"Sustentabildiade"
Conferência discute produções sustentáveis no Pantanal
Há necessidade de fazer os ajustes. As terras úmidas são de uso restrito, por isso, elas têm que ser preservadas para manter o equilíbrio do planeta terra
Política
Na manhã do terceiro dia da Conferência sobre o Estatuto do Bioma do Pantanal Mato-Grossense, realizado nesta sexta-feira (12), a discussão foi sobre a “Produção sustentável nas diversas das atividades econômicas pantaneiras”. O debate foi conduzido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Joel Ilan Paciornik.
Na avaliação do ministro, o Estatuto do Pantanal traz condições de harmonizar o meio ambiente sustentável para a realização das atividades econômicas, que são princípios da Constituição Federal.
“As pessoas têm que conhecer as leis e, com isso, podem desenvolver suas atividades econômicas com segurança jurídica. Para isso, as normas jurídicas têm que ser muito claras”, disse Paciornik.
A primeira palestra do dia foi da pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Embrapa/Pantanal), Sandra Aparecida Santos. Ela afirmou que a Embrapa vem trabalhando com a pecuária de corte há décadas e, por isso, é a principal atividade econômica da região.
“Por isso quase 90% do Pantanal é formado de propriedades particulares. Eles tomam as decisões na região. Em função disso, a Embrapa tem trabalhado para aplicar a ferramenta para a produção sustentável. É um diagnóstico e, a partir disso, que busca definir boas práticas às fazendas contribuírem com a conservação dos serviços do ecossistema, gerando rentabilidade ao produtor de forma sustentável”, disse Sandra Santos.
De acordo com a pesquisadora, a pecuária de corte está sendo desenvolvida no Pantanal há 200 anos por causa da vocação natural – da extensa área de pasto nativo. A segunda atividade explorada na região é a pesca (profissional, turística, artesanal e de subsistência). Já a terceira atividade econômica explorada na região é a de turismo. Ela disse ainda que outra atividade explorada na região é a extração mineral.
“Cerca de 88% do Pantanal é constituído para criação de gado de corte. Na região há 3,8 milhões de cabeças de gado, cerca de 1,1 milhão de bezerros. Por isso a importância do produtor rural na construção das diretrizes do Estatuto do Pantanal. Eles estão dispostos a trabalhar a economia de forma sustentável”, explicou a pesquisadora.
Ela disse ainda que um dos grandes desafios para a região pantaneira é o da redução de 30% da emissão do gás metano, até 2030. “É preciso buscar a segurança alimentar. A população está aumentando e é preciso alimentá-la de forma sustentável”, disse.
Em relação ao consumo de água na pecuária, a pesquisadora afirmou que o liquido é importante para a produção de alimentos e criação de animais, especialmente, do gado. “No Pantanal tem aproximadamente 3,3 milhões de cabeças de gado, cada um consume cerca de 40 litros de água, totalizando o consumo de 88,6 milhões litros de água por dia. Para cada quilo de carne produzida são necessários 14 mil litros de água. Desse total é 1% que o animal bebe, o restante vem do alimento”, disse a pesquisadora.
Uma das debatedoras, a professora-adjunta do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Giseli Dalla Nora, disse que o Projeto de Lei 5.482/2020 – já conhecido como o Estatuto de Pantanal – tem como objetivo regular a conservação, proteção e a exploração sustentável do bioma.
“O estatuto possibilitará maior segurança jurídica e ações integradas e coordenadas pelos estados – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – abrangidos pela maior planície alagada do mundo”, disse Dalla Nora.
Ela afirmou que além das explorações tradicionais como a pecuária e a pesca na região pantaneira, é preciso dar atenção a outras atividades, alternativas viáveis à economia dos pequenos produtores. Segundo ela, o Pantanal extrapola as fronteiras brasileiras e, por isso, a população acaba exercendo outro tipo de produção econômica.
“Essa população produz banana e mandioca chips. As pessoas adoram consumi-las. É preciso valorizar os pequenos produtores. A gente tem que pensar nessas atividades produtivas. Na região, há associações produzindo os mais variados produtos de forma sustentáveis. Esses alimentos compõem a cadeia produtiva de sustentabilidade”, disse.
A desembargadora Maria Bezerra Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), disse que a produção no bioma Pantanal, embasada no Projeto de Lei nº 5.482/2020, traz como princípio a conservação, a proteção e a exploração sustentável do da maior área alagada do mundo.
“Há necessidade de fazer os ajustes. As terras úmidas são de uso restrito, por isso, elas têm que ser preservadas para manter o equilíbrio do planeta terra. Ela não pode ser explorada da mesma forma que as demais áreas do país. A sua exploração tem que ser monitorada e fiscalizada. E muitas atividades devem ser controladas e até mesmo impedidas de serem executadas”, disse Ramos.
Em tramitação
As sugestões apontadas durante os dois dias de discussão sobre o bioma Pantanal devem ser incorporadas ao Projeto de Lei nº 5.482/2020, de autoria do senador Wellington Fagundes (PL/MT), em tramitação no Senado Federal.
De acordo com o senador Wellington Fagundes, há um entendimento com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, para instalação de um Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, com a sede na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sendo um órgão oficial da União em Mato Grosso.
Foto: Angelo Varela / ALMT
Política
Wilson Santos defende políticas de segurança alimentar e apoio a famílias vulneráveis
Entre as 21 emendas apresentadas ao Projeto de Lei nº 692/2026, que estabelece as diretrizes para o orçamento estadual de 2027 (PLDO), está a proposta de n.° 27 do deputado estadual Wilson Santos (PSD) para apoiar e desenvolver ações de segurança alimentar e enfrentamento à fome em Mato Grosso. A iniciativa foi motivada pelo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que mapeia a situação dos 142 municípios mato-grossenses em relação ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade.
A proposta também resgata uma iniciativa que marcou a gestão do parlamentar como prefeito de Cuiabá, que foi a construção do Restaurante Popular, em 2007, onde permanece em funcionamento e oferece diariamente mais de mil refeições ao preço de R$ 2,00. “Eu construí esse restaurante e atendia uma antiga reivindicação da classe trabalhadora, principalmente dos assalariados que acabavam investindo parte do pequeno salário em alimentação. O restaurante ajuda muitas pessoas, gente humilde e a comida é muito boa”, destacou.
Conforme a justificativa da emenda apresentada pelo deputado, o objetivo é expandir o atendimento à população em situação de insegurança alimentar e promover a integração entre as políticas de assistência social, segurança alimentar, desenvolvimento rural e inclusão social. A proposta busca fortalecer a atuação do Estado no enfrentamento à pobreza e à exclusão social.
Para Wilson Santos, investir em alimentação de qualidade também pode contribuir para reduzir a pressão sobre os serviços públicos de saúde. “Economiza na conta da saúde, alimentando bem, vai menos a uma unidade de saúde. É importante reduzir as desigualdades sociais e a proteção das famílias em situação de vulnerabilidade”, comentou.
O PLDO 2027 prevê receita líquida de R$ 42,1 bilhões e impacto estimado em R$ 862,6 milhões. O projeto segue para análise das emendas parlamentares. Após essa etapa, as propostas aprovadas integrarão a redação final da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027.
Fonte: ALMT – MT
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