CULTURA

Não brinquem com Sexta-Feira 13: as bruxas estão soltas…

Sexta-Feira 13 é considerada uma data em que devemos ter precaução dobrada. Há pessoas que nem saem de casa…

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Cuiabá-MT – Faz bem um punhado de anos, trafegava tranquilo pela Avenida Miguel Sutil, nas proximidades do Círculo Militar, quando uma colega jornalista me ligou, ávida por novidades. Respondi estar sem nenhuma, a não ser a expectativa de algo bom para os dias seguintes, sábado e domingo. Então ela advertiu: “Cuidado, amigo! Hoje é Sexta-Feira 13: as bruxas estão soltas!”

Achei graça, mas fui sutil ao retrucar: “Pode deixar: vou tomar cuidado!”

Na sequência, após desejar à amiga um ótimo final de semana, desliguei para efetuar o contorno do trevo de acesso ao Círculo Militar.

Ao invés de seguir pela perimetral, desci rumo ao centro da capital, passando em frente ao antigo Hospital Jardim Cuiabá, atual Complexo Hospitalar; avenida longa…

Há uma rampa suave mais adiante, ladeada por várias ruas, além de trevo nervoso no seu cume, com roda-roda impaciente de carros, feito formigas graúdas desejando se enveredar por uma das ruas.

Passei pelo trevo rumo ao córrego de esgotos da parte baixa, ladeado por avenidas – mão/contramão.

Minha marcha foi interrompida no início do declive, que registrava fluência anormal de veículos.

Pensativo, firmei o pé direito no pedal de freios, visto que o de mão não funcionava bem. Automaticamente, afixei ambas as mãos ao volante, preparado para arrancar rápido quando o carro da frente saísse. Mantive distância prudente de uns oito metros, ou mais, não sei ao certo…

De repente, sem que entendesse patavinas, irrompeu sonoro estrondo metálico, associado a vidros sendo partidos, além de engrenagens se contorcendo de forma raivosa.

Pela celeridade da colisão, meu cérebro não processou nada: só percebi algo estranho acontecendo…

Ainda que o motor estivesse em marcha lenta, pois aguardava retomar a marcha, senti estar sendo empurrado bruscamente por força extraordinária. E isso, pasmem!, com meu pé no pedal de freios!

Inevitável, portanto, o choque com o veículo pequeno da dianteira…

Aconteceu exatamente o quê? Explico…

Fui colhido por um Chevrolet que desceu a avenida velozmente. Só entendi isso ao sair do carro. Ou melhor: o que restou do velho estradeiro, que foi achatado duplamente [traseira e dianteira].

Possivelmente, pela violência do acidente descrito, o questionamento é: “Não se machucou?”

Nada. Sequer tive um arranhão, somente o susto da batida.

“Como assim?! Não foi um choque violento? – ainda podem inquirir.

Sim, foi uma colisão bastante violenta, a ponto de reduzir o tamanho do Fiat, efeito sanfona. Porém, pelo fato de estar com o pé no pedal de freios – e mãos acopladas ao volante -, imprimi intuitivamente maior pressão ao sentir o arrasto-surpresa, mantendo-me sentado. As marcas dos pneus ficaram impressas no asfalto, por metros…

Em síntese: se acaso não estivesse posicionado assim, poderia ter fraturado costelas e sofrer lesões internas e externas. Muitos se machucam em batidas semelhantes, saindo de tais sinistros com “olhos sanguinolentos”, de vampiros.

O carro que abalroou o meu [e me jogou na traseira do veículo seguinte] era conduzido por um rapaz irresponsável. E ele respondeu da seguinte forma, ao ser cobrado para arcar com os prejuízos:

“Como pagar se não tenho um centavo?! Esse carro aí [apontando para o que dirigia] é Finame, está com ordem de apreensão. Eu não tenho CNH também. Podem chamar a Polícia. Pelo menos, se for preso, não vou precisar pagar rango {comida} por uns tempos…

Disse isso cinicamente, e se acomodou na calçada. Ali permaneceu fumando indiferente, à espera do que fôssemos decidir algo. Complicado…

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Chegamos à conclusão ser inútil recorrer à Justiça para tentar reaver nossos prejuízos. Decidimos, em seguida, retirar os carros da rua. Acionar a perícia não adiantaria nada, julgando-se pelas informações do rapaz.

TRAUMA PERMANECE…

Ao transitar eventualmente pelo local, sempre relembro detalhes desse grotesco acidente. Nem precisa ser uma Sexta-Feira 13, mas qualquer dia da semana. É quando um filme tétrico roda lúcido na minha cabeça…

Também agradeço a Deus por ter me livrado do pior. Afinal, pela violência do choque sofrido [fui literalmente espremido por dois carros], foi uma bênção não ter tido um leve arranhãozinho.

Hoje, lógico, SEXTA-FEIRA 13, nem passei perto da referida esquina: vai que as bruxas resolvem pegar suas vassouras e sobrevoar a região dos bairros Goiabeiras e Jardim Cuiabá…

Por João Carlos de Queiroz, jornalista

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Opinião

O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou

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Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.

O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.

Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.

A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.

No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.

E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”

Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.

E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.

E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.

Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.

Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.

O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.

Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.

*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá



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