CONSCIENTIZAÇÃO COLETIVA

“Entre o celebrar e o refletir, precisamos também agir!”

“Para mudar essa realidade que hoje nos encontramos, o primeiro passo é ter a clareza de que preservação ambiental vai muito além do plantio de uma muda de árvore”

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Política

Foto: Luiz Alves

ARTIGO – Nesta terça-feira, 21 de setembro, celebramos mais um Dia da Árvore. Uma data que foi instituída no Brasil há 56 anos, por meio do Decreto Federal nº 55.795/1965, com o objetivo de reforçar a importância desse bem natural nas nossas vidas e na vida de todo o Planeta Terra. Desde sua criação, a data também é utilizada para potencializar atividades de celebração e reflexão. Ações essas dignas de louvor, mas que não são suficientes!

Em uma cidade que é historicamente conhecida como “Cidade Verde”, não podemos, obviamente, deixar de comemorar um dia especial. É também uma grande oportunidade para aproveitar esse momento especial para falar de educação ambiental, refletir sobre a nossa responsabilidade com a preservação da natureza. Mas, é igualmente necessário irmos além. Precisamos agir!

E quando falo em agir, não me refiro apenas ao ato de plantar uma árvore. Temos que pensar no meio ambiente de forma macro e retomar um caminho que nos leve a imprescindível harmonia com tudo que está ao nosso redor. Afinal, o homem vive na Terra, pertence à Terra, mas não está sozinho nela e tão pouco sobreviveria se fosse essa a realidade. Somos mais uma entre as imensuráveis quantidades de espécie que fazem desse planeta seu habitat.

Que fique claro também que quando digo “Precisamos agir!” não estou limitando essa necessidade ao Poder Público. Um órgão público pode criar dezenas de ações, colocar em práticas outras centenas de projetos, mas sem uma participação ativa da população pouco, ou quase nada, irá produzir os resultados efetivos planejados e continuaremos caminhando como se estivéssemos em uma esteira, sem sair do lugar.

Precisamos agir! No entanto, essa atuação não pode ser isolada de uma parte ou de outra. Não há a menor possibilidade de avançarmos na preservação ambiental, se Poder Público e sociedade não caminham lado a lado, em sintonia, e em um esforço conjunto em prol do mesmo objetivo. Sem essa união, a tendência é passarmos mais 56 anos celebrando ações pontuais, positivas e dignas, mas que não atendem a demanda de forma completa.

Para mudar essa realidade que hoje nos encontramos, o primeiro passo é ter a clareza de que preservação ambiental vai muito além do plantio de uma muda de árvore. E mais: plantar uma árvore não nos dá um passaporte de liberação para praticar livremente outras atrocidades com a natureza. De nada vale plantar uma árvore, se continuarmos descartando lixo de forma irregular, fomentando a criação de bolsões de lixo em toda cidade.

Esse valor também se perde quando seguimos anualmente maltratando a fauna e a flora do Pantanal Mato-grossense com queimadas irregulares, poluindo nossos rios córregos, lançando gases poluentes em excesso na atmosfera, devastando nossas florestas, ou simplesmente jogando o palito de picolé, o copo descartável e a bituca de cigarro fora da lixeira.

Portanto, é oportuno promovermos todas as atividades possíveis para celebrar essa data especial. É essencial refletirmos sobre nosso papel na preservação do meio ambiente como um todo. Todavia, é primordial que tudo isso seja acompanhado da ação. Ação diária, constante, e não isolada em algumas ocasiões especiais. 

José Roberto Stopa – vice-prefeito e secretário de Obras Públicas de Cuiabá

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Política

Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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