cuidar bem do dinheiro de vocês, cuidando bem dos impostos, cuidando bem do nosso Estado, para que ele possa continuar se desenvolvendo e devolvendo esse dinheiro em forma de benefícios”, disse.
O deputado estadual Paulo Araújo, que tem acompanhado a expectativa da comunidade pelo asfalto, agradeceu o governador pelo empenho na realização da obra. “Esse é um pedido da comunidade e há uma expectativa muito grande pelo início dessa obra e o senhor é um fazedor de obras de primeira”, garantiu.
O senador Carlos Fávaro lembrou o resgate histórico e da dignidade da região, além da oportunidade de trazer o desenvolvimento econômico. “Não podemos viver em um estado com pequenas bolhas de prosperidade, onde uns tem uma oportunidade de se desenvolver e trazer condições melhores para sua família, enquanto outros apenas ficam assistindo essa oportunidade passar”.
A comitiva, que também foi formada pelos deputados estaduais Eduardo Botelho e Romoaldo Jr, pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, secretário-chefe de Gabinete do Governador, Jordan Espíndola, e secretários de Fazenda, Rogério Gallo, Segurança Pública, Alexandre Bustamante, Comunicação, Laice Souza, e de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra, percorreu os 16 km da MT-400, a partir do seu entroncamento com a MT-010, até a comunidade do Sucuri.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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