OPERAÇÃO AMAZÔNIA
Após identificar fraude em plano de manejo, Sema-MT apreende 1,8 mil metros cúbicos de madeira ilegal em Apiacás
Dois empreendimentos foram embargados durante fase da Operação Amazônia realizada no município
Polícia
As ilegalidades foram descobertas pela Diretoria de Unidade Desconcentrada (DUD) da Sema de Alta Floresta, com o apoio da Força Tática da Polícia Militar (9° Comando Regional – Alta Floresta).
Os agentes ambientais embargaram e multaram em R$ 597,2 mil um empreendimento por manter em depósito madeira em toras de diversas essências sem possuir licença válida (guia Florestal) no Sisflora 2.0, deixar de atender as condicionantes da licença de operação e operar em desacordo com a licença ambiental.
Na mesma ação, também foi identificado o Plano de Manejo Sustentável (PMFS) onde a madeira foi adquirida. O responsável foi multado em R$ 80,6 mil e teve o empreendimento embargado por comercializar madeira em toras sem emitir a guia de transporte, bem como por inserir dados fictícios no sistema oficial de controle e rastreamento da madeira, o Sisflora 2.0.
Toda a madeira ilegal apreendida, por se tratar de produto perecível, foi doada à Prefeitura Municipal de Apiacás.
De acordo com o diretor da DUD/Sema-MT de Alta Floresta, Vinicius Rezek, ao chegar no local a equipe de fiscalização encontrou uma grande quantidade de toras de madeira “desacobertadas de crédito” junto ao sistema Sisflora 2.0.
“Ao realizar a checagem identificamos que a madeira depositada no pátio não era a mesma que constava na guia de transporte, ou seja, a aquisição foi feita sem a devida guia florestal, configurando o crime. Com base nisso, identificamos o PMFS e o autuamos por inserir dados falsos no sistema e comercializar madeira sem a devida guia florestal”, relatou.
A DUD de Alta Floresta realiza mensalmente ações de fiscalização ambiental voltadas para o combate ao desmatamento ilegal, exploração e comércio ilegal de madeira, através dos sistemas de monitoramento da Sema-MT, seja por imagens de satélites ou pelo Sisflora 2.0.

Madeira apreendida
SEMA-MT
Rastreabilidade da madeira
O Sisflora 2.0 – Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais – tem como objetivo o monitoramento e controle da comercialização e o transporte de produtos florestais em Mato Grosso, possibilitando ao Estado rastrear todo o saldo de madeira, desde a extração até a destinação final.
Canal de denúncia
A Sema-MT atende denúncias da população contra crimes ambientais e pescas predatórias pela Ouvidoria, no telefone 0800 065 3838, pelo e-mail ouvidoria@sema.mt.gov.br, pelo WhatsApp (65) 99321-9997 e em suas Unidades Regionais.
Quem se deparar com algum crime ambiental também pode denunciar por meio do contato da Polícia Militar -190.
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Polícia
Chico Guarnieri é o 5º candidato mais multado do país por desmatamento
O deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), que busca a reeleição este ano, aparece como o quinto candidato mais multado do Brasil por infrações ambientais desde 2023, segundo levantamento realizado pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil. A pesquisa identificou 49 candidatos de 15 partidos que, juntos, acumulam R$ 15,5 milhões em multas aplicadas pelo Ibama.
De acordo com o levantamento, Guarnieri recebeu uma autuação de R$ 970 mil por suposto desmatamento de 194 hectares sem autorização em uma propriedade localizada em Barra do Bugres, na região Médio-Norte de Mato Grosso. A área está inserida no bioma Amazônia.
Com o valor, o parlamentar tucano ocupa a quinta posição no ranking nacional de candidatos com maiores autuações ambientais. O levantamento também aponta que o PL concentra o maior número de nomes na lista: 13 candidatos do partido somam aproximadamente R$ 6 milhões em multas ambientais nos últimos três anos.
Defesa contesta autuação
A defesa de Chico Guarnieri, no entanto, questiona administrativamente a autuação do Ibama e contesta a dimensão da área apontada pelo órgão ambiental.
Segundo os advogados, durante a fiscalização teriam sido identificados apenas cerca de nove hectares dentro de área de preservação, número significativamente inferior aos 194 hectares considerados na autuação.
A defesa também sustenta que, posteriormente, a propriedade teve o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), sem registro de passivo ambiental.
O episódio ganha peso político em meio à campanha eleitoral de 2026. Guarnieri tenta renovar o mandato na Assembleia Legislativa e, no início desta semana, ganhou um importante aceno político ao receber o apoio público do senador Flávio Bolsonaro, durante visita do presidenciável a Campo Novo do Parecis.
A situação, portanto, coloca o candidato tucano em uma posição de atenção justamente em um momento de disputa eleitoral, ao mesmo tempo em que sua defesa busca reverter administrativamente a penalidade aplicada pelo órgão ambiental.
Até o momento, trata-se de uma autuação administrativa contestada pela defesa, e não de uma condenação definitiva por crime ambiental.
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