CRISE HÍDRICA

“Água potável virou ouro em Várzea Grande”; mais de 30 bairros padecem de sede”, afirma presidente da Câmara

Empossado na presidência do Legislativo, vereador Wanderley Cerqueira, MDB, afirmou que após o recesso parlamentar será desencadeada franca pressão junto ao Executivo para que cumpra as promessas de solucionar o abastecimento de água em VG

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“Não hasteamos bandeira opositora ao Executivo, mas também não somos coniventes com nada que prejudique a população várzea-grandense. E os habitantes da cidade têm passado muita sede há anos. Para se ter uma ideia, catalogamos mais de 30 bairros que registram sistema gravemente deficitário de abastecimento de água potável. Alguns, ficam até 12 dias com “chiado de vento” nas torneiras, sem uma gota sequer”, desabafou o presidente do Parlamento Municipal, vereador Wanderley Cerqueira, do MDB.

O recado é direto para que a prefeita Flávia Moretti (PL) realmente saia a campo para resolver aquilo que vinha prometendo durante a campanha eleitoral. Cerqueira cita que as eleições já terminaram, e agora é o momento de arregaçar as mangas, trabalhar com afinco para resolver aquilo se tornou drama geral dos habitantes da Cidade Industrial: falta d’água.

“Surpreendeu-nos algumas declarações destoantes da prefeita a respeito dessa questão. Uma delas diz respeito à privatização do sistema, que é algo que qualquer empresa da área de saneamento certamente cobiça. Porém, entre processo licitatório, levantamentos do que vai ser feito, etc. e tal., isto demanda dois a três anos, talvez mais. E como fica a situação dos várzea-grandenses que querem água para hoje?. Durante esse período, o que vai ser feito do DAE – Departamento de Água e Esgoto?”

Outro questionamento do parlamentar é com referência a alguma medida imediata da prefeita para que suas promessas não se tornem parábolas impraticáveis. Vamos torcer para que o anúncio dela [prefeita] hoje de interligar emergencialmente a antiga ETA com a nova,  a fim de resolver a questão de abastecimento do Cristo Reis. Se der certo, o que será feito para findar com o mesmo problema nos demais bairros?”

No entendimento da gestora, essa interligação de ETA(s) pode efetivamente resolver a seca de água potável que atinge VG há décadas, prevalecendo regularidade sequencial no abastecimento.

Cerqueira enumera que VG possui cinco ETA(s) – Estações de Tratamento de Água [ETA Cristo Rei, ETA Barra do Pari, ETA Imigrantes, ETA Júlio Campos e ETA Ulisses Pompeo de Campos]. Independente dessa estrutura, o abastecimento geral ainda está a desejar, atingindo proporções deficitárias catastróficas.

“Enfim, não sou técnico da área hídrica. Resta que o indicado pela prefeita (cel. Sandro Azambuja) realmente consiga resolver esse desabastecimento em 100 dias, conforme anunciou. Mesmo porque ele participou de todo o processo de transição, e deve estar municiado de dados técnicos para saber exatamente o que fazer. Por enquanto, estamos dando tempo para que a nova gestão se organize, ultime as providências cabíveis a cada setor. Daqui a 30 dias vamos começar a realizar uma série de visitas ao DAE e à Prefeitura para cobrar soluções. As mesmas que a então candidata Flávia Moretti anunciou ao se lançar no páreo eleitoral”.

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Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.

O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.

A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.

Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.

Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.

A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.

Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Critérios para concessão também foram questionados

Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.

Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.

Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.

Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.

A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.

Câmara poderá derrubar veto

Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.

O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.



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