COMPROMISSO
“Fortalecer os municípios permite que as melhorias cheguem mais rápido ao cidadão”, diz secretário-chefe da Casa Civil
O secretário-chefe da Casa Civil participou do encontro de integração com prefeitos eleitos e reeleitos realizado nesta quarta-feira (27.11) e destacou a política municipalista do governo
Política
Em um evento marcado pelo debate sobre o fortalecimento das administrações municipais, o secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Fábio Garcia, reforçou o compromisso do governo estadual com a política municipalista, durante o encontro de integração com prefeitos eleitos e reeleitos realizado nesta quarta-feira (27.11), no Palácio Paiaguás. O evento reuniu gestores de todo o estado e teve como objetivo alinhar as ações das próximas gestões com as prioridades do governo, destacando as parcerias que têm transformado os municípios mato-grossenses.
Garcia ressaltou que o modelo de gestão adotado nos últimos anos em Mato Grosso tem garantido investimentos recordes, consolidando o estado como referência no apoio às administrações municipais. “Nosso objetivo é fortalecer essa parceria com os prefeitos, garantindo que os recursos estaduais sejam aplicados diretamente em melhorias para a população. Nos últimos seis anos, firmamos mais de 5.500 convênios, totalizando R$ 5 bilhões em investimentos nos municípios. É uma marca que reflete nosso compromisso com o desenvolvimento local”, afirmou.
Durante o encontro, Fábio Garcia destacou a importância da política municipalista na gestão estadual. Ele enfatizou que a descentralização dos investimentos e a parceria direta com os municípios têm permitido avanços significativos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública. “A lógica é simples: quando fortalecemos os municípios, garantimos que as melhorias cheguem mais rápido a quem realmente importa, que é o cidadão”, pontuou.
O secretário também lembrou que a Casa Civil desempenha um papel essencial nesse processo, sendo a ponte entre o governo e as prefeituras. “Nossa missão é garantir que as demandas municipais sejam atendidas de forma célere e eficiente. Estamos estruturando uma equipe dedicada para atender cada município, facilitando o diálogo e assegurando que os projetos avancem sem entraves burocráticos”, explicou Garcia.
Os resultados dessa política municipalista foram apresentados durante o evento. Em destaque, as obras de pavimentação, construção e reforma de escolas, ampliação de unidades de saúde e investimentos em segurança pública que transformaram a realidade de diversas regiões. “Esse é o resultado de uma gestão que trabalha lado a lado com os prefeitos, ouvindo suas necessidades e atuando de forma conjunta para levar qualidade de vida à população”, afirmou o secretário.
Garcia também aproveitou para reforçar a importância de iniciar a próxima gestão nos municípios de forma integrada. “Os próximos quatro anos passam muito rápido. Por isso, é essencial garantirmos, logo no início dos mandatos, que os investimentos estaduais continuem chegando com eficiência aos municípios,” disse.
O encontro simboliza a abertura do governo estadual para o diálogo com os gestores municipais. Fábio concluiu destacando que o governo seguirá investindo no desenvolvimento das cidades, promovendo ações que consolidam Mato Grosso como referência nacional. “Nosso compromisso é com os prefeitos e, sobretudo, com a população mato-grossense. Trabalhando juntos, podemos construir um estado mais justo, próspero e eficiente para todos,” finalizou.
Durante o evento, os prefeitos tiveram a oportunidade de conhecer todas as as possibilidades de convênios e parcerias com as Secretarias de Fazenda; Desenvolvimento Econômico; Cultura, Esporte e Lazer; MT Par; Segurança Pública; Educação; Meio Ambiente; Saúde; Agricultura Familiar; Ciência, Tecnologia e Inovação; Assistência Social e Cidadania; e Infraestrutura e Logística.
A iniciativa reforça a atuação do Executivo Estadual para atender as demandas municipais, promovendo desenvolvimento sustentável e serviços de qualidade para a população.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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