Governo de MT
Empresas lideradas por mulheres expandem negócios com linhas de crédito
Em 2022, mais de 50% das operações de crédito são destinadas para empreendedoras na Desenvolve MT
Política
Mulheres empreendedoras vêm se destacando cada vez mais e assumindo o papel de protagonistas na economia, contribuindo com a geração de emprego e renda em Mato Grosso.
Em 2022, a agência de fomento do Estado, Desenvolve MT, liberou mais de R$11,8 milhões em crédito para mulheres empreendedoras, o que corresponde a 53,83% das operações realizadas naquele ano. A média dos financiamentos contraídos em 2022 foi em torno de R$ 28 mil, sendo que a maioria das contratações foi por microempreendedores individuais (MEIs), seguido de microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).
As principais áreas de atuação das mulheres que procuram crédito na agência são os setores de alimentação, serviço de beleza, confecção e comércio. As linhas de crédito mais procuradas são capital de giro, o programa mulher empreendedora e investimentos.
Os pequenos negócios são parte importante do empreendedorismo feminino, como é o caso da empresa Encatário Estúdio Criativo, em Cuiabá. A empreendedora, Fátima dos Santos, possui um ateliê de costura onde confecciona bonecas e bonecos de pano. A empresária usou o crédito da Desenvolve MT para investir em seu negócio e profissionalizar o seu ateliê. Investiu em sacolas, caixas, etiquetas e papel timbrado para agregar valor e entregar os produtos em uma embalagem especial para as clientes.
“Quando eu decidi deixar meu trabalho de carteira assinada e empreender, eu procurei focar no resultado que queria, e não parei para pensar nas dificuldades. Mesmo o meu trabalho sendo criativo, eu não romantizo, e é pensando desta forma que sigo enfrentando os desafios, muito confiante”, conta.
Atualmente a empreendedora emprega uma funcionária e produz, em média, 40 bonecas ao mês. A comercialização é feita pelas redes sociais e marketplace. Fátima segue animada e confiante, e pretende lançar, na segunda quinzena de março, um curso de bonecas de pano pela internet.

Créditos: Divulgação
Outro exemplo de mulheres que estão fazendo a diferença com seus negócios são as empreendedoras Patrícia e Dandara, da loja Semedo Shoes.
O negócio nasceu de uma necessidade. Em 2019, Dandara teve dificuldades em encontrar um calçado para o seu casamento. Ela conta que em Cuiabá não existia loja especializada em produzir calçados para noivas, com conforto e qualidade, e foi a partir desse momento que ela resolveu empreender.
“Pesquisei, busquei fornecedores, estudei o mercado de noivas, e resolvi dar vida ao meu negócio. Em agosto abri a loja, em setembro eu me casei com o meu primeiro produto”, conta.
Assim como o vestido, a maquiagem, o penteado e os acessórios, o sapato é um item importante para a noiva. Por isso, após o período de pandemia, no final do ano passado, a empreendedora resolveu sair da sua casa, onde mantinha um showroom, e investir em uma loja física no centro de Cuiabá.
“Os custos são muito altos, então o crédito ajudou a alavancar o nosso negócio e abrir a nossa loja. Estamos nos estruturando para contratar a nossa primeira funcionária”, conta a sócia Dandara Semedo.
Políticas Públicas
Segundo dados do Sebrae-MT divulgados no ano passado, 71% das mulheres empreendedoras são a principal fonte de renda da família. Um dos principais desafios, conforme a pesquisa, é o acesso a linhas de crédito e taxas de juros altos. O crédito é fundamental para o empreendedorismo feminino, pois fornece as ferramentas financeiras necessárias para que as mulheres possam iniciar e expandir os seus negócios.

Créditos: Jana Pessôa
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, explica que a proposta do programa voltado para mulheres empreendedoras, ofertado pelo Governo de Mato Grosso, é gerar impacto social ao oferecer mais oportunidades para que as mulheres abram seu próprio negócio e fortaleçam a empresa.
“O incentivo às mulheres no empreendedorismo é um avanço. Em tempos remotos, nós precisávamos do aval do homem para conseguir qualquer um financiamento ou qualquer outra situação. Esse programa transforma a vida de toda uma família e torna a mulher cada vez mais independente”, afirma Virginia Mendes.
Para a diretora de crédito da Desenvolve MT, Anne Cristine Siqueira, o movimento empreendedor feminino causa uma grande transformação na sociedade, e escolher abrir um negócio é uma forma de empoderamento. “As mulheres estão na liderança, na criação de novos negócios. No entanto, os desafios da mulher empreendedora são muitos é preciso encontrar maneiras de superá-los para se destacar no mercado”, explica.
O Governo de Mato Grosso destinou R$ 50 milhões para o programa social Mulheres Empreendedoras, lançado em dezembro de 2021 – uma linha de crédito para incentivar mulheres de todas as idades que estejam à frente de seus negócios e que desejam investir e melhorar o seu empreendimento, gerando emprego e renda.
Atualmente a Desenvolve MT possui seis linhas de crédito em seu portfólio de produtos destinados a investimentos, compra de equipamentos, capital de giro entre outros.

