DAE/VG NA MIRA DE CPI

“Antes de instaurarem CPI, é preciso que o Legislativo local também olhe pelo retrovisor”, alfineta Flávia Moretti

Prefeita várzea-grandense reafirma estar apenas iniciando seu trabalho de quatro anos. “As novidades que todos esperam vão acontecer”, garante

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Que nem um efeito-dominó, esse início de administração da prefeita várzea-grandense já está desandando para eclodir uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito. Os vereadores várzea-grandenses sinalizam desejar explicações reais sobre denúncias de irregularidades no Departamento de Água e Esgoto do município. Por sinal, respaldadas, segundo o vereador Caio Cordeiro, do PL, na instabilidade reinante na área de abastecimento de água potável. Problema, também frisou, que não chega a ser nenhuma novidade em VG, mas uma tradição lamentável.

“Há esse desejo, sim, e não seria de espantar se realmente se tornasse um fato. O descontentamento da população tem pressionado bastante a Casa de Leis para que ultime providências enérgicas em relação ao DAE/VG, pois ninguém aguenta mais a falta d’água”, disse.

A prefeita Flávia Moretti, por sua vez, sublinhou que isso não seria mesmo nenhuma surpresa, posto que o ‘Reino de VG’ tende a ser detentor de atos sequenciais inéditos, alguns sem qualquer fundamento.

Créditos: DAE/VG

“Espanta-me é a celeridade com que tudo acontece por aqui, como se fosse um mundo à parte. Uma CPI em menos de 20 dias de gestão?! Inusitado, isso. Estamos em terra firme, e nessas condições precisamos sanar os problemas lucidamente e de maneira determinada, sem mágicas forçosas; ou mesmo interferências políticas, destituídas de fundamentos legais, mas que objetivam clara intimidação ao Executivo”. 

Por outro lado, a gestora se mostrou receptiva a todas as informações que possam vir a ser solicitadas, acaso a CPI seja instaurada.

“Vamos colaborar, pois temos a prerrogativa democrática de respeitar o que as instituições fiscalizadoras determinem, visto que são Poderes distintos. Lógico que o Legislativo dispõe de soberania para instaurar qualquer CPI que julgue ser necessária. Nossa estranheza diz respeito apenas ao DAE local, que, em nenhum momento da história, figurou no alvo de CPI(s)”.

Alfinetando, Moretti sugeriu que os parlamentares também se debrucem sobre seus antecessores [prefeitos] para vasculhar, com lupa, se tudo que fizeram esteve num cenário de maravilhas irretocáveis, não merecedoras de apuração.

“É ideal, até justo, que partam para também investigar os passos administrativos de quem já saiu do Paço Municipal. A julgar por julgar, todos devem merecer um olhar mais atencioso, não apenas os iniciantes”.

Moretti deixou claro também que está disposta a resolver os problemas de VG, e isto acontecerá gradualmente, não da noite para o dia. Então, a seu ver, falta compreensão lógica para quem cobra muito de sua gestão, em tão poucos dias.

“Ainda temos quatro anos para mostrar a que viemos, e faremos isto, com certeza. Os críticos de hoje terão que engavetar suas falas muito em breve…”

 

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Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.

O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.

A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.

Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.

Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.

A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.

Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Critérios para concessão também foram questionados

Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.

Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.

Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.

Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.

A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.

Câmara poderá derrubar veto

Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.

O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.



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