Polícia
Câmeras GoPro serão utilizadas para gerar provas em Operações da Lei Seca
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Entre janeiro e setembro deste ano, 251 motoristas mato-grossenses recusaram-se a fazer o teste do bafômetro, exame clínico, perícia ou outro procedimento que certifica a ingestão de álcool. Nesses casos em que o condutor se recusa e está em visíveis condições de embriaguez (que ferem o Art.165 A do Código Brasileiro de Trânsito – CTB), as autoridades recorrem às provas testemunhais, geralmente baseadas em relatos dos policiais que participaram da abordagem. Todo este trâmite, iniciado com o oferecimento de ação penal pelo Ministério Público, dura de dois a três anos, requer intimação das testemunhas e estas, muitas vezes, têm dificuldade para lembrar caso a caso.
A partir da próxima semana, porém, os policiais que atuam na Operação Lei Seca em Cuiabá e Várzea Grande contarão com um novo aliado para a produção de provas: a câmera GoPro. Por meio de um pedido feito pelo promotor da 10ª Vara Criminal, Marcos Regenold Fernandes, acatado pelo juiz da 10ª Vara Criminal, Wladys Amaral, foram liberados R$ 15 mil para aquisição dos equipamentos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). Deste total, foram utilizados R$ 12 mil com a compra de 14 câmeras GoPro, e o restante foi devolvido ao Judiciário. Esses recursos são oriundos de multas e fianças arrecadados pela vara.
Os equipamentos ficarão acoplados ao fardamento dos policiais que atuam na Operação Lei Seca, e gravarão toda a abordagem, com possibilidade de atestar o estado de embriaguez do condutor. Mas, além disso, a intenção é que as câmeras também garantam transparência e segurança ao cidadão. “Esta é uma prova que não se perde e que vai auxiliar não só o trabalho das autoridades, mas também assegura transparência ao processo e resguarda o motorista abordado contra possíveis abusos”, ressalta o promotor.
Somente de janeiro a setembro de 2017, foram realizadas 72 operações da Lei Seca, em 15 municípios, que resultaram na realização de 6.929 testes de alcoolemia. Do total de 2.241 Autos de Infração de Trânsito (AITs) feitos neste período, 956 foram pela constatação de motoristas embriagados. De acordo com o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Sesp-MT, major Rafael Dias Guimarães, a ideia e expandir este projeto para o interior do estado. “Atuaremos em duas frentes, via segurança pública e Judiciário, para que esta parceria seja firmada também no âmbito dos municípios, visando à viabilização de recursos para aquisição das câmeras”.
De acordo com o parágrafo 2º do Art.277 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a infração prevista no Art. 165 também poderá ser caracterizada mediante imagem, vídeo, e constatação de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), alteração da capacidade psicomotora ou produção de quaisquer outras provas em direito admitidas. Com o objetivo de resguardar a privacidade do cidadão, a Sesp está elaborando uma portaria para regulamentar a utilização dos equipamentos. “A população pode ficar tranquila, pois as imagens serão utilizadas estritamente para fins policiais, não serão distribuídas, nem expostas”, acrescenta o coordenador do GGI.
Atuação rotineira
Além disso, o major Rafael Dias afirma que a ideia é equipar também, posteriormente, o Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário e a Delegacia de Trânsito (Deletran), pois lidam diariamente com esse tipo de autuação, não só apenas nas operações integradas. Para o comandante do Batalhão, tenente-coronel Esnaldo de Souza Moreira, a medida dará mais legitimidade ao processo. “Qualquer ato será monitorado, tanto o trabalho da polícia quanto a reação do cidadão. Se conseguirmos mais câmeras será muito importante, pois nos deparamos com várias situações dessa natureza cotidianamente”.
As imagens gravadas pelas GoPro serão armazenadas na Delatran, que atua tanto na operação quanto na investigação e elaboração do inquérito, e ficarão à disposição do Ministério Público e demais órgãos investigativos. De acordo com o titular da unidade, delegado Christian Cabral, os novos equipamentos garantirão mais credibilidade às ações, pois as blitze ainda são vistas com certa resistência. “Algumas pessoas veem como se estivéssemos querendo interferir no direito do cidadão, mas na verdade estamos resguardando a segurança de todos, ao evitar que alguém dirija sob efeito de álcool. Dificilmente, conseguiríamos recursos financeiros para adquirir esses equipamentos, por isso a parceria do Judiciário é fundamental”, frisa.