Créditos: Divulgação
Política
Fundo Eleitoral reduz desigualdade entre partidos, mas diferenças internas persistem
Com a expansão do financiamento público nas campanhas eleitorais entre 2018 e 2022, a desigualdade entre os partidos na distribuição desses recursos diminuiu. A conclusão está no Texto para Discussão 367, do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa do Senado. Apesar disso, o estudo mostra que o movimento não ocorreu da mesma maneira dentro das legendas, onde a distribuição ainda depende dos critérios de cada partido.
O texto é assinado pelo consultor legislativo Clay Souza e Teles. O estudo usou dados de candidaturas, prestações de contas e resultados eleitorais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral para analisar como foram alterados o alcance e a desigualdade dos recursos destinados às candidaturas a deputado federal, estadual e distrital.
De acordo com o consultor, entre 2018 e 2022 a dotação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, cresceu aproximadamente 133%, descontada a inflação. Com isso, houve aumento tanto na cobertura (número de candidaturas que receberam recursos) quanto no valor médio destinado a cada candidato.
Entre os dois pleitos, a cobertura aumentou 49% nas eleições para deputado federal (de 5.517 para 8.255 candidatos) e apenas 4% nas assembleias estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (de 12.110 para 12.592 candidatos). Já o valor médio recebido por candidato financiado cresceu 48% para candidatos a deputado federal e 84% para candidatos aos legislativos estaduais.
Embora os resultados mostrem que a expansão dos fundos públicos foi acompanhada da ampliação do acesso e da redução da desigualdade, o texto aponta que o potencial equalizador foi parcial. A mudança fez com que houvesse a desconcentração entre partidos, especialmente nas eleições para deputado federal, mas não uma distribuição mais homogênea dentro das legendas.
Índice
O estudo utilizou o índice de Theil, que mede a desigualdade na distribuição de recursos.
Para medir separadamente a desigualdade entre os partidos e a desigualdade dentro de cada partido, o índice foi decomposto em um componente interpartidário (entre partidos) e em um componente intrapartidário (dentro dos partidos).
Quanto mais próximo de zero estiver o índice, menor será a desigualdade observada.
Nas eleições para deputado federal, a desigualdade entre partidos caiu de 1,024 em 2018 para 0,507 em 2022 (uma redução de 50,5%). Já o componente intrapartidário diminuiu de 0,589 para 0,508 (uma variação bem menor, de 13,75%).
Além disso, em 2018 o componente interno às legendas representava aproximadamente 36% da desigualdade média entre candidatos à Câmara dos Deputados. No pleito de 2022, os dois componentes se tornaram praticamente equivalentes: o componente intrapartidário chegou a 49,8%.
Critérios internos
O resultado, explica o estudo, não vem do aumento nas diferenças internas, mas sim da diminuição das diferenças entre partidos. “Com efeito, à medida que as diferenças na disponibilidade de recursos públicos entre partidos diminuem, os critérios internos de priorização tornam-se mais relevantes para compreender a desigualdade remanescente”, conclui o texto.
Para o consultor, a persistência de desigualdades intrapartidárias não conduz, por si só, à necessidade de novas restrições à liberdade de decisão dos partidos sobre como distribuir esses recursos, mas indica a necessidade de discutir como é possível compatibilizar essa autonomia com critérios como transparência, objetividade e igualdade de oportunidades para o rateio interno.
Financiamento público
A proibição de doações eleitorais por pessoas jurídicas é resultado de decisão do Supremo Tribunal Federal tomada em 2015 — e foi isso que mudou as bases do financiamento eleitoral no Brasil. Após as eleições de 2016, foi criado o Fundo Eleitoral, que se somou ao já existente Fundo Partidário.
Os recursos desses fundos são distribuídos aos partidos com base na representatividade no Congresso Nacional. Já a distribuição aos candidatos é feita de acordo com os critérios de cada partido, respeitando os percentuais mínimos por gênero e cor/raça.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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