Opinião
Vereador denuncia suposto favorecimento de parlamentar em filas da saúde de Várzea Grande
Opinião
O vereador Kleberton Feitoza Eustáquio (Feitoza) protocolou uma representação multi-institucional contra a vereadora Rosemary Prado (Rosy Prado), denunciando suposto uso indevido do sistema público de regulação da saúde para obtenção de atendimentos prioritários em Várzea Grande.
O documento foi encaminhado à Câmara Municipal, Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Segundo a denúncia, baseada em documentos do SISREG e do Portal de Transparência da Regulação (PTR), a parlamentar teria conseguido realizar exames e consultas em prazos considerados incompatíveis com a realidade enfrentada pela população que aguarda atendimento na rede pública.
Entre os procedimentos apontados estão uma tomografia de crânio realizada no mesmo dia da solicitação, três ressonâncias magnéticas feitas em menos de dez dias, uma endoscopia agendada em seis dias e uma consulta oftalmológica marcada em onze dias por meio de “reserva técnica”.
O vereador sustenta que pacientes classificados como não urgentes aguardam por anos na fila do SUS para exames semelhantes e afirma que houve possível quebra dos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.
Na representação, Feitoza pede à Câmara Municipal a abertura de procedimento por quebra de decoro parlamentar, podendo resultar na perda do mandato da vereadora.
O documento também solicita ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal a instauração de inquérito para apurar possíveis crimes relacionados ao uso do sistema federal SISREG, incluindo eventual inserção de dados falsos e favorecimento indevido.
Ao Ministério Público Estadual, foi requerido o ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa, enquanto ao Tribunal de Contas do Estado foi solicitada fiscalização sobre a utilização das chamadas “reservas técnicas” na Secretaria Municipal de Saúde.
A representação ainda pede medida urgente para preservação dos logs de acesso ao sistema de regulação, visando garantir a integridade das informações que serão analisadas durante as investigações.
Até o momento, a vereadora Rosy Prado não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
-
Cidades2 dias atrásHorto Florestal recebe nova edição do Craques da Natureza neste domingo
-
Economia6 dias atrásPublicadas regras que restringem publicidade de bets no país
-
Polícia7 dias atrásPolícia Civil prende homem por descumprimento de medida protetiva em Vila Bela da Santíssima Trindade
-
Cidades2 dias atrásOuvidoria de Cuiabá passa a atender por número único de telefone e WhatsApp
-
Política7 dias atrásComissão aprova mudança em critério de divisão de ICMS para atividades agropecuárias
-
Agricultura6 dias atrásCrédito caro e recuperações judiciais entram na pauta do Congresso Andav
-
Polícia7 dias atrásPM prende suspeito por tentativa de homicídio em Ribeirão Cascalheira
-
Polícia2 dias atrásVG em Ação leva serviços aos bairros Jardim Glória I, Jardim Imperial, Parque do Lago, São Simão, Vila Arthur e vias estratégicas de Várzea Grande


