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5 lições de Larissa Manoela sobre comunicação estratégica

Experiente no show business, apesar da pouca idade, a atriz também deu uma aula de gerenciamento de imagem ao utilizar cinco estratégias eficazes de comunicação.

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Opinião

Assessoria

O assunto que move o país nos últimos dias chama-se Larissa Manoela. A denúncia bombástica contra os próprios pais levantou inúmeros debates, desde a gestão de carreira de estrelas mirins a regras de trabalho infantil e relações tóxicas familiares.

Experiente no show business, apesar da pouca idade, a atriz também deu uma aula de gerenciamento de imagem ao utilizar cinco estratégias eficazes de comunicação.

1 – PREPARAR TERRENO PARA O DISCURSO

Muitos devem lembrar que há algumas semanas já rolavam rumores de que a atriz estaria insatisfeita com algumas decisões dos pais, relativas a uma mansão nos EUA.

Se a informação foi vazada por ela ou não, é difícil dizer. Mas, sendo estratégico, foi uma forma de “preparar terreno” e “esquentar” a opinião pública sobre o trabalho dela e o direito de tomar decisões sobre seu patrimônio.

2 – A “VACINA” COMO FORMA DE MASSIFICAR FATOS

Larissa Manoela aplicou o que em comunicação chamamos de VACINA – você antecipa aos poucos um assunto que fatalmente virá a tona, usando as informações e a tônica que te favorecem, para em determinado momento “cravar” o discurso hegemônico.

A decisão de escolher o programa Fantástico também foi acertada, porque até então a pauta rodava em veículos de entretenimento e fofoca, com pouca credibilidade – diferente do programa global, que adota tom jornalístico e tem poder de alcançar o público em massa.

E porque foi tão importante usar essa vacina no caso?

Em um país conservador e que coloca a família em um patamar praticamente sagrado, seria arriscado para uma atriz de carreira consolidada, e muito jovem, denunciar os pais em rede nacional de maneira abrupta.

Como o debate foi antecipado por semanas, e apenas os fatos que colocavam Larissa Manoela como vítima eram conhecidos, boa parte dos telespectadores já estava em defesa da atriz antes mesmo de assistir a matéria.

Nesse caso, a reportagem apenas consolidou uma opinião já formada pelo público.

 

3 – A CURIOSIDADE COMO CHAMARIZ

Outra estratégia para esquentar o debate foi o teaser da chamada do Fantástico, veiculado dias antes. O teaser foi certeiro não só por mostrar o drama de uma atriz famosa, mas por evidenciar uma situação esdrúxula do “pix para o milho” – fato que obviamente iria viralizar, já que o perrengue era incompatível com a fortuna de Larissa Manoela.

Sabe aqueles vídeos no Youtube que tem a capa (thumb) com uma frase como “Fulano A detonou sicrano B” e você assiste porque PRECISA SABER o que foi dito? É a mesma estratégia, de gerar curiosidade para atrair audiência.

4 – A CREDIBILIDADE DO AUDIOVISUAL

Larissa Manoela optou por provar sua denúncia com áudios e conversas mantidas com seus pais por aplicativos de mensagens.

Ela aparentemente selecionou os áudios com maior potencial de chamar atenção, seja pelas palavras fortes da mãe (desconstruindo a tradicional imagem de mãe amorosa) e do pedido de pix para o pai em compras de valor ínfimo (mostrando que estava em situação de total dependência dele).

Caso a denúncia se baseasse apenas em palavras e alegações, a atriz correria o risco de entrar em uma “guerra de versões” com seus pais no debate midiático, deixando para o público decidir qual versão seria mais convincente.

Essa hipótese representaria um perigo muito grande para a imagem de Larissa Manoela, pois abriria espaço para que os pais se defendessem em veículos da mídia com interesse de explorar o caso à exaustão em busca de audiência.

Com a força do conteúdo dos áudios e do depoimento em vídeo, só restou aos pais da atriz se defenderem por nota, via advogados.

A nota tenta desmentir a atriz, e apela para sentimentalismo, mas admite que Larissa recebia apenas 2% de participação em uma das empresas que administrava sua carreira, o que por si só já é extremamente negativo. Ora, como a fonte de toda a renda recebe só 2%?

Também já há indícios de que os pais estão tentando limpar a imagem com o uso indireto de depoimentos de terceiros próximos à família, o que dificilmente terá a mesma força para contrapor as denúncias.

5 – COERÊNCIA NO POSICIONAMENTO

Toda a questão envolve dinheiro. Dezenas ou centenas de milhões. A denúncia tinha tudo para se consolidar como uma disputa de filha contra pais por dinheiro, algo que soaria muito mal, não importando quem estivesse com a razão.

Mas quando o teaser da reportagem adianta que Larissa Manoela vai abrir mão de tudo o que já ganhou, todo o foco passa a ser de uma atriz que estaria sendo explorada há anos pelos pais e agora quer deixar isso para trás – inclusive o dinheiro para garantir o conforto deles.

Com isso, ela consolida em uma ação concreta o que coloca nas palavras, fazendo o seu posicionamento soar ainda mais verdadeiro e honesto, reduzindo a margem para críticas ou opiniões contrárias.

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Lucas Rodrigues é estrategista de comunicação, pós-graduado em assessoria de imprensa e jornalismo empresarial, e especialista em marketing digital.

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Opinião

O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou

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Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.

O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.

Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.

A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.

No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.

E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”

Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.

E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.

E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.

Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.

Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.

O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.

Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.

*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá



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