AGASALHANDO
Campanha de Inverno arrecadou 70 mil cobertores em quatro anos
Campanha é coordenada pela primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro; moradores em situação de rua são assistidos
Política
A campanha Aquece Cuiabá arrecada todos os anos cobertores que são destinados pela Prefeitura de Cuiabá às pessoas em vulnerabilidade social apontadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência. Foram em torno de 70 mil cobertores em quatro anos de doações feitas pela sociedade, grupos organizados e filantropia.
De acordo com a primeira-dama, Márcia Pinheiro, idealizadora do projeto, é preciso valorizar o número geral de arrecadação quando a ação se trata de doação espontânea e não de aquisição em compra direta que denota o atendimento sócio assistencial dissonante da ideia pregada pela gestão, que é a efetivação do direito social e a condição necessária para construção da cidadania plena.
“Nós precisamos olhar sob o ponto de vista do envolvimento popular, das pessoas indo doar, oferecendo ajuda e se conscientizando sobre a sua parcela da responsabilidade social. A prefeitura é apenas um suporte [distribuir] porque a prioridade dela é construir condições para que essas pessoas simples possam adquirir o seu cobertor e agasalho”, explicou.
A primeira-dama lembrou da inspiração para a criação da campanha, que veio das tradicionais ações de inverno realizadas pelas ruas de São Paulo aos moradores em situação de rua.
“Nós trouxemos essa inspiração e alinhamos com a nossa realidade. São muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social que não possuem cobertores, agasalhos porque a característica do clima aqui é muito quente. Mas, quando o frio chega eles precisam se proteger e eles já contam com essa doação que está consolidada no calendário cuiabano”, disse.
O atendimento anual é em torno de 15 a 20 mil famílias, que varia de acordo com o Cadastro Único da prefeitura e as apontadas pelos conselhos municipais, além das instituições organizadas e associações de bairros que procuram o Núcleo de Apoio à Primeira-dama com pedidos de doação.
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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