VÁRZEA GRANDE

Autoridades sinalizam urgência na implantação da Delegacia da Mulher

Sônia Mazetto criticou a ausência dos vereadores que compõem o colegiado da Casa de Leis

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Política

Foto: SECOM VG

O requerimento para a realização do debate de implantação de Delegacia da Mulher 24h e ILML em Várzea Grande-MT foi proposto pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres, vereadora Rosy Prado. Conforme a parlamentar, é inadmissível que o município – com a segunda maior população de Mato Grosso – continue sem Delegacia 24h, Instituto Médico Legal (IML) e outros órgãos de segurança pública.

“Já fizemos esse debate antes e vamos continuar cobrando do Governo de Mato Grosso esses instrumentos. É inaceitável a falta de respeito com os várzea-grandenses vítimas de violência terem que ir em Cuiabá para ter esses atendimentos. Queremos que essas reivindicações sejam atendidas, porque são causas que têm sido defendidas há anos, e que precisamos sair da teoria para a prática”, defendeu a vereadora Prado.

Também estiveram no evento as vereadoras, Gisa Barros e Eucaris Arruda, entre outras autoridades do Poder Judiciário e das forças policiais.

A Desembargadora Maria Erotides disse que é importante participar dessas audiências e chamar a atenção da sociedade sobre as causas e os tipos de violência praticadas contra a mulher, e quem sabe mudar essa cultura de que mulher deve ser submissa.

“Quando a gente vai entender que feminicídio é crime de relação de poder do homem sobre a mulher? Todo feminicídio é torpe porque o homem continua pensando que ele é o dono da mulher, e quando ela ousa desobedecer, ela tem de morrer. Os dados são seríssimos, e as mulheres precisam deixar de ser estatísticas. Vamos discutir hoje o porquê; é necessário ter uma delegacia da mulher operando 24 horas. Vamos fazer um documento e conclamar os demais vereadores para juntos cobrar essas demandas aqui em Várzea Grande. Vamos lutar pela delegacia, ou vamos recusar em votar naqueles que não olham e não protegem as mulheres”, exclamou a desembargadora.

A secretária de Assistência Social, Ana Cristina Vieira disse que Várzea Grande vem há anos engajada numa luta em defesa da mulher e contra qualquer tipo de violência.

“O município faz parte da Rede de Enfrentamento; é uma luta incansável e que tem, sim, se destacado num avanço, em soluções. Temos aqui uma casa de amparo que abriga mulheres vítimas e violência, e em breve teremos uma outra unidade que também dará suporte às mulheres. E que elas tenham amparo e a sensação de pertencimento e fortalecimento para que possam recomeçar. É importante que todos saibam que temos um importante programa o Qualifica +VG. Tem mudado a vida de milhares de famílias com oportunidade de capacitação e independência financeira, na intermediação de seletivas de emprego”.

Conforme Ana Cristina, a autonomia financeira fortalece e auxilia a mulher a quebrar esse ciclo de violência. Citou que a Secretaria de Assistência Social não lida só com números, mas conhece pessoas com contextos e histórias. “Não vamos permitir que as mulheres caiam, porque os nossos braços têm de acolhê-las antes da queda”, asseverou.

SECOM VG

Sônia Mazetto criticou a ausência dos vereadores que compõem o colegiado da Casa de Leis, e disse que as questões relacionadas às mulheres não deveriam ser discutidas só por mulheres, mas também pelos homens, que têm papel fundamental nesses debates.

SECOM VG

“Nas discussões da Rede de Enfrentamento temos visto mães desesperadas que buscam auxílio e segurança. Muito nos preocupa saber que a própria lei dificulta o cumprimento das medidas que precisam ser tomadas. É necessário repensar o excesso de leis, e que estejamos realmente comprometidos com essa causa que não é só das mulheres, mas de todos nós”.

O Comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar de Várzea Grande, Tenente Gleber Cândido Moreno, disse que a instituição de segurança pública, geralmente, é a primeira a receber a ocorrência.

“Os registros de ocorrência de violência doméstica geralmente acontecem nos domingos, e as viaturas ficam empenhadas neste tipo de ocorrência. Os homens que estão acostumados a bater em mulher quando a gente chega eles ficam mansos de tão covardes que são. No enfrentamento de homem a homem não querem fazer, mas agridem suas esposas”.

Ainda salientou que a Polícia, além da parte ostensiva, obrigação constitucional, tem se valido Patrulha Maria da Penha, que trabalha após a ocorrência.

Oferecemos atenção às mulheres e queremos deixar claro que a PM está preocupada com a sua condição, de fazer os relatórios e encaminhar para nossos superiores. A gente solicita que as pessoas que têm conhecimento de violência praticada contra a mulher que denunciem e que informem imediatamente os canais de comunicação da Polícia Militar, para que possamos evitar esse tipo de situação”.

SECOM VG

 

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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