Opinião
Vereador critica prefeita, fala em interferência e questiona alianças polític
Opinião
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, elevou o tom contra a prefeita Flávia Moretti ao acusá-la de interferir diretamente na eleição da mesa diretora e nas decisões do Legislativo. Durante entrevista ao jornalista Onofre Júnior, Cerqueira demonstrou forte insatisfação com a atuação da chefe do Executivo.
Segundo ele, a prefeita estaria tentando influenciar a composição da mesa e exercer controle sobre a Câmara, o que, na avaliação do parlamentar, configura invasão de competência entre os poderes.
“Uma prefeita que não deu certo com o vice-prefeito, que a levou ao cargo, que troca um secretário por dia… quem é o problema? Flávia ou Wanderley? Eu creio que o problema seja a Flávia.”
Cerqueira foi enfático ao afirmar que o Legislativo não é o entrave da gestão e que a crise política enfrentada no município tem origem no Executivo. Ele também confirmou que irá disputar a reeleição à presidência da Casa e indicou que o cenário deve ser de confronto direto com o grupo político da prefeita.
Ainda durante a entrevista, o vereador fez um alerta aos colegas parlamentares ao questionar a confiabilidade da prefeita na construção de alianças políticas.
Segundo ele, se houve rompimento com o próprio vice-prefeito — que foi peça importante na eleição —, não há garantia de que compromissos com vereadores serão mantidos.
A fala amplia o clima de tensão entre Executivo e Legislativo em Várzea Grande e indica que a disputa pela mesa diretora deve se transformar em mais um capítulo da crise política no município.
Opinião
O Brasil precisa ser maior que suas diferenças políticas
O resultado das eleições presidenciais de 2026 vai muito além da escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Ele nos convida a refletir sobre o Brasil que estamos construindo e, principalmente, sobre a forma como temos lidado com nossas diferenças.
Mais uma vez, o processo eleitoral evidenciou divergências políticas e ideológicas que atravessam famílias, amizades e relações sociais. O que deveria ser uma expressão legítima da democracia, muitas vezes, transforma-se em motivo de conflitos, julgamentos e intolerância.
É preocupante perceber como o posicionamento político passou a ser utilizado, em determinadas situações, como medida para avaliar o caráter, a inteligência e até a dignidade das pessoas.
Mas desde quando pensar diferente significa ser inimigo?
A democracia existe justamente porque somos diferentes. Porque temos histórias, experiências, necessidades e visões distintas sobre o futuro do país. E nenhuma dessas diferenças deveria nos impedir de reconhecer a humanidade do outro.
O resultado das urnas define vencedores e derrotados em uma disputa eleitoral, mas não deveria dividir uma nação entre pessoas que merecem ou não respeito.
Independentemente das preferências políticas, continuamos sendo brasileiros que compartilham os mesmos desafios. A mãe que espera atendimento na saúde pública, o trabalhador que busca melhores condições de vida, o jovem que sonha com oportunidades e a família que luta diariamente para colocar comida na mesa não deveriam ser separados por escolhas partidárias.
Os problemas reais da população não desaparecem com o encerramento de uma eleição.
Por isso, o momento exige maturidade não apenas dos representantes eleitos, mas também de toda a sociedade.
Aos vencedores, cabe compreender que governar significa representar uma nação inteira, inclusive aqueles que não lhes confiaram o voto. Aos derrotados, permanece o direito legítimo de discordar, fiscalizar e exercer oposição, sempre dentro dos princípios democráticos.
Respeitar o resultado das urnas não significa abandonar convicções. Da mesma forma, defender uma opinião não exige desqualificar quem pensa diferente.
Precisamos recuperar algo que parece estar se perdendo em meio aos embates políticos: a capacidade de ouvir.
Ouvir sem atacar. Discordar sem ofender. Dialogar sem transformar cada conversa em uma disputa que precisa ter um vencedor.
Talvez a maior reconstrução de que o Brasil necessita não seja apenas econômica, política ou institucional, mas também humana.
Precisamos reconstruir a civilidade, fortalecer a empatia e compreender que nenhuma preferência partidária pode ser maior que o respeito ao próximo.
As eleições passam. Os governos mudam. Os mandatos terminam. Mas as relações humanas e os valores que sustentam uma sociedade precisam permanecer.
Que o resultado destas eleições não seja apenas mais um capítulo da polarização brasileira, mas uma oportunidade para refletirmos sobre o país que desejamos deixar às próximas gerações.
Porque pensar diferente é um direito. Respeitar as diferenças é um dever de convivência.
O Brasil não precisa de uma sociedade em que todos pensem igual. Precisa de cidadãos capazes de conviver, mesmo quando discordam.
Afinal, antes de sermos eleitores de qualquer candidato, somos seres humanos. E nenhuma disputa política deveria ser maior que a nossa humanidade.
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