As operações deste ano também resultaram na remoção de 860 veículos, apreensão de 811 Carteias Nacionais de Habilitação (CNHs), e de 384 Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). O presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), Arnon Osny Mendes Lucas acredita que a Operação Lei Seca ganhará em agilidade e qualidade. “E a sociedade ganhará em segurança jurídica e pessoal, por isso esta é uma medida extremamente importante”.
Penalidades
O CTB prevê infração gravíssima para quem dirige sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência (Art.165). De janeiro a setembro deste ano, as operações integradas da Lei Seca em Mato Grosso autuaram 694 condutores nesta condição. A multa para o motorista que é flagrado dirigindo sob efeito alcoólico é de R$ 1.915,40.
No momento do teste do bafômetro, o condutor que tiver índice de álcool no sangue superior a 0,34 miligramas por litro de ar expelido será preso, pagará multa, terá a CNH suspensa e responderá por crime. A pena é de detenção que varia entre seis meses a três anos. Quando a quantidade de álcool for abaixo de 0,33mg/l, o condutor é autuado, tem a CNH retida e paga multa.
Fonte: PM MT – MT
Polícia
Dia Nacional da MPB resgata história de resistência e inovação da música brasileira
O Brasil celebra, neste sábado, o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, instituído por meio da lei federal 12.624, de 2012. A data escolhida, 17 de outubro, é em alusão ao nascimento da compositora e Chiquinha Gonzaga, mulher vanguardista que, em 1899 compôs a canção que conhecemos como primeira marchinha: Ô, Abre Alas.
A MPB, que conhecemos como gênero musical, não é filha diretamente da produção de marchinhas ou choros, grandes composições de Chiquinha Gonzaga. Nasceu em meados da década de 1960, como evolução da bossa nova. O grande marco é a música Arrastão, com letra de Vinicius de Moraes e música de Edu Lobo, composta em 1965 e vencedora do 1º Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, na voz de Elis Regina.
Quem conta à Rádio Assembleia o contexto do surgimento da MPB é a professora Doutora do curso de Música da UFMT, Teresinha Prada.
E o diferencial desse gênero que surge pós bossa nova era propor experimentações de misturas de sonoridade que demonstram a pluralidade cultural brasileira. Buscava também o pertencimento nacional, privilegiando o violão, em detrimento da guitarra elétrica. Que também não ficou fora da MPB por muito tempo, pois foi incorporada ao gênero musical pelos tropicalistas, como Gilberto Gil e Caetano Veloso.
O surgimento da MPB, durante a ditadura militar brasileira, também é uma resposta poética e de contestação ao regime.
Dessa maneira, a sigla MPB passa a incorporar literalmente toda produção musical popular no Brasil, sendo reconhecida por artistas como Chico Buarque, Nara Leão e Geraldo Vandré, que privilegiam o violão, incorpora o choro e o samba, que são gêneros musicais anteriores à MPB, agrega mais instrumentos sonoros e abraça nomes como Rita Lee, Clara Nunes, Alceu Valença, Djavan, Tim Maia, Belchior e tantos outros, que experimentam o rock, o samba de terreiro, o baião, o soul e toda a riqueza cultural brasileira.
Para Karola Nunes, fazer MPB em Mato Grosso também é um ato de resistência
Foto: Helder Faria
Mato Grosso também contribui para a produção da Música Popular Brasileira, trazendo as identidades próprias do Estado, adicionando regionalismos e compondo a grande diversidade sonora do país, que chamamos de brasilidades.
Amor e Casa é um dos lançamentos mais recentes da cantora e compositora mato-grossense Lorena Ly, que também conversou com a Rádio Assembleia e destaca elementos regionais na composição de sua música.
Karola Nunes é também um dos grandes nomes da MPB produzida em Mato Grosso, seja na carreira solo, seja em grupos e bandas, como o grupo de samba Sasminina e a banda Calorosa.
Ao som de Malemá Tentiano, da Banda Calorosa, convidamos você, ouvinte da Rádio Assembleia, para continuar sintonizado, que aqui você vai ouvir a grande diversidade da MPB e o melhor da música mato-grossense.
Priscila Mendes, para a Rádio Assembleia
Fonte: ALMT – MT
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