Duplo Homicídio
Juíza destaca ‘sensação de impunidade’ e ‘desprezo por decisões’ ao manter prisão de filho de deputado
A decisão de pronúncia contra ele foi proferida no último dia 4 de maio.
Polícia
ATUALIZADA às 12h06 – A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, Titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, manteve a prisão de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o “Carlinhos Bezerra”, filho do ex-deputado e presidente regional do MDB, Carlos Bezerra pelo feminicídio de Thays Machado e homicídio de William César Moreno em janeiro de 2023. Na decisão a magistrada disse que o suspeito demonstrou “desprezo” pelas decisões judiciais e “sensação de impunidade” ao cometer o crime em plena luz do dia.
A Justiça havia concedido a Carlinhos Bezerra a prisão domiciliar para que cuidasse melhor da saúde. Ele foi preso no último dia 28 de fevereiro por quebra de cautelares. Bezerra saiu de casa em 9 dias diferentes, sem autorização.
A decisão de pronúncia contra ele foi proferida no último dia 4 de maio. A juíza Ana Graziela decidiu reavaliar a necessidade da prisão de Carlinhos Bezerra por considerar que já está preso há quase 90 dias. Ela destacou que o objetivo também é evitar “qualquer alegação de nulidade”.
A magistrada entendeu que a prisão ainda é necessária, já que não houve qualquer alteração nos fatos que justificasse a revogação. Pontuou também que o prazo que ele permanece preso não é abusivo, considerando a gravidade dos fatos, além de que ele desobedeceu a outra medida que havia obtido.
“Ao custodiado foi conferido pelo Tribunal de Justiça a oportunidade de prisão domiciliar, ante a suposta alegação de extrema debilidade, todavia, transcorridos 90 dias, o mesmo além de não comprovar a extrema debilidade, ainda descumpriu as cautelares impostas, demonstrando o seu desprezo pelas ordens e decisões emanadas pelo judiciário, permanecendo claro que a oportunidade conferida ao autuado, não surtiu efeito”.
No entendimento da magistrada, ainda estão presentes os requisitos e fundamentos da prisão, a magistrada manteve a custódia de Carlinhos Bezerra.
A juíza destacou ainda a “sensação de impunidade que o denunciado ostentou possuir, praticando crimes bárbaros (um feminicídio e um homicídio qualificado), em plena tarde de um dia de semana, perto de uma avenida movimentada, na porta de prédio residencial no qual reside a mãe de uma das vítimas, desferindo diversos tiros que, inclusive, poderiam ter atingidos outras pessoas e da demonstração de desprezo pela vida”.
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